Depois que se dispor a ajudar Theodora tinha que seguir com as aulas, sendo Marcela ou Shawn, teria que ajudar.
Se soubesse que era para Marcela faria de graça... Ou na verdade não teria aceitado.
Falou passando confiança, mas estava um tanto nervosa ao pensar em ter que ficar perto de Marcela, não por dar aula para ela.
Assim que terminou a aula Theodora pegou sua moto, que era do meu pai, foi para casa. Seu carro ainda não tinha chegado.
Tomou um banho demorado, vestiu um short jeans rasgado, regata preta e pegou uma blusa de frio qualquer para não ficar com marcas da regata devido ao sol escaldante.
Ela não tinha um look de motoqueira, não a agrada muito. Se tivesse um as pessoal iriam ficar olhando mais para ela e também modesta parte ficava melhor do meu jeito.
Última aula.
Foram semanas um pouco difíceis e ao mesmo tempo legais por estar com Marcela, que fazia piada com a matéria.
Mas assim que passava uma hora Theodora ia para casa rapidamente, não ficava ali perto dela, era um pouco arriscado.
Marcela pegou a matéria bem facilmente, até já estava ajudando com a daquele ano.
Além de sofrer de antecedência por não sentir mais aquele cheirinho gostoso de Marcela perto de si pelo menos três vezes por semana, Theodora estava triste porque seu avô não estava muito bem.
Perez viu o sogro e falou que ele poderia não passar daquela noite.
Marcela estava jogada no sofá assistindo TV. A campainha tocou por volta das seis da tarde, era Theodora.
A de olhos verdes estava pensando que Theodora nem viria mais, ela sempre chegava cedo.
Abriu a porta vendo uma Theodora que nunca tinha visto antes, seus olhos estavam inchados e vermelhos.
"Ela devia ter chorado."
Theodora estava praticamente igual a primeira vez que Marcela a viu, menos pela blusa, que naquele dia era uma regata e não um uniforme como na primeira vez.
Seria o dia do pagamento de Theodora, ela falou que só receberia no último dia, então desde o começo das aulas deixava uma parte da mesada separada.
Theodora estava estranha, parecendo triste desde o começo da semana, Marcela não sabia o que era, lógico.
As duas nem conversavam direito, Theodora dava às aulas e ia embora em seguida. Ela não estava com o sorriso que Marcela tanto ama, e que estava todos os dias em que foi dar aulas.
— Entra. — Marcela falou depois de perder alguns segundos pensando.
— É... Claro. — Theodora falou olhando Marcela rapidamente com um sorriso pouco convincente.
"Se for algum cara que tiver deixado ela assim, coloco fogo nele!"
Ela esperou Marcela passar na frente para a seguir, até a sala onde estudavam.
Marcela não sabia explicar, mas com a Theodora conseguiu aprender química.
Devia ser porque quando a latina está perto de Marcela, ela não consegue não prestar atenção em nada a não ser nela, fazendo com que se lembre de tudo que for explicado.
A revisão se saiu muito bem, mas Marcela estava preocupada com Theodora. Seus olhos estavam marejados o tempo todo da aula.
Assim que terminaram, Marcela foi pegar o dinheiro para pagá-la, já que era o último dia. Quando voltou Theodora estava com a cabeça abaixada contra os joelhos.
— Theodora?! — Marcela chamou baixinho, assim que se agachou perto dela.
— Ah... Me desculpe. — Theodora falou com a voz embargada.
Levantou a cabeça, secou as lágrimas que tinha descido para seu rosto, seu lábio inferior estava quase branco, parecia que ela estava mordendo antes.
— Me fala quem fez isso com você, que eu o mato! — Marcela falou, estava realmente furiosa.
Se ajoelhou ao lado de Theodora.
— Você, não pode fazer isso... Porque meu pai ligou... E disse que vovô... Faleceu.
Theodora falou em meio aos soluços e lágrimas.
Marcela a abraçou e antes que se desse conta, a colocou em seu colo. Theodora ficou um pouco rígida, mas logo relaxou.
— Mil desculpas pelo que eu disse... É que ver você triste me deixa triste também.
Abraço ainda mais forte e olhando para a latina que olhava para baixo. Theodora balançou a cabeça em sinal de concordância.
— Acho que um abraço seu é o que eu precisava no momento.
Theodora falou baixo depois de um tempo que ficaram caladas e ela ainda soluçando. Os dedos das duas brincando uns com os outros.
"Ela gosta de mim?! Do mesmo jeito que gosto dela?!"
— Não chore, meu bem, com certeza seu avô não gostaria que ficasse assim. — Marcela falou, colocando as mãos no rosto de Theodora.
Depois de um tempo que Marcela tentava ajudá-la a se acalmar, Theodora passou a mão em volta dos olhos secando algumas lágrimas. Não adiantou muito porque mais teimaram em descer.
— Meu pai pediu que eu ficasse na casa de uma amiga... Será que pos... — ela falou diminuindo o ritmo com que suas lágrimas caiam.
— Claro que pode. — Marcela respondeu rapidamente entendo o que ela queria. — Demi não vai se importar.
— Obrigada. — Theodora falou, abatida.
Encostou a cabeça no ombro de Marcela e ficaram, ali quietas.
Depois de um tempo Theodora se deitou no sofá, Marcela foi há cozinha porque estava com fome.
Pegou um pacote de um biscoito salgado, um potinho de patê de salsa e cebola, que a própria tinha feito.
Quando chegou na sala Theodora estava com o corpo virado para o outro lado ficando de costas para si.
Marcela se aproximou, Theodora estava dormindo. Devia ser por conta do choro.
Se sentou perto do sofá onde Theodora estava e começou a comer, não iria acordá-la.