~Trava~ O sol da manhã de segunda-feira já estava alto, mas o calor dentro da sala de reuniões da boca central parecia duas vezes mais abafado. Eu estava sentado na cadeira da cabeceira, batendo os dedos na mesa de madeira, com a mente fritando na neurose. O Trava andava de um lado para o outro, impaciente, com o fuzil a tiracolo e os olhos fixos na porta. A expectativa pelo retorno do asfalto estava deixando o clima pesado. De repente, o rádio na cintura do Trava chiou alto, cortando o silêncio da sala. A voz do soldado da contenção da frente veio estalada, meio trêmula: — Aí, Trava... Visão reta aqui na pista, chefe. Brotou um motoboy aqui na barreira com uma fita para tu. Disse que é uma entrega urgente, um envelope lacrado. O cara falou que o código é o do cano da distrital. Como é

