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O silêncio da madrugada no Vidigal era diferente. Não é o silêncio de uma cidade que dorme, mas o silêncio de um bicho que fica atento. Eu estava naquele estado de alerta que o crime me ensinou: meus olhos estavam fechados, mas meus ouvidos mapeavam cada estalo da estrutura do postinho e o som da respiração da Manu, qualquer mudança, eu iria perceber. Por volta das três da manhã, senti o corpo dela mexendo ao meu lado. Ela começou a se mexer devagar, percebi que ela não queria me acordar, porém antes dela respirar mais pesado, eu já tava pegando a pistola na cômoda - algo que era instinto próprio, antes de lembrar que ali, naquele quarto, eu precisava ser apenas o Ravi. — Tá tudo bem, pequena? — perguntei, a voz grossa e arrastada pelo início de sono. Manu se assustou um pouco, os ol

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