Não pode ser

1472 Words
Capítulo 2     Os múrmuros de pessoas atrás, na mesma fila onde estávamos me fazia bufar por ter aceitado vir. O olhar com feições sérias do segurança da boate para nosso semblante, depois de demorados minutos encarando nosso documento, me deixava inquieta.  Desconfortavelmente me virei para dar as costas a ele e ir embora, definitivamente aquilo não estava me cheirando bem.  - Aonde pensa que vai Cibely? _ Exclamou a Yve, agarrando em meu braço assim que me viu dar as costas.  - Podem entrar. _Antes que eu saudasse qualquer fala, o segurança indagou nos entregando os documentos e por fim nos deu passagem.  - Obrigado. _  Agradeceu a Yve em um meio sorriso e me puxou para dentro da boate.  Ao adentrar no recinto, meu olhar percorreu por toda aquela multidão de gente, se jogando na pista de dança ao som de uma música eletrônica gritante.  No meu sonho eu morava em um lugar assim.  - Preciso de uma bebida forte para poder encarar isso. _ A dei as costas e corri até o balcão. - Um Martini com muito álcool, por favor. _ Pedi retoricamente.  - Dois. _ Falou a Yve se sentando ao meu lado, olhando para um ponto atrás da minha cabeça.  Pisquei o olho, confusa.  O que ela está fazendo.  - O que foi? _ Perguntei incerta se queria saber se seria um dos seus casinhos de uma noite.  - Aquele n***o ali. _ Olhei curiosa para onde ela apontava e quase cai da cadeira.  - Ele é ator pornô e adora ser chamado de crioulo. _ Confessei sem da importância.  A Yve engasgou com saliva e franziu o cenho em total incredulidade.  - Como sabe de tudo isso? _ Perguntou aparentemente perdida.  O barman depositou nossos copos no balcão e voltou a atender os outros clientes.  - Não acreditaria se eu contasse. _ Bebi minha bebida em um único gole, fazendo careta por conta do álcool.  - Nossa...olha a maneira como ele pega na nuca daquela mulher enquanto sua outra mão apalpa suas coxas. _ Ao ouvi-la comentar voltei a olhar para eles, o casal realmente se comendo no meio da pista de dança. - Será verdade que os membros dos africanos são tamanho família? _ Perguntou, com devaneios longe.  De repente a olhei assustada e ao processar suas palavras gargalhei alto.  - Você é doente. _Deduzi.  -Aquela mulher que está sendo consumida pelo ator pornô, não é a mesma que saiu na revista com o médico. _ Virei contudo, e observei melhor.  Stella, não pode ser... É ela ... a mulher do Allan.  - Não entendo, porque ela está fazendo isso com ele. _Neguei desnorteada, então ela não passava de uma qualquer. Eu estava tão preocupada em saber tudo sobre a vida do Allan que nem me preocupei em investiga-la.  Não...devo deixá-la para lá, não é ela quem me interessa.  Qual é Cibely, deveria pular de felicidade.  - Simples Cibely, porque tem mulheres que não valoriza o que tem.  _Cogitou indignada. - Vou ao banheiro, já volto.  afirmei e ela saiu.  Propositalmente os olhei de novo e guardei meu espanto enquanto vislumbrava um engolindo o outro como dois depravados selvagem, meu estômago revirou com aquela visão horrenda, aquilo realmente havia me pegado desprevenida.  Eu deveria ir até lá.  Depois de firmar os pés no chão pronta para vagar até eles, fui empurrada por duas loucas que brigava ao meu lado, tento me desvencilhar do local e algo é arremessado com brutalidade contra minha barriga.  Assustada, abro a boca a procura de ar, abaixo a vista e levo as mãos lentamente a minha barriga, trêmula tiro uma das mãos e a olho.  Ai meu Deus...é sangue.  A garrafa de vidro quebrada ao meio, com certeza tinha perfurado meu estômago.  Eu vou morrer.  Vejo as pessoas desesperadas se juntaram em círculo, a dor começava a se intensificar, meus olhos jorravam lágrimas de desespero, minhas pernas doíam tanto por não poder sustenta-las em pé que acabei fraquejando e caindo no chão da boate com as mãos sobre a barriga.  Ouvi gritos e berros, eu respirava com dificuldade, mas ouvia os gritos.  - Cibely....Ai meu Deus. ..O QUE HOUVE? _Gritou minha amiga alarmada, se jogando no chão ao meu lado. - CHAMEM UMA AMBULÂNCIA. _Gritou novamente enquanto pegava em minha mão, podia sentir em sua voz a agonia.  Não sei por quanto tempo eu fiquei inerte naquele chão frio, até ser colocada em uma maca e ser arrastada a uma ambulância, eu queria muito fechar os olhos e apagar, mais uma enfermeira não deixou por um segundo, a Yve chorava ao meu lado, a ambulância freneticamente se movimentava em alta velocidade.  Em um piscar de olhos, vi que eu já não estava sobre o olhar das pessoas na boate, era um lugar claro, muito claro, era difícil abrir os olhos.  Inevitavelmente senti uma mão quente pegar firme na minha, pude sentir também o tato da outra nos meus fios de cabelos, meu corpo balançava muito, insisti em fechar os olhos, parecia nunca chegar no determinado lugar onde me levavam.  - Fica comigo. _ Ouvi uma voz rouca em tom preocupado.  Esse cheiro.  Com dificuldade abri os olhos novamente e me dei conta de quem estava me levando até o quarto.  Seus olhos ainda me deixavam inebriada. E de certa forma, eu tinha eles centrados somente em mim.  - Alla..an. _Murmurei, balançando minha cabeça de um lado e outro, lembro que me contorcia muito, a dor queimava instantaneamente.  - Tá...doendo. _Minha voz saiu falha.  - AAAIII. _Gritei e como a muito tempo fiz, apertei sua mão.  A maca parou, e a única coisa que vi antes de apagar era que estava sendo sedada.  ***  De olhos abertos, minuciosamente vago o olhar no local onde estava, pela janela fechada apenas no vidro, pude ver que estava amanhecendo. Virando meu rosto, me assustei com alguém sentado no sofá pequeno, a cabeça levantada denunciava que os olhos encaravam o teto.  Ai meu pai, é ele de novo, eu conheço perfeitamente a forma como meu corpo reage quando ele está perto.  Afastei a coberta do meu corpo e passei a mão em minha barriga, eu estava com roupa de hospital e algo desconfortável começava a coçar e arder por baixo do vestido azul largo e bizarro.  Tentei me sentar e acabei grunhido alto de dor.  Alguém atento a tudo irremediavelmente pressionou meus pulsos contra o colchão, fazendo com que eu novamente voltasse a me deitar.  - Paraaaa... _ Minha voz saiu arrastada e uma lágrima de dor instintivamente escorreu dos meus olhos.  - Menina teimosa não se mova, abrirá os pontos. _ Aquela voz ríspida e grossa fez com que eu olhasse para seu rosto receosa, ele estava muito próximo de mim, seu hálito de menta se instalou em minhas narinas, ele diferente dos meus sonhos estava ali, elegante e implacável, seus cabelos levemente fora do lugar, me fazia lembrar de como eu os puxava enquanto fazíamos amor, seus lábios perfeitamente desenhados, bem gritinho e a gravata preta em volta do seu pescoço o deixava ainda mais charmoso, eu passei tanto tempo sonhando, que nunca parei para pensar se aquelas feições simétricas fossem realmente verdadeiras e poderiam existir no mundo real, fiquei ali, apenas sentindo seu toque, parada, estupefata tentando abstrair tudo, observando seu rosto estonteante.  Por um momento podia jurar ver ele deliberadamente me lançar um sorriso obsceno ao me ver umedecer os lábios enquanto encarava sua boca.  - Pontos. _ Repeti, deploravelmente sentia minha garganta secar por ele está tão perto.  Contudo, senti suas mãos suavizar o toque nos meus pulsos, mesmo que lágrimas não escorresse dos meus olhos, eu chorava por dentro ao ver ele automaticamente me soltar e se afastar, recuando para trás, enfiando as mãos no bolso da sua calça.  - Como sabe meu nome? _ Questionou, me olhando de forma séria.  Em meio a dor, sorrio ligeiramente.  Não é possível que ele tenha me esquecido...isso definitivamente doeu mais do que a garrafa enfiada em minha barriga.  - Eu que te pergunto isso, como você sabe o meu nome? _ Perguntei nervosa devolvendo a pergunta, o olhando ansiosa.  - Eu não sei. _Revelou áspero, me dando de ombros.  Nego, o olhando indignada.  - Claro que sabe, seu desgraçado. _ Ele me encarou surpreso pelo esbravejamento e em seguida sorriu como se fosse algo divertido. - Não lembra que foi na minha casa a quatro anos atrás atender o meu pai, eu não estou louca, você me chamou de Cibely, como ousa... _ limetei a continuar a frase ao vê-lo me olhar com reprovação.  - Então você é a menina que quase caiu da escada. _Revirei os olhos desviando o olhar do seu. menina. Ele me chamava de menina. - Ao te impedir de cair você disse o meu nome ofegante...Como sabe meu nome?_ Seu tom de voz se modificou, ficava interrogativo.  Fechei os olhos.  - Eu estou com muita dor, minha barriga está queimando, vai mesmo me testar quando a sua obrigação é fazer a dor parar, eu posso te processar por abuso de incapaz, sabia doutor Allan Stark. _ Ameacei, não dando espaço a dúvida.  - Você não seria capaz. _ Arqueou uma sobrancelha duvidoso.  - AIIII... TÁ DOENDO. _ Gritei e gemi.  Seus passos correram até mim, para me socorrer.  - Como é a dor? _ Quis saber, o tom de voz era apreensivo e ele tocava minha barriga.  Sorrio diabolicamente e por fim, ele me olhou, estranhando-me não está berrando como anteriormente.  - Não sei, mas pode ser curada agora. _ Sussurrei e com dificuldade levantei meu rosto e encostei meus lábios no seu rapidamente.  Será meu doutor...você será meu. 
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