GADERNAL NARRAND Encostei no espelho do meu quarto, só de cueca, o copo de whisky na mão direita e a Glock em cima da cômoda, enquanto o som do Tupac batia no fundo da JBL que tremia a parede. A garrafa de Red tava pela metade, porque hoje era dia de baile — o primeiro desde que tudo virou de cabeça pra baixo. Primeira noite sem treta, sem Penélope enchendo o saco, primeira noite que eu ia poder curtir a p***a da minha favela como o verdadeiro dono que eu era. Dei mais um gole longo, sentindo o gelo bater no céu da boca enquanto encarava minha própria imagem no espelho. Corpo fechado, tatuado, cicatrizes que contavam mais história do que qualquer livro. Peguei a bermuda preta que tava dobrada na cadeira, aquela da Nike com bolso reforçado pra carregar as peças. Vesti devagar, puxando o e

