MAJU NARRANDO Eu tava no banco de trás do carro, meio torta por causa do salto, com a garrafa de cerveja ainda na mão, e o coração batendo feito escola de samba em final de campeonato. A Lorena no banco da frente, rindo e falando no telefone com o tal do Renan, e eu ali… olhando pela janela, com a cara colada no vidro, como se eu fosse uma adolescente indo pra festa escondida da mãe. — Meu Deus… eu tô mesmo subindo o morro pra ir num baile? Nunca pensei que essa frase fosse sair da minha boca. Tipo, real. Eu, Maria Júlia, professora da rede pública, concursada, toda certinha, dando aula lá na Rocinha pra uma molecada que me chamava de “tia”, agora tava aqui, com uma sainha curta, top colado no peito e o cabelo todo cacheado armado, igual minha irmã fez questão de arrumar, indo pra um ba

