MAJU NARRANDO O ar faltava nos meus pulmões. O cheiro de borracha e gasolina já começava a impregnar o topo daquela laje, e cada vez que eu olhava para o Thiago, eu via um estranho. O homem que me beijava com ternura, que tinha mudado a casa toda por mim, agora me olhava com um ódio que eu só tinha visto nos olhos do Rodrigo. Eu estava no meio de um fogo cruzado entre o meu passado sombrio e o meu presente perigoso, e o pior: o homem que eu amava era o meu carrasco. — Thiago, pelo amor de Deus, olha pra mim! — eu gritava, a voz já sumindo, as cordas vocais em carne viva. — Não faz isso! Você está deixando esse demônio vencer! É isso que ele quer! O Rodrigo deu um sorriso de lado, um sorriso nojento, de quem estava gozando com a minha desgraça. — Aceita, Maju. O plano deu errado. Vamos

