MAJU NARRANDO O som do choro da minha irmã no viva-voz ainda ecoava na laje, misturado com o estalo da madeira queimando nos pneus ali perto. Eu estava no chão, sem forças, sentindo que minha alma tinha sido arrancada. O Thiago estava com uma expressão que eu nunca tinha visto: um vazio absoluto, um olhar de quem tinha desligado qualquer sentimento humano. Ele fez um sinal e os soldados jogaram o Rodrigo no chão, bem do meu lado. Ficamos ali, os dois, o meu passado e o meu presente, dividindo o mesmo cimento sujo. O Rodrigo, mesmo com a boca sangrando, ainda tentava destilar veneno, rindo baixo, uma risada de quem já sabia que ia pro inferno e queria me levar junto. — É, Maju... parece que o nosso amor vai arder... — ele sussurrou, com aquele tom doentio. — CHEGA, p***a! ESTOU DE SACO

