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MARIA JÚLIA NARRANDO Minhas mãos ainda tremiam, mas agora não era só de medo. Era de uma raiva legítima, uma daquelas que queima por dentro e faz a gente esquecer o perigo. Enquanto ele batia na porta e chamava meu nome com aquela voz que ele acha que manda no mundo, eu abria a gaveta dele com força. Fui jogando as camisas, as bermudas, tudo o que vi pela frente dentro da mochila de qualquer jeito. Cada peça que eu socava ali dentro era um flash daquele pesadelo na laje. O cano do fuzil, o cheiro de borracha, o rosto dele transformado pelo ódio... Quando finalmente abri a porta, eu não era a professora indefesa. Eu era a mulher que ele mesmo moldou no fogo. — Que isso? — ele perguntou, olhando para a mochila que eu joguei nos pés dele. — Suas roupas. Vaza! — falei, sustentando o olhar

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