Dois meses se passaram. A convivência entre Ellie e Marlon tinha mudado. Mais leve, mais profunda, mas ainda carregada de silêncio e tensão. Eles estavam cada vez mais próximos, criando uma conexão que ninguém poderia tocar — nem ele, nem ela, nem o mundo ao redor. Mas não havia i********e. Marlon tinha decidido: a próxima vez que estivessem juntos seria porque ele pediria de verdade. Não por desejo, mas por amor.
Naquela tarde, sentados sob a sombra do quintal, conversaram por horas. Risos, lembranças, silêncios que falavam mais que palavras. Até que os olhos de Marlon buscaram os dela com intensidade quase palpável. Aproximou-se devagar, o rosto perto do dela, o coração batendo com calma perigosa. Um beijo aconteceu. Simples, lento, intenso. E depois um abraço firme. Um só beijo e um abraço, mas neles havia paixão, promessa e cuidado.
Marlon encostou a testa na dela e sussurrou:
— Agora…
Pegou o celular, respirou fundo e discou.
Do outro lado, a voz ríspida de Gustavo:
— Oi?
— Oi, Gustavo — respondeu Marlon, a voz firme, fria e precisa. — Quero falar com a mãe dela e com o Henrique. Passe o celular, por favor.
— Me deixa falar com ela. Quero saber se tá bem — Gustavo insistiu.
— Ela tá bem. Só precisa ver o filho. Passe para ele. — A voz de Marlon era implacável, cada palavra uma ordem silenciosa.
Do outro lado, Gustavo rosnou, furioso:
— Você é um desgraçado, Marlon. Eu vou te achar.
Marlon sorriu de lado, calmo, sagaz:
— Sempre disse, Gustavo… Ellie é minha. O que você teve foi passageiro. Ela é minha, e você sabe. Agora passe para o Henrique ou desligue. A escolha é sua.
Houve silêncio. Até que a vozinha doce de Henrique surgiu:
— Tio Marlon… você tá cuidando bem da mamãe?
Marlon suavizou, cheio de ternura:
— Sim, campeão. Ela tá aqui comigo. Quer falar com ela?
— Quero sim! — respondeu Henrique, animado.
Marlon passou o celular para Ellie. Ela sorriu entre lágrimas contidas:
— Oi, meu príncipe lindo…
— Mamãe… saudade… tanta saudade… — a voz embargada do menino arrancou lágrimas da mãe.
— Mamãe também sente saudade, meu amor. Mas tô bem, tá? Tio Marlon tá cuidando de mim. Agora me conta, tá brincando bastante?
— Mamãe… eu escrevi várias cartinhas pra você! Aprendi a escrever seu nome!
Ellie sorriu emocionada:
— Que orgulho, meu amor. Mamãe vai ler todas, prometo.
A mãe de Ellie entrou na linha depois, hesitante:
— Oi, filha… tudo bem?
— Sim, mãe. Tô bem. Tô segura, e o Marlon… ele me ama e me protege.
— Ai… que bom… Henrique sente sua falta todo dia… — disse a mãe, emocionada.
Gustavo então explodiu:
— Ellie! Fala que você tá bem! Que sente minha falta! Que sou importante pra você!
Ellie segurou o braço de Marlon com o olhar, pedindo silêncio. Ele assentiu, compreendendo. Ela falou, firme:
— Tô bem, Gustavo. O Marlon nunca me machucaria. Estou protegida, segura, saudável. Estou tentando reconstruir minha vida com ele… pelo Henrique e pela minha mãe também.
Henrique pegou o celular de novo:
— Mamãe, quando vocês vêm? Quero brincar de bola com o tio Marlon…
Marlon sorriu, firme:
— Em breve, campeão. Vamos passar um tempo juntos, sim.
Gustavo perdeu o controle:
— NUNCA! Você nunca vai encostar no meu filho! EU VOU TE MATAR!
Henrique começou a chorar.
— Papai, para!
Ellie gritou:
— Mãe! Leva o Henrique para outro cômodo! Por favor!
Ela saiu para o quintal e se desabou em lágrimas. Marlon permaneceu, imóvel, olhando para o celular.
— Agora sou eu — disse, com a voz baixa e carregada de ameaça.
Do outro lado, Gustavo berrava, vermelho de raiva. Marlon deixou a frieza e o poder falarem por ele.
— Escuta bem, Gustavo. Ellie não é sua. Nunca foi. O que você teve foi um momento, passageiro. Ela é minha. E você… você é só o passado que ela quer esquecer.
Gustavo urrava, descontrolado:
— EU VOU TE MATAR! EU VOU ACABAR COM VOCÊ! ELA É MINHA!
Marlon aproximou-se da câmera, os olhos estreitados, cada palavra carregada de perigo:
— Você ousa encostar nela ou no Henrique e vai sentir o que é dor de verdade. Eu não erro. Eu protejo quem amo. E se precisar… eu destruo quem tentar nos separar.
Gustavo tentou falar, mas a raiva o engolia. Marlon sorriu, sádico, calculista, mas nos olhos havia também o cuidado extremo por Ellie e Henrique.
— Isso aqui é uma guerra que você perdeu antes mesmo de começar. Ela nasceu para ser minha. E eu… nunca vou falhar com ela.
Ele desligou. Silêncio absoluto. Respirou fundo, a raiva misturada com ternura.
Ellie ainda chorava, escondida entre as plantas do quintal. Marlon se aproximou, cada passo carregado de poder e amor contido.
— Vem cá — sussurrou, estendendo a mão. — Eu cuido de você. Sempre.
Ela levantou a cabeça, o rosto molhado de lágrimas, e finalmente, se deixou envolver. O toque mafioso e protetor de Marlon misturava-se com o amor intenso, silencioso, e ali, no quintal, o mundo deles se resumia apenas a ele, a ela e ao Henrique.