Cinco dias haviam se passado.
O quarto do hospital já não carregava o mesmo peso dos primeiros dias. O ar parecia mais leve, quase como se o próprio ambiente reconhecesse que a fase mais c***l tinha ficado para trás. Ellie agora conseguia se sentar com mais firmeza, o olhar estava mais atento, mais vivo, e a palidez do rosto dava lugar, pouco a pouco, a um tom saudável. Ainda falava com esforço, a voz falha em alguns momentos, mas havia algo novo ali: determinação.
A porta se abriu devagar, e a doutora entrou com um sorriso caloroso, a prancheta apoiada no braço.
— Senhor Gustavo… senhora Ellie… — começou, com um brilho sincero nos olhos. — Eu tenho uma boa notícia.
Gustavo se levantou imediatamente, o corpo atento, instintivo. Ellie virou o rosto com cuidado, curiosa, o coração acelerando.
— A senhora está evoluindo muito bem — continuou a médica, aproximando-se. — O ferimento está cicatrizando como esperado, o bebê está ótimo, forte… e nós decidimos dar alta pra você.
Por um instante, Ellie pareceu não compreender. Os olhos se arregalaram levemente.
— A… a… alta? — murmurou, emocionada. — Eu… pra… casa?
— Pra casa — confirmou a doutora, sorrindo. — Pra descansar com seu marido, com sua mãe. Com segurança. Mas com alguns cuidados, tá? Nada de esforço. Muito repouso. Alimentação leve, frutas, legumes, bastante líquido. Seu corpo ainda está se recuperando.
Ellie assentiu devagar, os olhos marejados.
— Qualquer dor, qualquer desconforto, você me liga imediatamente — reforçou a médica. — Posso ir até você, se precisar. E se preferir, pode voltar direto ao hospital. Sem hesitar.
Gustavo apertou a mão de Ellie, emocionado.
— Obrigado, doutora. Eu vou cuidar dela com todo o cuidado do mundo.
A médica entregou a prancheta.
— Assine aqui, por favor.
Ele assinou com firmeza. Em seguida, recebeu as receitas.
— Esses são os medicamentos para dor, se precisar. Essas vitaminas são essenciais pro bebê, todos os dias. E esse aqui é pra fortalecer o organismo dela. Amor, descanso e proteção fazem milagres.
Ellie apertou a mão de Gustavo e, com esforço, falou:
— O… o… obri… obrigada…
A doutora sorriu, tocada.
— Tá vendo? Já tá falando melhor. Isso é força. Isso é vontade de viver.
Ellie sorriu também. Era mais do que uma alta. Era uma vitória.
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A saída do hospital foi discreta, porém extremamente organizada. Gustavo não deixava nada ao acaso.
Dois seguranças à frente, dois atrás. Quatro veículos formando uma escolta silenciosa e eficiente. Nenhum curioso por perto. Nenhuma brecha.
Gustavo ajudou Ellie a entrar no carro com o máximo de cuidado, acomodando-a como se ela fosse feita de vidro.
Durante a viagem, o silêncio era confortável. Ellie observava a estrada, absorvendo aquele novo começo. Gustavo dirigia com atenção total, uma das mãos no volante, a outra entrelaçada à dela.
Quando os portões altos do condomínio se abriram, com vigilantes armados e câmeras acompanhando cada movimento, Ellie se endireitou no banco.
— É… é lindo… — sussurrou, impressionada.
— É mais do que bonito — respondeu Gustavo, sério e carinhoso ao mesmo tempo. — É seguro. Aqui ninguém encosta em você.
Ele a ajudou a sair do carro. A casa era imponente, moderna, cercada por muros altos, sensores e câmeras. Uma fortaleza disfarçada de lar.
Dentro, tudo era claro, acolhedor, organizado com extremo cuidado. Cada detalhe tinha sido pensado para que Ellie se sentisse protegida, confortável, em paz.
No quarto, Gustavo a ajudou a tomar um banho morno, lento, respeitoso. Cuidou de cada movimento. Secou seus cabelos, vestiu nela uma roupa leve, deitou-a com delicadeza, ajeitando travesseiros até que estivesse perfeitamente confortável.
Depois, trouxe uma bandeja com frutas picadas e suco natural.
— Devagarzinho, tá? Eu tô aqui.
Ela comeu aos poucos, olhando para ele como se ainda não acreditasse em tudo aquilo.
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No dia seguinte, a casa foi banhada por uma luz suave de manhã tranquila. Ellie acordou mais disposta. Após o café, Gustavo se aproximou com um sorriso cuidadoso.
— Quer conhecer o quartinho do nosso bebê?
Ela assentiu, emocionada.
Caminharam devagar. Gustavo sustentava o corpo dela com firmeza e cuidado. Ao abrir a porta do quarto, Ellie levou a mão à boca.
O ambiente era delicado, aconchegante. O berço, o móbile, a poltrona de amamentação. Tudo respirava amor.
— É… lindo… — murmurou.
— Tudo pra você. Tudo pro nosso filho — respondeu ele.
Ela tocou a barriga.
— Oi… meu amorzinho…
Gustavo ajoelhou diante dela, sério, intenso.
— Eu prometo. Ninguém nunca mais vai machucar vocês. Nunca.
— Você… promete?
— Com a minha vida.
Ela o beijou. Um beijo de confiança, entrega e recomeço.
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Mais tarde, a mãe de Ellie entrou no quarto, emocionada ao ver a filha ali, de pé, viva.
— Minha princesa…
— Tô… bem…
— Eu sei — respondeu a mãe, chorando de alegria.
Mais tarde, os três estavam deitados juntos, um de cada lado de Ellie, assistindo a um filme leve.
Ali não havia medo. Não havia dor. Só amor, proteção… e a falsa calma antes da próxima batalha.