Eu sei de tudo.

1173 Words
Jean Há muito tempo, um ceifeiro foi designado a guiar a alma de uma jovem moça para reencarnação. Ele passou a acompanhá-la para todos os lados, eles passeavam, comiam, dormiam e se apaixonaram juntos. Anthony se viu em um mundo que não perderia a oportunidade de salvar Katherine, ele tentou de tudo e procurou diversas maneiras de salvar a sua amada, entretanto nada adiantou, os dias de Katherine chegaram ao fim e Anthony foi incapaz de deixá-la partir. Só restou uma chance, ele fez um trato com Alicia a divindade da criação. Katherine se curou do tumor e viveu a vida que sonhava, em troca Anthony deu a sua alma e virou cinzas. Ele não pôde viver o seu amor, não reencarnou e nem continuou como ceifador no mundo dos humanos. O mesmo foi apagado das memórias de Katherine, a jovem voltou a ser saudável e se apaixonou novamente por outro. Desde então, todos os ceifeiros foram obrigados a não se apaixonar por suas almas, caso contrário viraria cinzas como Anthony. Eu estou começando a gostar dela e evita-la é quase impossível, sei que vai acabar em breve, mas o que eu puder fazer para ajudar, eu irei fazer, nem que pra isso tenha que pagar um preço alto. - Se continuar, isso vai fugir a minhas mãos e a sua punição vai ser igual ao... - Eu não ligo, se virar cinzas for a solução para felicidade dela, eu virarei... - digo firme em meu lugar. - Cale a boca! - Alicia grita jogando o vaso de vidro com a rosa no chão. - Nunca mais repita isso! - Você está tentando me afastar dela e mostrar que é um erro, obrigado por isso, mas eu quero ver até aonde esse erro vai dar. - saio andando sem olhar pra trás. Camille Sánchez O que aconteceu? Ele estava aqui minutos atrás, mas o seu olhar se entristeceu e ele sumiu...Será que meu beijo foi ru.im? Não, isso é impossível, mas se pra ele foi um péssimo beijo? Ando de um lado para o outro na sala do mesmo pensativa, até notar uma escrivaninha com um porta-retratos, me aproximo e observo a moldura dourada e sofisticada, na verdade era o único item dourado naquela sala cinza e preta. Se aproximo da escrivaninha um poucos mais, vejo Jean e uma jovem adolescente de cabelo curto, ela sorria tranquilamente ao lado dele, enquanto o mesmo permanecia sério com os olhos frios e o terno preto de sempre. Ela?! Arregalo os meus olhos, ela está usando uma roupa de hospital, quem será essa menina? Seu antigo amor? Ou alguém que ele não conseguiu esquecer? Já que a foto está na sala chamando atenção, com certeza deve ser alguém importante. - Ela é a Alicia, divindade da criação. - olho pra trás escutando sua voz grossa, o mesmo estava sentado no sofá relaxado, com as pernas cruzadas encarando o livro ''Ser e Tempo''. - Aonde estava? Tem noção de como fiquei preocupada? Achei que...- digo cabisbaixa. - Que nunca mais iria me ver? - ele questiona com um sorriso sedutor. - Lamento, mas não vai se livrar de mim tão fácil. - Eu vou contar. - digo me sentando ao lado dele. - Vou contar pra Vanessa sobre a doença... - Não precisa, vamos arrumar um jeito, eu vou salvar você. - ele sorri tocando minha bochecha. - Como pode ser um espírito? Seu toque é quente. - sorrio sentindo sua mão grossa em meu rosto liso. - Ficou melosa, após um beijo? Tem razão de namorar caras ruins! - o mesmo sorri largo. - Comece as ofensas e eu te meto um soco bem na cara! - mostro o punho cerrado pra ele. - Acho melhor você sair da minha casa, volte pro seu quarto. - o moreno se afasta cabisbaixo. - Ah, eu estava brincando... - sorrio de leve. - Eu sei, mas toda essa conversa deixou-me esgotado! - ele se levanta e sai empurrando o meu corpo até a porta. - Tudo bem. - digo cabisbaixa. - Se cuide. - aceno. - Quem deve dizer isso sou eu. - ele responde me encarando. - Se cuide, Camille. Apenas aceno com a cabeça e saio do meu guarda-roupa, olho pra trás e ele continuava lendo o livro, fecho a porta e abro rapidamente, o cenário não havia mudado, fecho novamente e abro encarando o mesmo. - Não se preocupe, eu não vou sumir. - ele sorri. - Agora chega, está atrapalhando a minha leitura! - ele levantou o indicador e moveu pro lado esquerdo, fechando assim a porta do meu armário na minha cara. Seu filho de uma... Respiro fundo e me jogo na cama encarando o teto branco do meu quarto. Ele é o homem mais bonito e misterioso com quem saí, ás vezes ele é gentil e educado, mas num piscar de olhos ele se revela alguém frio que sofreu muito, será que Jean Davis foi uma pessoa ru.im no passado? Minha cabeça enche de pensamentos sobre ele, eu quero conhecê-lo, saber os seus medos e se amou alguém... Afinal ele sabe tudo sobre mim, meus hobbies, meu namoros, minha família e o maior medo que tenho. Fecho os olhos sobrecarregada daquele dia cansativo e cheio de acontecimentos. Me viro pro lado ainda de olhos fechados e ao abri-los sou surpreendida por um jardim imenso de rosas vermelhas e tulipas amarelas. - O quê? Isso é um sonho? - questiono olhando o campo devasto de flores, olho para o meu corpo e percebo que estava com uma calça jeans e um cropped branco, a mesma roupa que usava segundos atrás. - Sim, isso é um sonho. - uma voz fina e feminina é notada atrás de mim, viro o meu corpo e os meus olhos verdes caem sobre os olhos escuros da mesma. É ela, a garota da foto! O cabelo curto, os olhos pretos como uma jabuticaba e a mesma roupa de hospital. Ela estava com as mãos no bolso de sua calça branca e com um sorriso leve para mim. - Como fez isso? - questiono observando o jardim. - Você sabe quem eu sou, então não vou perder o pouco tempo que temos antes de você acordar pra me apresentar. - ela sorri de leve. - Alicia, a divindade da criação. - questiono e ela acena com a cabeça. - Eu criei você, Camille. - a mesma se aproxima ficando há quase 30 centímetros de mim. - Ao contrário de Jean que sabe o básico, ele não sabe o que você sente. - ela retira sua mão direita do bolso e aponta para si. - Já eu, sei tudo que pensa, gosta ou come, e também sei sobre as suas fraquezas. - Legal, você me criou. - respiro fundo. - Como você mesma disse, não vamos perder o pouco tempo que existe, o que você quer Alicia? - Eu quero te mostrar o verdadeiro Jean, e implorar para deixá-lo em paz. - ela sorri de lado com um olhar assustador.
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