- Não. - ele responde friamente, sem pensar duas vezes. - Os ceifadores não podem gostar da alma designada, o último que se apaixonou por um humano virou cinzas.
- O quê? - questiono.
- Ela tinha um tumor igual você. - ele respira fundo e fecha o livro. - O ceifador se chamava Anthony, ele tentou de tudo para salvá-la, no final só existia uma proposta, ele morreria para sempre no lugar dela. - Jean me encara com o maxilar trincado. - Ele escolheu salvar ela e tornou-se cinzas, não continuou a ser um ceifador e não pôde reencarnar, ele apenas deixou de existir e as suas cinzas voaram com o vento, ela se curou do câncer, mas suas memórias foram apagadas, acreditou que o ''milagre'' havia acontecido, mas, na verdade quem a salvou foi um homem, um fantasma que a amou até o seu último dia.
- Então, só pode me salvar se morrer para sempre no meu lugar. - digo abatida. - Sinto muito por insistir nisso e te chamar de egoísta. - me sento ao lado do mesmo que permanecia de pernas cruzadas.
- Gosto de você, Camille.
Como? Ele soltou isso do nada?!
- Mas não posso morrer no seu lugar, o meu gostar não é um sentimento enorme capaz de virar cinzas. - ele sorri largo.
- Minutos atrás disse ser bonito, como sabia que estava pensando em você? - pergunto.
- Eu leio mentes, menos das almas que guio para a reencarnação, então não sabia o que estava a pensar, apenas provoquei você. - ele sorri. - Pelo jeito o meu palpite estava correto.
- Você é tão convencido! - me levanto e caminho até a saída para voltar ao meu quarto.
- Eu vou te ajudar. - me viro encontrando os seus olhos.
Jean se levanta e caminha até mim com sua feição tensa.
- Vou achar uma maneira de salvar sua vida, eu prometo. - ele sorri.
O silêncio invadiu aquele lugar místico, eu não conseguia dizer nada, ele estava muito perto de mim, ao ponto de sentir o seu perfume amadeirado que o deixava atraente e conservado. Essa tensão s****l que anda percorrendo o meu corpo está me deixando louca e preocupada, se eu me apaixonasse por você, Jean? O nosso romance terminaria como um conto trágico? Seríamos Romeu e Julieta da época contemporânea...Um ótimo conto para Vanessa publicar em seus livros...
- Você pensa muito, Camille. - ele se aproxima ainda mais com um sorriso malicioso estampado em seu rosto limpo. - Deveria agir ao invés de pensar tanto.
Então num piscar de olhos, as nossas bocas se encontraram, ele agarrou minha cintura e puxou fazendo os nossos corpos se baterem, com a outra mão livre, Jean a levou até a minha bochecha e segurou com força. Nosso beijo foi intenso e estranho, é como se eu já houvesse beijado ele antes, o mesmo sabia me beijar da maneira que adoro! O primeiro beijo de um casal é embaraçoso e nada romântico como os filmes retratam. Mas Jean, você me beijou, foi incrível e maravilhoso, é como se eu estivesse nas nuvens entrelaçada em seus braços.
- O que você fez? - questiono de leve com a mão dele ainda em minha bochecha direita.
- Eu só tive vontade e beijei. - ele sorri ainda sem fôlego. - Você também queria isso, eu sei...
- Mas, é errado fazermos isso...
- Eu sei, por isso que é bom. - o moreno diz mordendo os lábios.
Desci os meus olhos para os lábios carnudos do ceifeiro, a boca rosada que mostrava os dentes brancos e loucos por prazer...
- Que se dane as divindades e o meu tumor! - me aproximo tocando suas bochechas com as minhas mãos, seus olhos cor de mel, não largavam os meus. - Quero que você se apaixone por mim e me ame loucamente.
Avanço nos lábios do mesmo sem pensar duas vezes, tomei sua boca para mim mostrando a ele que estava afim de me arriscar, se ele ficasse ao meu lado eu não me importaria com mais nada, estou confiando em você Jean, não me decepcione. Depois do nosso segundo beijo ele se afastou e seu rosto estava entristecido.
- O que foi? - pergunto.
Ele abriu a boca para explicar, mas num piscar de olhos Jean não estava mais ali, o moreno havia sumido.
Alicia
''Se apaixonar loucamente.'' devemos ter cuidado a dizer isso! Uma flor precisa de cuidados, mas quando exageramos, ela exigirá mais e mais até se matar. Afinal, tudo que é bom e prazeroso, nos faz m*l. Quando algo bagunça o sistema, significa que foi projetado e programado incorretamente, se está errado deve ser excluído ou reiniciado.
- O dia está lindo hoje. - sorrio regando a rosa que ganhei, ela permanecia viva e com um brilho atraente.
- O que vai fazer com eles? - Lara questiona ao meu lado.
- Eu o tirei de lá, essa garota vai acabar matando ele.
- A famosa alma 5000... - ela solta uma risada. - Nunca pensei que Jean Davis, o ceifador mais egoísta e introvertido de todo universo, estaria apaixonado por uma humana...
- Você sabe como tudo termina, Lara. - respiro fundo. - Isso tem se repetido por tanto tempo.
- Por quê não pune ele? Já chega dele fazer isso!
- Ele é meu filho como todos os humanos, não vou destruir ele, então reiniciar é um aviso. - sorrio encarando a porta que ia ser aberta pelo mesmo.
- O quê você fez? - ele questiona furioso abrindo a porta até o canto.
- Eu não fiz nada, foi você que fez o suficiente. - sorrio de leve. - Apagarei as memórias da Camille, outro ceifador guiará a alma dela, estou te deixando ir, estou dando a oportunidade de você reencarnar como um humano.
- O quê? - ele questiona boquiaberto. - Estou livre?
- Sim, desde que esqueça ela, chega de sofrer, Jean. - Lara diz rapidamente.
- Não... você não vai apagar a memória dela! - o ceifeiro aponta o dedo pra mim.
- Estou tentando evitar que tudo piore, Jean. - me aproximo tocando o ombro do mesmo. - Se continuar, isso vai fugir das minhas mãos, sua punição será alta igual ao ponto... - abaixo a cabeça e imagino o pior.
- Eu não ligo. - encaro os seus olhos com as mãos trêmulas. - Se virar cinzas for a única solução para a felicidade dela, eu virarei. - ele diz convicto de sua decisão.