Você pode?

1092 Words
Jean Davis É a primeira vez nesta vida de ceifador, que escuto "vamos morar juntos". Um filósofo famoso disse "um casal que flutua por tanto tempo, faz com que eles se esqueçam do que é importante. Para desabrochar, uma flor também precisa sentir o vento e enfrentar a chuva. ⁠Eu não me importo se este lugar é uma prisão ou uma cerca para mim, desde que esteja com você.'' Eu gostei de ti, Camille, é uma mulher gentil e está sempre pensando nos outros, mas odeio o fato de você conseguir enxergar dentro de mim, odeio como sorri abertamente para um mundo envenenado pelo caos e cercado pôr pessoas cruéis e egoístas. - Morar juntos? - questiono. - Está se molhando! - ela se aproxima com o guarda-chuva aberto. - Posso mudar pra sua casa ou alugar um apartamento pequeno para nós dois. - ela sorri. - Por quê não posso morar na sua casa? - questiono com um sorriso irônico. - Bom, se quiser… o que importa é que estejamos próximos um do outro, como disse é o ''meu'' ceifador, preciso de você ao meu lado. - Ótimo, vou morar com você. - sorrio. Seria divertido brincar com ela um pouco... Me aproximo um pouco mais e puxo a cintura da mesma. Ela arregala os olhos para mim. - Já que vamos morar juntos, deveríamos dormir juntos? Ou quem sabe nos divertir um pouco todas às noites? - Nos divertir? - ela questiona se entregando à vergonha. - Claro, afinal sou uma criatura mística não preciso de camisinha. - me aproximo do ouvido da mesma e sussurro com um sorriso malicioso. - Vou fazer você subir pelas paredes, Sánchez. - Como? Quê? Podem fazer isso com as suas almas? - ela se afasta e as bochechas coradas ficam nítidas. - Não, mas abro uma exceção... - Chega, vamos pra casa! Camille segura o meu braço com o guarda-chuva e sai me puxando pela rua até a casa da mesma. Camille Sánchez Caminhamos juntos até o prédio em silêncio, ao entrarmos nele, Jean fechou o guarda-chuva e saiu andando até o elevador e apertou o botão 3 para o terceiro andar, isso foi estranho é como se ele conhecesse o prédio, como se já estivesse aqui antes. - Jean. - digo cabisbaixa. - Como sabe que moro no terceiro andar? - questiono com um sorriso. - Ah...você já mencionou isso. - Não, nunca falei que morava no terceiro andar. - Eu sou um ceifeiro, sei de tudo, inclusive que falta menos de 96 dias para você morrer. - ele sorri de leve e a porta do elevador é aberta. - Às vezes tenho vontade de socar você. - digo saindo do elevador e abrindo a porta de madeira do apartamento. Quando entro no apartamento os olhos de Vanessa passam pelos meus e pousam nos dele. - Quem é esse? - ela se levanta da sua poltrona retirando os óculos de grau. - Ele é... Droga! Eu não pensei numa mentira boa. - Sou o namorado dela muito prazer, me chamo Jean Davis e você deve ser a Vanessa. - ele sorri largo apertando a mão da mesma. - Merci de prendre bien soin d'elle. (Obrigado por cuidar bem dela.) Até parece que ele é assim! Ele odeia sorri pra mim, mas para Vanessa ele sorri toda a hora...Falso! - Você é lindo, Jean. - ela sorri. - Parabéns, Mille! Parece que conheceu alguém que preste...- ela se aproxima do ouvido de Jean e diz em voz baixa. - Ela só namora cafajestes, tem um imã que atrai homens ruins. - Eu sei disso. - eles gargalham. - Conheci um ex dela, ele era horrível por dentro e por fora, tem sorte de ter me encontrado. - ele sorri encarando o meu rosto. - Bom, já que se conheceram...- seguro firme a manga da camisa dele e saio puxando para dentro do meu quarto. Fecho a porta com força e me viro encarando ele com raiva. - Adorei a sua amiga. - ele sorri de leve observando o quarto. - A mesma decoração... - O quê? - questiono. - Ah!... mesma decoração, se um mendigo tivesse um quarto, com certeza seria igual ao seu. - ele sorri debochando. - Idi.ota! - respiro fundo. - O quarto é pequeno, então você vai dormir no chão. - Você tem uma cama de casal, depois eu que sou o egoísta da história?! - ele coloca às mãos na cintura. - Não se preocupe, eu não durmo, não como e não choro. - Mas sorri muito pra Vanessa. - digo revirando os olhos. - Está com ciúmes? Pensa que somos namorados de verdade? - ele gargalha. - Você não faz o meu tipo. - retruco me jogando na cama. - O que vou fazer? Aceitar a minha morte? - Lá vem você com esse assunto. - ele revira os olhos se aproximando de uma das portas do meu guarda-roupa. - Acho que aqui vai servir... - Servir? Pra quê? - Para acessar a minha casa, vamos morar juntos, esqueceu? - ele abre a porta e me deparo com um cômodo enorme dentro do meu guarda-roupa. - O quê? - me levanto e fico a observar o lugar, enquanto Jean entra sem medo. Ele pode fazer isso? O mesmo acessou a casa pelo meu armário! Entro logo em seguida e observo o local, a casa ele era enorme, na sala existia um sofá grande e preto, o piso era de mármore cinza e as paredes eram azul escuro, tinha uma janela imensa no centro da sala aonde se via constelações, saio andando pelo local e reparo que todos os cômodos são da mesma cor com quadros rústicos e sem graças. O quarto dele tinha uma cama king forrada com lençol preto e uma colcha cinza como o piso. - Essa é a sua casa? - questiono voltando para sala. O Jean estava sentado no sofá preto com o livro nas mãos, a cabeça dele estava abaixada, apontada para a coxa dele aonde apoiava o livro, sua franja estava sob os seus olhos. Por um momento, tudo parou, eu nunca havia reparado tanto no seu rosto, Jean Davis era lindo, sexy e másculo... Tenho medo de me apaixonar por ele, muito medo! - Eu sei que sou bonito, mas evite me encarar tanto assim. - ele sorri com os olhos vidrados ao livro. - Pode se apaixonar por alguém? - questiono e ele me encara assustado com a minha pergunta. - Você pode se apaixonar por mim, Jean?
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