O dia do nosso casamento

3609 Words
PONTO DE VISTA DE Bárbara COLLINS Minhas mãos tremem, todo o meu corpo treme, mas não consigo esconder meu sorriso enquanto coloco meus brincos o mais rápido possível. São de diamantes e ele me presenteou no dia em que me pediu para ser sua namorada oficialmente, depois de dois meses de flerte. São pequenos diamantes em forma de rosa e ele me fez prometer que, no dia em que nos casássemos, eu os usaria. E aqui estou eu, colocando o segundo brinco sem conseguir controlar os nervos no meu sistema. O dia chegou, finalmente nos casaremos e não consigo conter a emoção que se instala no meu peito e no meu estômago. Depois de quatro anos de namoro e dois anos de noivado, finalmente nos casaremos como planejamos. O momento chegou, ele terminou a faculdade há um ano e desde então assumiu o controle da empresa de seu pai, sob sua direção, e eu tenho poucos meses para terminar a minha graduação. Foi assim que planejamos quando ficamos noivos. Estudamos cursos diferentes, em universidades diferentes, mas desde que nos conhecemos em um bar da cidade, Cedric e eu temos sido inseparáveis. Apesar das diferenças sociais, conseguimos levar nosso relacionamento adiante e, mesmo que eu não tenha o mesmo nível econômico que ele, nem um sobrenome importante ou uma grande herança, ele me deu meu lugar, me tornou a mulher mais importante da sua vida e hoje isso ficará claro novamente no altar. — Babi, você poderia parar de hiperventilar, por favor? Você está me deixando nervosa! — Pede minha melhor amiga. — Sinto muito! — Solto uma gargalhada e decido sentar sem me importar em amassar meu vestido — Estou realmente muito nervosa, Caroline. Sinto um nó no estômago e juro por Deus que quero vomitar. — Minha menina, você vai se casar... — Comenta minha mãe, pedindo que eu levante os pés para me ajudar com os saltos — Eu também estava tão emocionada quanto você, e também muito nervosa, e também vomitei, então, se você quiser fazer isso, apenas tente não estragar sua maquiagem, por favor... — Não, Sra. Collins! É melhor que não vomite porque vai arruinar a minha obra de arte — Retruca Carol — Apenas respire, certo? Você vai se casar com o amor da sua vida, com o homem que conquistou o seu coração naquele bar quando você estava bêbada. O príncipe encantado que não se importou em ir contra a sua família elitista, desafiar seus pais e até renunciar aos seus milhões por você — Ela canta de forma melodramática, me fazendo rir — Você não tem motivos para estar nervosa, amiga. Você deve estar feliz por ter superado cada obstáculo e, em uma hora será a Sra. Reed, esposa do CEO milionário mais jovem da cidade de Nova York. Você será a mulher mais invejada de toda a sociedade, as manchetes estarão cheias com as fotos do seu casamento e todos falarão do “conto de fadas mais romântico deste ano”, em que uma jovem do campo conseguiu conquistar o príncipe da cidade. Baixo os pés ao ter os saltos apertados e me levanto. — Você é uma i****a — Jogo a almofada da minha cama para ela — Vir do Tennessee não me torna uma camponesa, Caroline. Ela explode em gargalhadas e se aproxima de mim me dando um abraço. Sempre brincamos com essa premissa quando falamos sobre meu relacionamento com seu primo, e eu sempre digo que ela é uma i****a, mas nós nos amamos. Somos melhores amigas desde que nos conhecemos e temos sido tão inseparáveis quanto eu fui com Cedric. Ela foi o único m****o dos Reed que me recebeu com doçura, que me defendeu mais de uma vez e que até entrou em conflito com a minha sogra por minha causa. Claro, isso foi anos atrás, quando éramos mais jovens, mas ao longo dos anos eles não tiveram escolha a não ser me aceitar na família e, depois de resolvermos essas diferenças, eles passaram a me amar. Por tudo o que passamos no início do nosso namoro, Caroline não perde a oportunidade de brincar com isso, até mesmo hoje, no dia do casamento. — Uma i****a que te ama como a irmã que nunca tive... — Ela faz biquinho me arrancando um leve sorriso — Tudo vai dar certo, Babi, você vai ver. Meu primo e você vão se casar, vão para a casa dos seus sonhos e você vai deixar esse apartamento para eu vir ter meus encontros sexuais sem que meus pais saibam. — Caroline! Jesus! — Exclama minha mãe indignada lhe dando um tapa — Às vezes me pergunto como é que, sendo tão refinada, você é tão rebelde, garota. — Sra. Collins, isso acontece quando você é enviada para um internato desde criança e depois é solta na grande cidade no auge da adolescência universitária. É impossível não ser uma rebelde procurando novas experiências de vida que me façam amadurecer. — Se o compromisso fracassado que você teve não fez isso, não acredito que qualquer outra coisa fará. — Mamãe! — Abro bem os olhos por sua imprudência — Aquele homem era um i****a que só queria que Caroline fosse a mulher bonita ao seu lado, que não dissesse uma palavra sequer e minha linda empresária é muito mais que isso. Pisco para minha melhor amiga. — Além disso, ele transava horrivelmente, senhora Collins, então, próximo... Ela faz uma cara de nojo que me arranca uma grande gargalhada. Minha mãe grita o nome de Jesus mais uma vez e balança a cabeça para o lado para acomodar meu cabelo pela quinta vez. Caroline vai até o espelho e continua se arrumando para sairmos do meu apartamento e irmos para a igreja. Olho para a minha sala enquanto minha mãe continua me arrumando e penso em todas as belas memórias que Cedric e eu vivemos aqui desde que decidimos morar juntos. Estávamos no segundo ano da faculdade, ele me convidou para um passeio como todas as tardes. Eu aceitei com prazer, nos encontramos no parque que fica na esquina e fiquei feliz ao ser recebida com um buquê de rosas vermelhas. Quando nos conhecemos naquele bar, eu estava muito bêbada e tinha acabado de terminar com meu primeiro namorado. Não parei de chorar porque tínhamos completado um mês de namoro e eu tinha me arrumado lindamente, maravilhosamente, para o nosso encontro, e o i****a me levou para um McDonald's e nem sequer me levou rosas. Ainda rimos juntos do meu choro, mas naquela noite, ele, com toda a sua intensidade, me prometeu que quando eu fosse sua namorada, jamais faltariam rosas em cada encontro, e essa promessa se mantém até hoje. Claro que ri muito ao ouvi-lo dizer isso, porque m*l tinha acabado de conhecê-lo e ele já estava me fazendo promessas, mas ao longo dos meses, nos encontramos novamente no mesmo bar e, a partir dessa noite, nunca mais nos separamos, e exatamente como prometido, em cada encontro ele chegava com um buquê de rosas vermelhas, e aquele dia não foi exceção. PONTO DE VISTA DE Bárbara COLLINS Nos encontramos naquele parque, ele me entregou minhas rosas e me convidou para caminhar um pouco porque tinha uma surpresa para mim. Caminhamos até chegarmos neste imenso apartamento com vista para o Central Park. Naquele dia, ele me pediu para morarmos juntos, e eu, como uma jovem apaixonada, concordei. Cada canto deste lugar foi batizado por nós dois, assim como cada espaço está decorado com fotos de nós dois. Todas as nossas aventuras estão registradas em cada foto pendurada na parede, em cada passeio, Ação de Graças, Natal, verão, inverno e aniversários, tiramos fotos que ambos assinamos no verso com as datas e alguma palavra que defina aquela aventura. Neste apartamento está a nossa história, contada por meio de fotos, e não consigo evitar de sentir um pouco de nostalgia porque teremos que deixá-lo ao voltarmos da nossa lua de mel. Cedric comprou uma mansão imensa, com a qual eu não estava muito convencida no começo, mas quando ele me deixou decorá-la eu a amei, onde viveremos e começaremos a criar novas memórias com novas fotos. Estas ficarão aqui, porque decidimos deixar tudo como está por um motivo; no dia em que um de nós estiver bravo o suficiente com o outro a ponto de querer dar um passo atrás, prometemos que voltaremos a este apartamento cheio de nossa história para pensar nas coisas com calma e tomar uma decisão sensata, não baseada nas emoções. Por isso, deixar tudo me traz nostalgia, mas então lembro que nosso novo lar será preenchido com novas fotografias, com memórias de uma nova vida juntos. — Você está linda, minha Babi — Minha mãe diz pegando minhas mãos — Seu pai estaria muito feliz por você... Contenho a vontade de chorar e imediatamente a abraço. Meu pai, Ricardo Ortega, perdeu a vida em um acidente durante sua viagem para o México. Naquela tarde, no aeroporto, quando nos despedimos dele, foi a última vez que o vimos com vida. Devido ao seu trabalho como fornecedor, ele tinha que fazer muitas viagens para o México ao longo do ano. Ele estava muito animado porque veria meus avós, meus tios e seus amigos nessa viagem, mas naquele dia, um caminhão de carga pesada perdeu o controle, tirando a vida de muitas pessoas inocentes, incluindo a do meu pai. Minha mãe sofreu muito com a perda dele e faz apenas um ano que está começando a sair do casulo depois de mais de três anos de luto. Por isso, Caroline a chama pelo seu nome de solteira, porque ela sente que se a chamarmos pelo sobrenome do meu pai, trará de volta antigas lembranças, as quais nós duas sabemos que machucam. Paro de abraçá-la e olho em seus olhos. Aqueles lindos olhos verdes com os quais fui abençoada, e até mesmo o loiro do seu cabelo e a brancura da sua pele. Ela me contou uma vez que meus avós pensaram que eu nasceria com as características do meu pai, mas aparentemente o sangue da minha mãe foi mais forte. Parece que só herdei do meu pai o amor por tacos. Nem mesmo pareço ser meio mexicana e a única maneira de provar isso é mostrando minha identificação. Foi assim que Cedric acreditou em mim. — Lá do céu, ele está feliz por nós duas — Eu digo e ela assente com as lágrimas prestes a cair — Feliz em ver sua única filha se casando de branco como ele tanto desejava, e feliz em ver o amor da sua vida sorrindo para a vida novamente. — Estou tentando. — Você conseguirá, Ricardo Ortega e eu, Bárbara Collins Ortega, confiamos em você. Nós nos abraçamos novamente sem dizer mais nada. — Não gosto de ser sempre quem interrompe os momentos mais sensíveis, mas já devemos ir — Caroline nos informa — A limusine está nos esperando lá embaixo, Babi. — Sim, sim, vamos — Minha mãe se apressa em dizer — Vamos, minha menina, temos uma caminhada nupcial para fazer. Ela me entrega meu buquê de rosas em minhas mãos, Caroline me borrifa perfume pela décima quinta vez e, como três mulheres desesperadas, saímos pela porta do meu apartamento. Pego as chaves, tranco a porta e as entrego para a minha mãe, que as guarda em sua pequena bolsa de mão e, com os nervos e a emoção à flor da pele, caminhamos até o elevador para irmos à igreja. […] — Meu Deus, quero vomitar! — Me queixo, movendo minhas mãos. Estamos dentro da limusine, bem em frente à igreja, e os meus nervos estão no seu máximo. Meu corpo treme e a ansiedade está no topo. — Vamos lá, Babi, deixe-me ligar para o Cedric, sim? Sinto que você vai ter um ataque cardíaco, amiga! — Prometi a ele que não entraria em crise — Digo nervosa — Ele vai se preocupar comigo e é capaz de vir aqui me buscar ele mesmo, Caroline… — Você não vai entrar em crise e é normal estar nervosa. Dentro desta capela está toda a família dele, e você só está com a sua mãe, então é normal se sentir assim, mas fique tranquila, todos já te conhecem, esqueceu? — Mas nem todos me amam. — Mas meus tios sim, e meus pais também, então relaxe, por favor… Já estamos aqui dentro há mais de quinze minutos! Vão pensar que a noiva se arrependeu, aliás, a maioria iria comemorar, mas e o Cedric? Dou-lhe um olhar fulminante. — Às vezes sua sinceridade é bem pesada, Caroline. Ela encolhe os ombros e digita o número em sua tela para depois colocar no alto-falante. — Posso ser pesada, mas sou leal e você sabe disso — Ela pisca para mim e eu n**o com a cabeça. Um, dois, três toques de chamada são ouvidos e então ouço sua linda e sexy voz. — O que está acontecendo com a Babi, Carol? — Ele pergunta sem rodeios. Tomo o celular da minha amiga. — Quero vomitar, estou nervosa para sair e quero chorar, mas ao mesmo tempo rir, Cedric… — Desabafo tudo sem parar. Ouço sua risada masculina e o suspiro que ele solta. — Babi, você não vai me deixar plantado aqui, né? — Ele pergunta, rindo baixo — Todos estão me olhando, eu vesti um terno absurdamente elegante, mesmo sabendo que não gosto de usá-los, e para piorar, o padre está me olhando com pena… — Ele ri novamente — Me diga que você vai vir ao altar por mim, por favor. — Nunca te deixaria plantado. — Então mexa seu traseiro até aqui, magrela, por favor — Ele ordena, mas está longe de estar irritado — Além disso, essa vontade de vomitar é por ser desobediente. Eu disse para você não comer aqueles tacos com carne de porco que tanto gosta, mas você não me deu ouvidos. Reviro os olhos. — Tacos, Cedric, eram tacos. — Caroline, se você está me ouvindo, vá comprar fraldas para adultos — Ele sussurra — Talvez a Babi precise delas porque comeu pelo menos seis daqueles tacos no café da manhã. — Cedric! Você está me fazendo sentir pior... Novamente, a risada se faz presente. — Babi, minha magrela, meu amor… venha se casar comigo, por favor. Se você não sair dessa limusine, eu mesmo vou te tirar daí, pode acreditar, estou esperando há vários minutos em pé te olhando e já estou impaciente. PONTO DE VISTA DE Bárbara COLLINS Abro minha boca, ofegante, e viro para a capela e, de fato, meu amado Cedric está de pé nas escadas com o celular no ouvido, mostrando um grande sorriso. Ele parece tão lindo, tão belo com aquele terno preto feito sob medida, mesmo que deteste usar esses trajes, algo que sua mãe não suporta. Ele acena com a mão e me ameaça dizendo que vai vir me buscar, mas Caroline grita para ele não fazer isso, que daria azar, e depois da briga deles, decido interferir, porque Cedric é o homem menos tradicional que existe na terra, tanto que quando me pediu em casamento, foi com uma tatuagem, e foi só depois da minha reação que ele me deu o anel. Acredito que seu espírito livre o faz ser quem ele é, e eu, sendo o oposto, nos complementa muito bem. — Cedric, vá e me espere no altar — Eu ordeno, olhando para ele através do vidro espelhado — E é melhor você ter um grande sorriso. — Não só um grande sorriso, Babi, estarei te esperando com lágrimas nos olhos e uma rosa vermelha — Assinto, mesmo que ele não possa me ver, sentindo meus olhos arderem de vontade de chorar — Estarei te esperando, Babi. É melhor não me deixar plantado, porque vou te perseguir e te obrigar a dizer sim. Solto uma grande gargalhada prometendo a ele que em dez minutos estarei na sua frente. Desligo a chamada, vendo-o fazer o mesmo e entrando novamente na capela com um grande sorriso nos lábios. Respiro fundo, bem fundo, e solto o ar lentamente. Caroline e minha mãe me olham com expectativa enquanto aproveito meus cinco segundos de ioga, e quando mostro um grande sorriso nos lábios, as duas aplaudem emocionadas. — Vamos embora. Tenho um “sim, aceito” para dizer diante do altar. [...] Tudo acontece tão rápido, que não percebo a magnitude de tudo até me encontrar no meio da marcha nupcial, caminhando com a minha mãe segurando meu braço. A capela está lotada de pessoas que, nos meus anos de namoro com Cedric, não consegui conhecer nem a metade. Conheci apenas o núcleo familiar interno e algumas pessoas do seu círculo, o restante da família e os amigos convidados, não faço ideia de quem são, mas eles sabem quem eu sou. Continuo sorrindo, decido ignorar todos os olhares sobre mim e foco em olhar para o altar. Justo no final do tapete vermelho, ele está me esperando com um grande sorriso nos lábios. Ele disfarçadamente limpa as lágrimas dos olhos, tentando manter a compostura. Seu padrinho de casamento, o irmão de Caroline, bate em suas costas, fazendo-o sorrir ainda mais. Respiro fundo, tento não chorar, mas quando chegamos diante dele e minha mãe me entrega ao meu futuro marido, as lágrimas rolam livremente pelas minhas bochechas. Cedric pega minha mão, dá um beijo na parte de cima dela e começa a levantar o véu do meu rosto. — Você está mais linda do que imaginei — Ele diz — Muito mais linda. — O terno fica sexy em você — Sussurro, arrancando um sorriso breve dele — E eu não te deixei plantado. — Obrigado por me poupar da vergonha, Babi. Ele pisca para mim, me derretendo por completo, e quando o padre chama nossa atenção para começar a cerimônia, meu coração começa a bater forte por tudo o que estou sentindo neste momento.  [...] — Eu, Cedric Reed, recebo você, Bárbara Collins, minha Babi... como minha esposa, para te amar e te respeitar até que a velhice não me permita mais. Prometo estar ao seu lado na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, nos bons e nos maus momentos. Prometo continuar te dando rosas vermelhas em nossos encontros, prometo continuar tirando fotos com você em cada uma de nossas aventuras e prometo continuar te comprando aqueles tacos de porco que tanto gosta... — Rio enquanto lágrimas rolam pelas minhas bochechas — Prometo nunca te deixar sozinha, e prometo que, ao completarmos cinquenta anos de casados, te trarei a esta mesma capela, se ela ainda existir, e se o padre ainda estiver vivo, claro, para renovarmos nossos votos de amor. Todos riem do seu senso de humor tão quebrado, e mesmo eu, também rindo, não consigo parar de chorar, porque o homem que sempre amei está colocando o anel dourado no meu dedo trêmulo. Ele se inclina e me dá um beijo, arrancando um suspiro da noiva embriagada de amor. — Por meio do poder que a igreja me concedeu, declaro-os marido e mulher diante de Deus e de todos os presentes. Pode beijar a noiva novamente, Sr. Reed. Dou uma grande gargalhada, que é abafada por ele através de um beijo intenso, que me leva ao céu. Esqueço de todos ao meu redor e me agarro aos lábios de Cedric como se fosse o último beijo das nossas vidas. Ele me segura pela cintura, e conforme o beijo se intensifica, ele me inclina para trás como nos filmes românticos típicos. Oficialmente, sou a Sra. Reed, oficialmente somos marido e mulher e oficialmente começaremos a viver uma nova vida juntos a partir de hoje. — Pronta para conhecer o mundo comigo? — Ele pergunta perto dos meus lábios. Assinto freneticamente. Ambos decidimos por acordo mútuo viajar depois da cerimônia em vez de fazer uma imensa festa. Desta vez, concordei com a não tradicionalidade dele, já que tudo o que conheci na minha existência foi o México e a cidade da minha mãe, onde nasci e vivi até o ensino médio, Tennessee. De resto, sou uma alma livre que deseja conhecer o mundo com ele e ver com os meus próprios olhos esses lugares maravilhosos dos quais ele tanto me falou. — Mais do que pronta — Digo, parando de beijá-lo — Vamos sair daqui, Sr. Reed. — Com prazer, Sra. Reed. [...] O impacto é direto, o carro capota. Grito aterrorizada, sentindo os braços de Cedric tentarem me segurar, mas é impossível. Meu corpo bate com força, ouço a explosão dos vidros, o som dos metais quebrando, e quando tudo finalmente para, a contusão em minha cabeça é tão grande que não consigo enxergar claramente. — Cedric — Murmuro entre gemidos — Cedric! Eu fecho meus olhos, em seguida os abro, e mesmo com o cinto me segurando, viro como posso para olhá-lo e grito. Ele está com a cabeça contra o volante, completamente coberto de sangue. Com as mãos trêmulas, cortadas, desaperto o cinto e me aproximo dele. Choro, grito para que ele acorde, mas ele não acorda. — Cedric, meu amor, por favor acorde, acorde, por favor! — Com a saia do meu vestido de noiva, eu o limpo, tentando estancar o sangramento em sua cabeça, mas é impossível — Cedric, por favor! Não me deixe, não me deixe, meu amor! Acorde! — Grito. O ar me falta, sinto que não consigo respirar e quando tento sair do carro para rodeá-lo e ajudá-lo a sair, uma vertigem me atinge tão forte que caio desamparada no chão, sem minha visão, sem forças, sem poder continuar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD