Promessas sujas e alianças quebradas.
Victor entrou no apartamento empurrando o corpo de Estela já quase nu. Terminou de arrancar a roupa dela, deixando pelo caminho.
Aporta foi fechada pelo calcanhar com um clic seco.
Victor a levantou, Estela cruzou as pernas envolta da cintura dele.
Victor baixou as calças e encaixou nela rápido. Os gemidos tomou o quarto.
— Me fala que vai casar, mas eu vou continuar sendo sua. Fala que não vai f0der ela assim. Fala. Ela sussurrava gemendo.
— Jamais vou abandonar essa bucet4 gostosa.
— Isso, fala de novo, vai, b4te mais forte.
Victor batia com força, corpos se chocando, gemidos, beijos, mordidas.
— Vai g0za minha delícia, vai, mostra que essa bucet4 é só minha.
— Isso meu gostoso, estou gozand0. Estela gemeu g0zando.
— Recebe minha p0rra delícia, eu vou… aaaaaaaĥ caralh0! G0zando dentro de você, p0rra!
Victor a colocou no chão e já começou a se vestir.
Estela caminhou com as pernas trêmulas, e se cobriu com o lençol e se sentou na cama.
Victor nunca misturava pr4zer com estratégia.
Era o que ele dizia a si mesmo.
Era mentira.
O apartamento de Estela ficava num prédio discreto, desses que parecem invisíveis no meio da cidade. Nada luxuoso demais, nada pobre demais. Seguro. Anônim0. Perfeito para encontros que não deveriam existir. O lugar parecia respirar segredo. As luzes eram baixas, o silêncio espesso, e cada objeto ali parecia cúmplice de tudo o que acontecia entre aquelas paredes.
A porta ainda estava aberta quando Victor entrou no quarto, ajeitando a camisa às pressas. O ar carregava cheiro de perfume doce misturado com suor recente. Estela estava sentada na beirada da cama, enrolada no lençol, o cabelo caindo pelos ombros, os olhos atentos demais para alguém que acabara de sair de um momento íntimo.
O sex0 entre eles nunca era lento.
Era urgência.
Pressa.
Uma necessidade quase violenta de provar posse, poder, desejo, ou talvez apenas fuga. Não havia romance ali. Só intensidade e uma cumplicidade perigosa construída em silêncio. O tipo de encontro que não criava laço, mas criava dependência.
Victor fechou o botão da manga e a observou.
— Você devia tomar cuidado, disse ele. Se alguém te vê entrando aqui…
Estela sorriu de canto.
— Você se preocupa demais com o que pode acontecer… e pouco com o que já tá acontecendo.
Ela se levantou, o lençol escorregando o suficiente para provocar, mas não para exibir. Caminhou até ele com passos lentos, estudados.
— Você vai se casar, disse, como quem comenta o clima.
Victor travou o maxilar.
— Isso é política.
— Claro que é, respondeu ela. Tudo que envolve você é política.
Ela encostou os dedos no peito dele.
— Mas você ainda volta aqui.
Victor segurou o pulso dela, não com violência, mas com firmeza.
— Porque você é útil.
O sorriso dela não desapareceu.
— Útil… repetiu. Engraçado como homens poderosos sempre chamam de utilidade aquilo que não conseguem largar.
Victor soltou a mão dela.
— Não confunda as coisas.
— Eu nunca confundo, disse Estela, voltando para a cama. Quem confunde é você.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Não havia carinho entre eles. Só tensã0 e acordo implícito. Dois cúmplices que sabiam exatamente o que estavam fazendo, e o preço disso.
Victor pegou o paletó.
— Eu tenho que ir.
— Pra casa dela?, Estela perguntou, sem olhar.
Ele não respondeu.
E não precisava.
Victor saiu sem se despedir.
O trajeto até o apartamento de Nádia foi curto, mas suficiente para reorganizar os pensamentos. Estela era distração. Nádia era parceria. Luana… era obstáculo. Cada mulher ocupava um espaço diferente na estratégia dele, e ele gostava de pensar que mantinha tudo sob controle.
Quando Nádia abriu a porta, ele percebeu imediatamente que algo estava errado. O olhar dela era afiado demais, como lâmina pronta para cortar.
— Demorou, disse ela.
Victor entrou.
— Tive assuntos pra resolver.
— Imagino.
A porta se fechou com um clique seco.
— A reunião foi… interessante, Nádia continuou.
Victor tirou o paletó.
— Luana aceitou.
— Sim, Nádia cruzou os braços. E você não vai acreditar no motivo.
Ele a encarou.
— Fala.
— Ela sabe.
Victor ficou imóvel.
— Sabe o quê?
— Da traição. Do jogo. De tudo, Nádia deu um passo à frente. Ela falou que o casamento é só o começo da queda. Que quando cair… cai tudo de uma vez.
O silêncio se espalhou entre eles como pólvora.
Victor soltou um riso curto.
— Ela tá blefando.
— Você conhece Luana, Nádia respondeu. Ela não blefa.
Victor caminhou até a janela, pensando rápido demais. A cidade lá fora parecia indiferente à guerra silenciosa que se armava.
— Então é isso, murmurou. Ela quer provocar a implosão… controlando onde começa.
— Exatamente.
Nádia se aproximou.
— E mesmo assim você aceitou casar.
Victor virou para ela.
— Claro que aceitei.
— Por quê?, Nádia perguntou, a voz firme.
Victor não hesitou.
— Poder.
A palavra saiu limpa.
— Luana é a estabilidade que minha família nunca conseguiu manter. O nome dela abre portas que o meu sobrenome não abre mais. Quando ela cair… quem você acha que vai estar na linha de frente?
Nádia sustentou o olhar dele.
— Você.
— Nós, corrigiu ele.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, avaliando se aquela promessa era aliança ou conveniência.
— E se ela estiver três passos à frente?
Victor sorriu.
— Então a gente dá quatro.
Nádia soltou o ar devagar.
— Você é ambicioso demais.
— Ambição constrói impérios, respondeu ele.
— E destrói homens.
Victor encostou a testa na dela.
— Só os fracos.
O ar entre eles era carregado de intenção. Não havia romance. Só acordo, desejo e uma fome compartilhada por poder. Eles não se amavam. Eles se escolhiam por utilidade, por vantagem, por sobrevivência.
— Então estamos juntos nisso, Nádia disse.
— Sempre estivemos.
Mas ambos sabiam que “juntos” era uma palavra frágil naquele mundo. Lealdade ali durava enquanto fosse útil.
Victor se afastou primeiro.
— Luana acha que controla o tabuleiro.
— E controla, Nádia respondeu.
Ele sorriu.
— Por enquanto.
O silêncio final não era de paz. Era de guerra adiada.
Do outro lado da cidade, uma rainha já movia peças que eles nem sabiam que existiam.
E enquanto Victor e Nádia celebravam uma vantagem que acreditavam ter, estavam apenas caminhando exatamente para onde Luana queria.
O jogo já estava em andamento.
E ninguém ali era inocente.