ENTRE LENÇÓIS E FACAS

1081 Words
Promessas sujas e alianças quebradas. Victor entrou no apartamento empurrando o corpo de Estela já quase nu. Terminou de arrancar a roupa dela, deixando pelo caminho. Aporta foi fechada pelo calcanhar com um clic seco. Victor a levantou, Estela cruzou as pernas envolta da cintura dele. Victor baixou as calças e encaixou nela rápido. Os gemidos tomou o quarto. — Me fala que vai casar, mas eu vou continuar sendo sua. Fala que não vai f0der ela assim. Fala. Ela sussurrava gemendo. — Jamais vou abandonar essa bucet4 gostosa. — Isso, fala de novo, vai, b4te mais forte. Victor batia com força, corpos se chocando, gemidos, beijos, mordidas. — Vai g0za minha delícia, vai, mostra que essa bucet4 é só minha. — Isso meu gostoso, estou gozand0. Estela gemeu g0zando. — Recebe minha p0rra delícia, eu vou… aaaaaaaĥ caralh0! G0zando dentro de você, p0rra! Victor a colocou no chão e já começou a se vestir. Estela caminhou com as pernas trêmulas, e se cobriu com o lençol e se sentou na cama. Victor nunca misturava pr4zer com estratégia. Era o que ele dizia a si mesmo. Era mentira. O apartamento de Estela ficava num prédio discreto, desses que parecem invisíveis no meio da cidade. Nada luxuoso demais, nada pobre demais. Seguro. Anônim0. Perfeito para encontros que não deveriam existir. O lugar parecia respirar segredo. As luzes eram baixas, o silêncio espesso, e cada objeto ali parecia cúmplice de tudo o que acontecia entre aquelas paredes. A porta ainda estava aberta quando Victor entrou no quarto, ajeitando a camisa às pressas. O ar carregava cheiro de perfume doce misturado com suor recente. Estela estava sentada na beirada da cama, enrolada no lençol, o cabelo caindo pelos ombros, os olhos atentos demais para alguém que acabara de sair de um momento íntimo. O sex0 entre eles nunca era lento. Era urgência. Pressa. Uma necessidade quase violenta de provar posse, poder, desejo, ou talvez apenas fuga. Não havia romance ali. Só intensidade e uma cumplicidade perigosa construída em silêncio. O tipo de encontro que não criava laço, mas criava dependência. Victor fechou o botão da manga e a observou. — Você devia tomar cuidado, disse ele. Se alguém te vê entrando aqui… Estela sorriu de canto. — Você se preocupa demais com o que pode acontecer… e pouco com o que já tá acontecendo. Ela se levantou, o lençol escorregando o suficiente para provocar, mas não para exibir. Caminhou até ele com passos lentos, estudados. — Você vai se casar, disse, como quem comenta o clima. Victor travou o maxilar. — Isso é política. — Claro que é, respondeu ela. Tudo que envolve você é política. Ela encostou os dedos no peito dele. — Mas você ainda volta aqui. Victor segurou o pulso dela, não com violência, mas com firmeza. — Porque você é útil. O sorriso dela não desapareceu. — Útil… repetiu. Engraçado como homens poderosos sempre chamam de utilidade aquilo que não conseguem largar. Victor soltou a mão dela. — Não confunda as coisas. — Eu nunca confundo, disse Estela, voltando para a cama. Quem confunde é você. O silêncio que se seguiu foi pesado. Não havia carinho entre eles. Só tensã0 e acordo implícito. Dois cúmplices que sabiam exatamente o que estavam fazendo, e o preço disso. Victor pegou o paletó. — Eu tenho que ir. — Pra casa dela?, Estela perguntou, sem olhar. Ele não respondeu. E não precisava. Victor saiu sem se despedir. O trajeto até o apartamento de Nádia foi curto, mas suficiente para reorganizar os pensamentos. Estela era distração. Nádia era parceria. Luana… era obstáculo. Cada mulher ocupava um espaço diferente na estratégia dele, e ele gostava de pensar que mantinha tudo sob controle. Quando Nádia abriu a porta, ele percebeu imediatamente que algo estava errado. O olhar dela era afiado demais, como lâmina pronta para cortar. — Demorou, disse ela. Victor entrou. — Tive assuntos pra resolver. — Imagino. A porta se fechou com um clique seco. — A reunião foi… interessante, Nádia continuou. Victor tirou o paletó. — Luana aceitou. — Sim, Nádia cruzou os braços. E você não vai acreditar no motivo. Ele a encarou. — Fala. — Ela sabe. Victor ficou imóvel. — Sabe o quê? — Da traição. Do jogo. De tudo, Nádia deu um passo à frente. Ela falou que o casamento é só o começo da queda. Que quando cair… cai tudo de uma vez. O silêncio se espalhou entre eles como pólvora. Victor soltou um riso curto. — Ela tá blefando. — Você conhece Luana, Nádia respondeu. Ela não blefa. Victor caminhou até a janela, pensando rápido demais. A cidade lá fora parecia indiferente à guerra silenciosa que se armava. — Então é isso, murmurou. Ela quer provocar a implosão… controlando onde começa. — Exatamente. Nádia se aproximou. — E mesmo assim você aceitou casar. Victor virou para ela. — Claro que aceitei. — Por quê?, Nádia perguntou, a voz firme. Victor não hesitou. — Poder. A palavra saiu limpa. — Luana é a estabilidade que minha família nunca conseguiu manter. O nome dela abre portas que o meu sobrenome não abre mais. Quando ela cair… quem você acha que vai estar na linha de frente? Nádia sustentou o olhar dele. — Você. — Nós, corrigiu ele. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, avaliando se aquela promessa era aliança ou conveniência. — E se ela estiver três passos à frente? Victor sorriu. — Então a gente dá quatro. Nádia soltou o ar devagar. — Você é ambicioso demais. — Ambição constrói impérios, respondeu ele. — E destrói homens. Victor encostou a testa na dela. — Só os fracos. O ar entre eles era carregado de intenção. Não havia romance. Só acordo, desejo e uma fome compartilhada por poder. Eles não se amavam. Eles se escolhiam por utilidade, por vantagem, por sobrevivência. — Então estamos juntos nisso, Nádia disse. — Sempre estivemos. Mas ambos sabiam que “juntos” era uma palavra frágil naquele mundo. Lealdade ali durava enquanto fosse útil. Victor se afastou primeiro. — Luana acha que controla o tabuleiro. — E controla, Nádia respondeu. Ele sorriu. — Por enquanto. O silêncio final não era de paz. Era de guerra adiada. Do outro lado da cidade, uma rainha já movia peças que eles nem sabiam que existiam. E enquanto Victor e Nádia celebravam uma vantagem que acreditavam ter, estavam apenas caminhando exatamente para onde Luana queria. O jogo já estava em andamento. E ninguém ali era inocente.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD