Dia cheio 2

1874 Words
Anny On Quando cheguei à empresa naquela manhã, depois de mandar mensagem para Ji, como sempre fazia nos dias em que eles teriam longos ensaios, me surpreendi ao saber que ele já estava lá, esperando pelos meninos antes mesmo das nove horas. Subi para a sala de reuniões de Senji quando ele me ligou. No elevador, fiquei pensando nas palavras de Ji-hoon sobre querer falar comigo. Meu estômago revirou um pouco, já pressentindo o teor daquela conversa: os nomes. Eu não entendia por que ele implicava tanto com isso; não era como se eu o diferenciasse de outros humanos no planeta. Pelo contrário, eu os via como pessoas normais, embora fossem mundialmente conhecidos. Certo, isso era ridículo. Ji era meu chefe, democrático até demais, e eu não queria ultrapassar essa barreira, mesmo ele me tratando tão bem. Saí do elevador e bati à porta, ouvindo a voz de Senji me mandando entrar. — Com licença. — Ahh, ainda bem que chegou, Anny! — Senji exclamou ao me ver, sorrindo. Entrei e fechei a porta, aproximando-me da sua mesa. Senji era um homem de 45 anos, com 1,82m de altura, cabelos castanhos escuros beirando o preto e olhos no mesmo tom. Seu porte físico era invejável, até para rapazes na casa dos 20 anos, realçando sua beleza. Além disso, era simpático, educado e atencioso. — Sente-se, por favor. — Ele apontou para uma das cadeiras em frente à mesa de madeira rústica. — Queria me ver? — perguntei, acomodando-me com a agenda sobre o colo. — Sim, eu estava revisando todo o contrato do show de amanhã, os preparativos e outros detalhes. Como você é assistente do Ji-hoon, preciso repassar algumas coisas. — Claro, só preciso avisá-lo que cheguei. Vou até a sala de prática e já volto. — Ok! Quando voltar, começaremos. — Ele disse, teclando no notebook. Saí da sala e peguei o elevador até o andar onde sabia que os meninos estavam. O som da música “Sexy Mouth” ecoava pelo corredor. Espiei pelo vidro da porta e os vi ensaiando a coreografia com sincronia perfeita. Os passos leves, mas sensuais, deixariam qualquer fã no meu lugar suando, quase tendo um troço. Os meninos eram lindos e charmosos, cada um à sua maneira. No entanto, eu achava que estava ficando louca ao imaginar que, algumas vezes, tinha flagrado Wohon me olhando de forma estranha, como se enxergasse além das minhas roupas. Fechei a jaqueta involuntariamente com esse pensamento. A música parou, e quando eu ia entrar, Ji-hoon gritou: — MAIS UMA VEZ! Sob os resmungos de Jung e Soobin, a música recomeçou. Decidi desistir e resolvi mandar uma mensagem de texto para ele. Subi novamente para a sala de Senji enquanto digitava a mensagem. — Anny! Ainda bem que te encontrei. — Uma staff me abordou assim que saí do elevador, já me puxando pelo braço. — O que houve, Ju-nee? — Senji disse que você poderia me ajudar com essas planilhas. São tantas coisas que preciso despachar nesses baús que estou quase enlouquecendo. — Ela disse, nervosa, enquanto revisava itens que iam desde escovas de cabelo e maquiagem. Muita maquiagem. Seria um dia longo. [...] Sala de Senji 14h31 — Meu Deus, nem acredito que terminamos essa parte! — Senji se esticou, bocejando, depois de repassarmos todo o repertório artístico de cada música que seria apresentada no show. — A “Pretty Girl” será totalmente ao vivo ou apenas a a******a, com o playback de Namjoon e Wohon no break dance? — perguntei. — Bem, nunca tinha pensado nisso antes. — Senji disse, mordendo a tampa da caneta. — Isso vai facilitar a dança e poupar fôlego para “Me Love Crazy”. — Ele olhou para além da grande varanda de vidro de sua sala, que dava para a avenida logo abaixo. — Você é um gênio! Sorri, digitando no notebook, enquanto ele sorria para mim. Após horas de trabalho, Senji disse que pediria refeições para os meninos e para nós, para comermos ali mesmo e terminarmos o processo do show de amanhã. Eu nunca imaginei que isso daria tanto trabalho. Era uma responsabilidade e tanto. Ao fim do dia, estava exausta. Já passava das quatro da tarde. Após repassarmos tudo, anotei o essencial na agenda, pronta para repassar para Ji-hoon. "OH MEU DEUS! JI-HOON!" Minha mente entrou em alerta. Peguei o celular e percebi que a mensagem que eu havia escrito não tinha sido enviada. No LINE, vi o rodapé com a pergunta: "Deseja enviar a mensagem?" — Oh não! — exclamei, colocando uma mão na testa. — O que houve? — Senji perguntou, guardando algumas coisas na bolsa. — Esqueci de enviar uma mensagem importante para o senhor Kim. Tenho que ir. — Levantei-me, pegando minha agenda. — Muito obrigado por hoje, Anny. — De nada, senhor Wang. — Respondi já saindo. No corredor, apressei o passo até o elevador, apertando o botão desesperadamente. Entrei e apertei para descer. Tentei ligar para Ji-hoon, mas a chamada não completava. Resolvi enviar a mensagem, que foi entregue, mas não lida. Mordi o lábio, sabendo o quão chateado Ji iria ficar. "Que vacilo!" Procurei Ji em todas as salas do andar de prática e descanso. Nada. O celular ainda mostrava que ele não tinha visto a mensagem. — Oi, Anny! — A voz de Jung atrás de mim me assustou quando saí de uma das salas. — Ai, que susto! — Desculpa! — Ele riu. — Não queria assustar você. Jung estava com suas habituais roupas largas, boné, fones de ouvido e celular na mão. Ele tinha um sorriso meigo, um olhar carinhoso e um jeito de garoto doce, que contrastava com suas tatuagens de badboy. — Não foi nada, eu quem estou distraída. — Percebi. Nem ouvi quando te chamei no outro corredor. — Ele riu. — Está procurando Ji-hoon? — Sim! Você o viu? — Ele disse que foi ao camarim pegar algumas coisas. — Disse, enquanto olhava para todo o meu rosto de um jeito um tanto... estranho. Parecia querer encontrar algo, mas eu não sabia o quê. — Ok. Muito obrigada, Jung. — Agradeci. — A gente se vê! — Ele gritou no corredor quando me virei, apressada. [...] Camarim de Ji-hoon Cheguei em frente à porta e minha coragem minguou quando levantei a mão para bater. Ji-hoon não era o tipo de pessoa, muito menos chefe, que gritava com os outros. Ele certamente não faria isso comigo, mas... eu havia literalmente esquecido do meu chefe. Era inevitável não falar com ele. Eu tinha obrigações e deveres como sua assistente, além daquela tão temida conversa que ele insistia em ter. Ele viajaria de manhã e só o veria novamente em três dias. Então bati duas vezes. — Entre! — A voz grave de Ji me fez contrair o estômago; soava quase irritada. — Com licença... — Abri a porta devagar, entrando e fechando-a atrás de mim. Ele me olhou por cima do ombro antes de voltar a organizar algumas coisas na bancada e colocá-las em uma mochila preta. — Ora, se não é a minha secretária particular sumida. — Ele disse, dessa vez sem me olhar. — Mas eu não estava sumida, estava no andar de reuniões com o Senji, repassando a agenda do show. — Respondi o óbvio. Ele parou o que estava fazendo, se virou e me olhou. Encostou-se à mesa, cruzando as mãos atrás do corpo. — Ironia, Anne? — Sua voz carregava uma certa chateação. "Ele está com raiva?" Seu olhar severo me analisava de cima a baixo, me deixando tensa. Nunca havia recebido esse tipo de olhar dele antes, e me sentia desconfortavelmente tímida. Instintivamente, encolhi os ombros, enfiei as mãos nos bolsos da calça e olhei para os meus pés, que batiam levemente um no outro, denunciando meu nervosismo. — Ah... — Ajustei meus óculos com a mão, tentando disfarçar. Quando o encarei por cima da armação, ele pareceu ainda mais irritado. Ji torceu levemente a boca antes de falar: — Anne, eu sou o seu chefe, certo? — Ele indagou, e seu tom me deixou confusa. Eu não entendia por que ele estava falando daquela maneira. "O que eu fiz de tão errado assim?" Sem saber o que dizer, apenas balancei a cabeça afirmativamente. — Então, não fui claro o bastante quando disse que, assim que chegasse, era para me procurar? — O tom de voz direcionado a mim me deixou estática. Ele estava claramente irritado. — Sim... é que eu não quis atrapalhar seu ensaio. — Murmurei, quase sem voz. — Mesmo assim, você sabia que eu queria falar com você. Aliás, ainda quero, e você me fez esperar o dia inteiro. Agora estou aqui fazendo o seu trabalho. — Ele cruzou os braços, sua expressão ainda fechada. — Desculpe... isso não vai mais se repetir. — Respondi, envergonhada, desviando novamente o olhar. — Bem... — Ele suspirou. — Tá, tudo bem. — Quando o olhei, vi que passava a mão pelo rosto, parecendo tentar se acalmar. — Você pode, por favor, terminar de guardar essas coisas para mim? Preciso ir ao banheiro, volto já. — Ele disse, apontando para a mochila. — Sim. — Concordei, observando-o sair. Fui até a bancada e terminei de guardar as coisas que ele havia separado, enquanto pensava na situação estranha que acabara de acontecer. Era só uma mensagem que esqueci de enviar, e ele agiu assim? Mas, claro, eu estava errada. Ele era meu chefe, e eu precisava manter profissionalismo. Depois de pouco mais de meia hora, Ji-hoon retornou. Seu semblante era surpreendentemente diferente, mais leve e relaxado. — Ah... acabei, Kim. — Informei quando ele entrou. — Ótimo! Agora vamos. — Deseja algo mais? — Perguntei. — Sim! Vamos até minha casa. Ao ouvir aquilo, meu coração disparou, meu estômago revirou e senti o rosto esquentar. Eu nunca tinha ido à casa de Ji, aliás, nunca fui à casa de homem nenhum. "Espera... Por que estou levando isso para um lado tão pervertido? SE CONCENTRA, MALUCA!" — Casa? Por quê? — Tentei parecer profissional, mas minha voz soou desesperada demais. — Anne, eu não terminei de arrumar minha mala e ainda quero conversar com você. Então, vamos até minha casa. — Ele disse, checando o celular e guardando-o no bolso da calça. — Mas, senhor, eu... — Tentei argumentar. Ele arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, me encarando. Suspirei, derrotada. Desobedecer meu chefe pela terceira vez em dois dias? Não seria sensato. — Claro, Ji. — Respondi, por fim, forçando um sorriso de lado. — Assim está melhor. — Ele disse, jogando a mochila no ombro direito. — Agora vamos. Ainda preciso pedir para o motorista deixá-la em casa para que arrume sua mala. — Minha mala? — Perguntei, parando atrás dele. — Sim, você irá comigo a Tóquio amanhã. — Ele respondeu, de forma simples. "EU EM TÓQUIO?!" — A Tóquio? Para o seu show? — Fiz a pergunta mais óbvia possível. — Sim, preciso e quero que você vá. — Ok... — Respondi, incerta, enquanto meu rosto queimava de vergonha. "Maldito Ji-hoon e sua beleza paralisante!" — Agora vamos. — Ele disse, abrindo a porta e fazendo um gesto para que eu passasse à frente.
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