Morte
Sentei na cadeira do meu escritório, passei as mãos pelos cabelos e respirei fundo.
O morro do Vidigal sempre foi tudo que eu tive, dou minha vida por essa comunidade, e quando acontece algo com morador, me sinto culpado.
Faz uma semana que um menor novinho foi baleado, poucas pessoas ficaram sabendo, pedi para ninguém explanar, mais a mente do traficante aqui, ficou a milhão.
As coisas não estão indo bem, tá faltando drogas e armamentos, só os vapores de confiança ta por dentro dessas paradas.
Sou uma pessoa temida ou admirada na comunidade, o certo é certo e o errado vai ser cobrado.
[...]
Já era hora de almoço, o Felipe ta fazendo um churrasco na casa dele, para poder distrair um pouco, aquele ali é irmão.
Peguei minha moto e pilotei até a casa dele, o som já podia ser ouvido da esquina, estacionei, e desci.
Tinha muita gente, e isso era algo que eu odiava, mesmo sabendo que era morador, as vezes chegava gente diferente, e bandido não pode confiar em ninguém.
Passei o olho no local, e encontrei os manos tudo em uma rodinha de truco, puxei uma cadeira e fiquei ali mesmo.
Val: Pensei que ela não ia descer. - Falou com o Felipe, e os dois olharam para uma direção.
Felipe: Deixa a menina. - O Jeferson já se levantou e foi para um canto.
Nem prestei muita atenção, não sou desses.
Algumas putas vieram dançar para o nosso lado, tocava samba, mais a música foi trocado e botaram um funk, as minas jogavam a b***a quase na minha cara.
Logo avistei a Jaqueline, aquela ali era fixa, eu não sou muito de sair, mas tenho meus divertimentos.
Jaque: Oi bebê. - Veio e já sentou no meu colo.
- Tu sabe que essa i********e a gente não tem. - Tirei ela dali, e a mesma se sentou do meu lado.
Jaque: Podíamos dar uma volta ne. - Sorriu maliciosa, apenas balancei a cabeça, e me levantei.
A garota veio junto, dei com a mão para os parças, e fui caminhando para fora, mas alguém tromba em mim, segurei a menina que quase foi de cara no chão.
- Não olha por onde anda não ? - Continuei segurando a mina, e encarei aqueles olhos, deu até um arrepio estranho.
Xxx: Pode me soltar ? - Soltei ela, que virou as costas e entrou para dentro da casa.
Jaque: Quem era a biscate amor? - Segura no meu braço.
- Cala a boca Jaqueline. Só vamos. - Tirei a mão dela, e fui até minha moto.
(Victoria)
Depois de ter quase caído de cara no chão, e o fortão tatuado ter me segurado, fui direto para o meu quarto e ali fiquei até a festa acabar.
Acordei do meu pequeno cochilo que mais pareceu um sono pesado, olhei me sacada e já estava de noite. Tomei um banho e desci para comer.
Não tinha mais ninguém em casa, só um bilhete avisando que eles haviam saido. Procurei alguma coisa e não achei nada que me agradasse, então fui fazer um brigadeiro.
[...]
Acordei no outro dia já era quase dez horas, fui no banheiro fiz minha higiene, e arrumei meu quarto.
- VALLL - Gritei minha irmã.
Val: Que é? - Apareceu com a cabeça na porta.
- Vamos comigo em algum salão ? - Olhei para a mesma que não escondeu o sorriso.
Val: Claro - Olhou as horas no relógio de pulso - Vai querer ir agora ou depois do almoço ?
- Depois do almoço, acho que vou pintar o cabelo. - Na mesma hora ela entrou no quarto.
Val: Porque ? - Ela se sentou na cama.
- A sei lá, quero mudar um pouco, você sabe que meu cabelo não é ruivo mesmo. - Dei de ombros.
Val: Ok então, mais que cor ? - Ela me olhou.
- Acho que loiro - Peguei meu celular e mostrei algumas fotos de alguns cabelos que eu havia visto.
Ficamos conversando até dar a hora de começar a fazer o almoço, desci com ela e ajudei.
Acho que foi a primeira vez nas nossas vidas que nos tratamos como irmãs. Terminei de fazer o suco de maracujá, e fui por a mesa.
- O Felipe vai demorar ? - Sentei na cadeira e olhei para ela que terminava de tempeirar a salada.
Val: Acho que ele nem vem para comer, o morro anda com alguns problemas. - Senti na voz dela um desconforto.
- Assim - Não quis entrar no assunto, até porque não é da minha conta.
Almoçamos em silêncio, mas logo ele é preenchido por vozes vindo da sala.
LL: Eai toquinho - Bateu na minha cabeça e eu mostrei o dedo para Ele, o mesmo deu risada - Oi amor - Deu um beijo na testa da Val.
Xxx: Nem apresenta LL - Só agora reparei que havia mais dois homens ali.
Val: Tira o olho D menor - Falou com um deles.
LL: Esse dragão ai é irmã da Val - Todos deram risada menos eu.
- Vai te lascar Felipe - Olhei para a Val - Vou meter um tapa na cara do seu marido - Olhei para os outros - Satisfação, Victoria.
Xxx: Breno, mas pode me chamar de fumaça, e esse aqui é o D menor - Apontou para o outro.
Terminei de almoçar, e deixei eles conversarem sobre armas e drogas, a Val se levantou comigo, para irmos se arrumar.
Fui tomar um banho, e coloquei uma lingerie de rendinha, uma saia branca e um cropped branco tbm.
Desci e a minha irmã já estava me esperando. Caminhamos para fora da casa, e decidimos ir a pé mesmo.
Val: O salão do morro que eu mais confio é o da Maria, todas as meninas vão lá - Apenas concordei.
Era bastante vielas que a gente tinha que passar, e uma delas paramos na frente da boca, eu já havia passado ali, e no começo não entendia, mas a Val me explicou, e pediu para mim não passar sozinha ali, pois além de ficar os traficantes, fica alguns drogados.
Val: Vou pedir dinheiro para o LL, você fica ai - Ela entrou, e os olhares foram direcionados à mim.
Já tinha se passado alguns minutos e nada dela aparecer, o sol estava de rachar, caminhei até onde alguns homens estavam sentados.
- Posso sentar aqui ? - Eles me olharam e concordaram.
Fiquei ali conversando com eles, e até ajudei a contar droga, vê se pode, mas levo jeito, se nada der certo na minha vida, já sei oque virar.
Olhei no celular as horas e nada da donzela aparecer, já estava ficando p**a com isso.
Xxx: Oque a madame ta fazendo aqui ? - Ouvi uma voz grossa, e ela não me era estranha, olhei para o lado e encontrei uma parede de músculos tatuados me olhando.
- Tá vendo não ? - Balancei uns saquinhos de drogas.
Xxx: Tá ficando louca mina ? - Se aproximou e tirou os saquinhos da minha mão. - Quem deixou ? - Olhou para os meninos.
Zé: Foi m*l ai patrão, a mina só Ta esperando a irmã dela. - Ummm então ele é o patrão, nada m*l.
Patrão gostosão: E quem é a irmã dela ? - Na mesma hora minha irmã sai com o LL.
Val: Então já se conheceram - Veio até mim - Oque você tá fazendo aí ?
- Ai meu Deus, só estava ajudando os meninos, já que você não voltava. - Me levantei.
LL: Olha a Vic, contadora de pó - Dei dedo para ele.
- Vamos logo Valéria, antes que você fique viúva - Passei pela parede de músculos que ficou me olhando - E tchau meninos, foi um prazer conhecer vocês, já passei meu número, depois marcamos uma janta - Dei risada e os meninos tam bem.
A Valéria veio comigo, e voltamos nosso caminho para o salão, ela ficou tagarelando no meu ouvido sobre o tal Morte.
O cara é uma perdição não n**o, cada vez que vou conhecendo esses bandidos, meus pensamentos vão mudando.