____ Junico narrando ...
Eu me chamo Marcos Santos, mais conhecido pelo meu vulgo Junico mestiço, e eu sou o dono do morro do Vidigal.
Eu lutei muito para chegar à onde eu estou hoje, eu tive que superar os meus próprios medos, os meus traumas, as minhas frustrações, os meus momentos de !ras e também de ra!vas.
Eu tive que guardar o meu ód!o muito bem escondido dentro de mim, para não mostrar para os meus verdadeiros inimigos que estavam ali tão perto de mim que eu os od!ava e que eu os considerava como tal.
Depois de presenciar a queda do meu padrinho e também a sua morte a sangue frio, eu tive que me alto superar, me alto amadurecer, naquela época eu só tinha oito anos de idade, e ver o meu padrinho sendo massacrado daquela forma foi a pior visão que eu já tive na minha vida, eu prometi pra ele e para mim mesmo que um dia eu iria vingá-lo e eu cumpri!
Estudei todas as táticas e estratégias dos meus inimigos de perto, me infiltrei no meio deles, até que acabei me tornando o sub do dono do morro do Vidigal, o atual dono o mesmo que havia matado o meu padrinho a sangue frio naquela tarde sombria e aterrorizante, a tarde que até hoje não saí da minha mente.
Eu acabei me tornando o melhor entre todos os outros, até conquistar a confiança do dono do morro, e nos tornamos tão amigos que ele nem se quer sabia que quem realmente estava ao seu lado era o seu pior inimigo!
E em uma das longas madrugadas de operações da Bope na favela, eu mesmo aproveitei a minha oportunidade, a oportunidade que eu havia esperado a anos, e finalmente eu cortei, sim, eu cortei a cabeça dele da mesma forma que ele cortou a do meu padrinho dentro daquele carro da PM.
E depois disso eu acabei assumindo o cargo de dono do morro do Vidigal, fazendo com que todos os outros se curvassem a mim.
Eu já estava cansado de tantas maudades com os moradores, eles cobravam tudo para pais de famílias que não tinham nem o que comer direito dentro de suas casas, mautratavam os idosos, não davam oportunidades para as crianças fazer um esporte, estudar ou ser alguém de bem na vida, o que eles queriam para o futuro dessas crianças era apenas uma coisa, é que eles fizessem parte do tráfico, colocavam nas cabeças dos menor que eles eram crias da favela e que tinham o dever de dar continuidade e que o dinheiro era fácil, vida fácil, mulheres fáceis, por um lado eles tem razão em muitas coisas, mais não na vida dos menor, enfim, e sem contar que a falta de respeito era grande, principalmente com as mulheres dos outros, elas poderiam ser casadas mais se um deles a desejassem elas teriam que ser deles se não eles a matavam ou matavam o marido!
Eu estava cansado de presenciar tudo aquilo calado, sem poder falar nada, fingir que concordava e ainda achava graça, mais por dentro eu ficava cada vez mais com ód!o e o pior de tudo é que nunca tinha ninguém que intervia ou fazia nada, o governo não estava nem aí, os políticos só apareciam para pedir votos e logo depois que se candidatavam metiam o pé, nós da comunidade só prestamos para isso!
Para trabalhar para esse governo ladrão, ou para colocar eles no poder!
Antes as drogas aqui no morro eram liberadas para cima e para baixo, quem quisesse comprar ou fumar fazia isso em qualquer lugar, mas depois que eu tomei o poder eu proibi.
Não que eu não venda, eu não sou hipócrita em falar isso, pois o que movimenta o nosso lucro é isso.
O que tem de gente rica e poderosa vindo comprar ou mandando vir comprar drogas com a gente não dá nem para fazer uma lista, faltaria até papel no mundo.
E eles ainda acham que lutam contra isso, mas é por debaixo dos panos que tudo acontece, pois são eles mesmos que compactuam com a criminalidade, pois é através de nós que eles ficam cada vez mais ricos.
Hoje eu tenho vinte e cinco anos, eu moro com a minha irmã Priscila, os meus pais já faleceram.
A minha mãe morreu de bala perdida subindo o morro quando do nada começou uma operação e a pegou de surpresa, e ela não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo antes mesmo de chegar até o hospital.
E o meu pai faleceu logo depois de uma parada cardíaca, ambos nunca me apoiaram com a minha vingança, mais eu não queria enxergar nada, eu estava “cego”, eu só queria cumprir com o que eu havia prometido naquele dia obscuro para o meu padrinho.
Hoje eu moro na última casa do morro, por fora ela parece ser bem simples , mais por dentro eu quis deixar parecendo um palácio, principalmente por que eu tive que cuidar da minha irmã mais nova, então agora ela só tinha somente a mim e mais ninguém.
A Priscila tem vinte e dois anos de idade, ela sempre quer sair e fazer faculdade, mas eu não deixo, eu tenho tanto medo de perdê-la também.
Eu fico com medo dos meus inimigos se aproveitarem dela e fazer mau a ela para se aproveitar da situação e conseguirem chegar até mim.
[...]
Hoje eu tive que descer para o asfalto, droga!
Eu não gosto de me expor, mais dessa vez foi necessário, eu tive que ir para cobrar ao infeliz do Gonzales, e como o assunto já rendia eu vi que somente eu mesmo teria que fazer a cobrança!
Por que já tem dois anos que esse infeliz me deve e só fica nos enrolando, ele está me fazendo de otár!o isso sim!
Então eu vou mostrar a ele quem é o otár!o!!! (penso boladão, trocando de roupa para descer para o !nferno do asfalto)
Por que na hora de me mandar mensagens para comprar drogas e mulheres para as suas casas noturnas clandestinas aquele executivo do !nferno sabe!
E depois a gente da favela é que somos mau vistos, mau sabem eles que esses bacanas que se acham os donos do mundo é que são os piores.
Vendendo mulheres e drogas em troca de dinheiro e mais poder!
Enquanto a gente aqui só pensa em sobreviver e manter o nosso mundo sobre controle e contra o sistema corrupto deles!
[...]
E finalmente chegamos na casa do Gonzales, e o infel!z tem uma bela de uma mansão com vários carros na garagem, e ainda diz que não tem dinheiro para me pagar!
Os meus vapores derrubaram brincando todos os seguranças da casa e colocaram todos eles nos fundos da casa, todas as empregadas ficaram amarradas e com as bocas amordaçadas e colocaram elas presas em um dos grandes quartos daquele lugar, agora era somente eu e esse infel!z, cara a cara!
Passamos a noite toda negociando, mas ele achou que eu estava de brincadeira, então eu perdi a minha paciência e mandei os meus vapores darem uma surra nele, o dia clareou e nada do infel!z se render e liberar logo a grana.
E quando eu já estava cansado de tudo isso, e já estava quase sacando a minha arma e estourando os miolos dele, entrou uma mulher lolca gritando desesperada na sala.
Pedindo para pararmos de fazer isso com o pai dela!
Conclusão que não tinha dinheiro nem de um lado e nem de outro, eu já estava cansado de tanto chororo, e de tantas lamentações, e quando eu soube pelo Gonzales que a filhinha dele era médica, foi aí que eu vi uma pequena oportunidade, já que não tem dinheiro, eu vou levá-la como moeda de Troca!
Ela será útil por enquanto, pois acabamos perdendo dois dos nossos homens por que eles foram baleados e não podíamos leva-los até o hospital, se não já era, ou era prisão ou era morte na certa, acabou que eles morreram por falta de médicos competentes naquela porcaria de UPA, que essa mer.da de governo disponibilizou para os mais necessitados.
Mas é claro, tudo para os pobres é resto do resto, pois nós não temos valor algum na sociedade Brasileira!!!
Só servimos para alimentar cada vez mais os bolsos deles com o nosso dinheiro público!
E então eu resolvi levar essa patricinha chata e mimada!
E que mulher irritante!
Mas eu não vou aturar ela por muito tempo não, não mesmo!
Eu dei ao Gonzales um mês, apenas um mês para ele me pagar se não eu mato a queridinha da filhinha dele, e eu terei o maior prazer em fazer isso, já que ela é um saco!
E finalmente subimos o morro, e nossa era como se eu estivesse chegando no paraíso, era como eu estivesse entrando dentro da minha própria casa.
Há como eu me sinto muito bem aqui. (eu penso)
Eu sou muito bem recebido por todos, e querido e od!ado por muitos também.
Chegamos em frente à minha casa e um dos meus vapores perguntou o que eu faria com a mercadoria, ou seja, a filhinha mimada do Gonzalez, então eu os mandei levarem ela direto para a minha casa.
E logo em seguida eu peguei a minha moto e parti descendo para a boca, para ver como andava o fluxo por lá, já que eu fiquei fora desde ontem.
Mais não me preocupo tanto, por que eu deixei no comando o meu sub, o meu parceiro TK.