Cap. 03 ✿ Que lugar é esse? ✿

1815 Words
Aline: - Você vai deixar ele ali, assim todo machucado e agonizando?! Ele precisa de ajuda, por favor pelo menos me deixa cuidar dele? Eu te suplico. (eu disse chorando, já soluçando ao ver o estado do meu pai) Junico: - Por mim que ele morra! (ele disse sem pensar duas vezes) ?: - Mais chefe se ele morrer, o senhor nunca que vai receber a tua grana. (um dos homens falou) E esse tal de Junico apenas olhou para ele de ra.bo de olho e disse... Junico: - Assim que saímos daqui, deixa passar uns cinco minutos e ligue para uma ambulância do celular desse otár!o, e depois você mete o pé de volta para o morro, sem dar bandeira, e há, vê se você não se esquece de limpar o aparelho e quebrar ele em alguma esquina antes de chegar próximo à favela, hein!!! (ele disse instruindo o homem a como fazer e a agir) Aline: - Vocês são bandidos? (perguntei incrédula e assustada) - Morro?! Favela?! (perguntei fazendo cara de nojo) E eles novamente começaram a rir do que eu falei e um deles disse... ?: - Hahaha... A patricinha do asfalto tá com nojinho de nós, hahaha... nós vai te mostrar o que é te nojo princesa. (ele disse já se aproximando do meu corpo) Aline: - O que você pensa que vai fazer?! Não ouse em tocar em mim! (eu disse já quase me desesperando e os outros começaram a rir do meu desespero) Junico: - Já chega! Eu já estou sem paciência, vamos embora, eu não estou mais a fim de brincadeirinhas e nem de joguinhos, esse otár!o do Gonzales me tirou toda a paciência desde ontem, eu estou cansadão já! (ele disse revirando os olhos e respirando fundo) ?: - É nós chefe! (todos responderam juntos a mesma coisa) ?: - Chefe tu deixa eu fica com ela pra mim? Eu to loco pra brinca com ela, hahaha... (um deles perguntou rindo, e eu me senti um objeto) Junico: - Deixa isso quieto fraldinha, eu ainda vou pensar o que eu vou fazer com a mercadoria! (ele disse se referindo a mim como uma mercadoria) Aline: - Eu não sou nenhum objeto está bem!!! (eu disse me metendo no meio da conversa deles) ?: - Eu já não ti dei o papo, já num disse pra tu cala a po.rra da tua boca tua p!ranha! Não se mete nu papo du chefe não!!! (e depois dele ser bastante grosseiro e rude em suas palavras, ele me deu um baita de um tapão no meu rosto, que eu senti gosto de sangue na mesma hora dentro da minha boca) Aline: - Aiiii... (eu abaixei a cabeça, sentindo o meu rosto queimar e arder ao mesmo tempo, e eu não podia colocar a mão para amenizar a dor, por que os meus dois braços ainda estavam sendo segurados por eles) ?: - Isso é pra tu aprende a respeita o chefe e mante essa mer.da da tua boca fechada! Ninguém mando tu fala nessa po.rra!!! (ele falou apontando a arma para mim e quase colocando a ponta da mesma dentro da minha boca) [...] Nós saímos de dentro da mansão e chegamos no jardim. Não demorou nem três segundos que chegamos ali e entrou um carro grande e todo preto com os vidros em fume. E parou na nossa frente, o tal do chefe deles foi o primeiro a entrar e quando eles estavam quase me jogando para dentro do carro eu avistei as minhas malas jogadas no quintal e eu disse... Aline: - As minhas coisas, por favor deixem eu pega-las, eu preciso delas. (eu disse já com medo de levar outro tapa no rosto) ?: - Pra onde tu vai tu não vai precisa dissu, bora entra! (e ele me jogou para dentro do carro e eu me perguntei mentalmente, meu Deus eles vão me matar?) Então na mesma hora eu entrei em desespero e disse... Aline: - Por favor senhor Junico, não me mate, por favor, eu faço o que o senhor quiser, eu te juro que eu vou pagar a dívida que o meu pai lhe deve, mas por favor eu não quero morrer. (eu disse chorando já soluçando e ele estava sentado bem no banco da frente do carro, no banco do passageiro e eu toquei no ombro dele, e sim, eu finalmente toquei nesse desgrassado e infel!z, mas agora eu não podia fazer nada com ele, por que dessa vez, eu estava suplicando pela minha própria vida) ?: - Tu tá de sacana.gem! Tu tá tocando no chefe por que tua vagabun.da?! Ele ti deu permissão! (ele puxou o meu cabelo e eu gritei de dor) Junico: - Já chega! Eu já disse que eu estou sem paciência!!! Peguem logo a mer.da das coisas dela e vamos logo meter o pé daqui!!! (ele disse em um tom de voz assustador) ?: - Tá certo chefe! (e o mesmo cara que puxou o meu cabelo, pegou as minhas malas e as colocou no porta-malas do carro) E entrou no carro além do motorista que já estava, o tal do “chefe”, eu e mais dois homens sentados no banco de trás comigo, me mantendo no meio para eu não fugir ou algo do tipo, eu acho. (eu pensei) O motorista deu partida no carro, cantando pneu e eu só consegui sentir as lágrimas caírem no meu rosto, sem que eu pudesse perceber. [...] Eu olhei um pouco para o lado na esperança de saber para onde é que eles estavam me levando e eu percebi que nós estávamos passamos por uma das tantas praias que tem aqui no Rio de Janeiro, eu só não conseguia me recordar qual eram elas. Faz oito anos que o meu pai me mandou para fora do Brasil, para que eu estudasse em um dos melhores colégios internos dos Estados Unidos, quando eu tinha apenas os meus quinze anos de idade e depois que eu concluí o ensino médio por lá, eu automaticamente fui transferida e aceita na universidade de Haward, para realizar o meu sonho de se transformar em uma renomada médica, a onde eu poderia ajudar a salvar várias vidas. Pois eu prometi a mim mesma, no dia do sepultamento da minha mãe, ajoelhada e com as minhas duas mãos em cima de sua lapide, eu prometi que eu seria uma grande médica e que eu seria a melhor! Assim eu poderia salvar a vida de muitas pessoas, já que eu não pude salvar a dela. (eu pensei e o meu coração partiu em mil pedaços, só por me recordar dessa fase tão difícil da minha vida) E enquanto eu estava aqui presa não só nesse carro, mais também em meus pensamentos, eu pude perceber que nós estávamos subindo uma rua extensa e íngreme. E na medida que o carro ia subindo nessa rua, esse tal de chefe abaixou o vidro do carro e eu pude perceber que as pessoas o cumprimentavam por onde o carro passava, como se ele fosse uma autoridade desse lugar. Era um lugar bastante estranho, com muitas pessoas passando de um lado para o outro, com bastante agitação e muito barulho, pessoas falando alto mesmo elas estando uma do lado da outra, casas mau feitas e apenas em tijolos, umas casas mau arquitetadas, uma em cima das outras. E enquanto o carro subia a rua fazendo várias curvas, eu conseguia perceber o quanto a vida humana era injusta, ou melhor dizendo, o quanto a sociedade era injusta. Tinham tantas pessoas, e algumas delas aparentavam uma expressão tão sofrida em seus rostos e no meio delas tinham tantas crianças. E elas estavam brincando no meio da rua, sem uma roupa decente, ou até sem nehum calçado nos pés. Eu também percebi que tinham várias lojas e todas pareciam ser clandestinas, elas vendiam de tudo quanto era produtos, e eu percebi que muitos deles eram de várias marcas famosas. E enquanto o carro ia subindo cada vez mais, passavam por nós vários motoqueiros subindo e descendo levando as pessoas e ambos estavam sem capacete, em uma velocidade assustadora. E eu pensei... ...Como eles podem andar assim com essa velocidade toda, com esse tanto de crianças brincando no meio da rua? E esses idosos? Subindo e descendo esse lugar íngreme, embaixo desse sol forte e escaldante. Sem contar que hoje estava muito calor e o sol do Rio de Janeiro estava castigando qualquer um que se expusessem a ele. (eu pensei) Me deu tanta pena de ver isso, eram coisas que eu nunca tinha visto antes, um mundo totalmente diferente do que eu imaginava. E eu fiquei perplexa ao ver tudo isso. Era como se eu fosse de outro planeta ou que eles fossem. (eu pensei) E de repente o carro finalmente parou, eu fiquei tão distraída com tudo o que eu estava vendo que eu nem se quer tinha percebido que nós tínhamos chegado em algum lugar. E quando eu olhei de um lado para o outro sentada ainda dentro do carro, eu percebi que eu estava em um lugar muito alto. E eu pensei... ...Aí meu Deus é agora que eles vão me matar e me jogar daqui de cima lá embaixo. Eu senti um frio na espinha e as minhas mãos começaram a suar frio, quando um deles disse... ?: - Chefe o que nós faz com ela? (ele saiu do carro enquanto falava) E esse tal de Junico também saiu do carro sem se quer responder à pergunta daquele homem e ele só fez um gesto com a cabeça e um deles puxou o meu braço me puxando para fora do carro e com a força que ele me puxou eu disse... Aline: - Aiiii... Isso dói! (eu falei alto e olhei para ele já franzindo a testa e fechando o meu semblante com raiva) ?: - Mermão já nu falei cutigo pra tu cala essa mer.da da tua boca! (ele disse praticamente gritando comigo e quando ele levantou a mão) E eu jurava que ele iria me bater de novo, esse tal de Junico disse... Junico: - Já chega Fraldinha! Na favela não po.rra! Você não está vendo os moradores?!!! (ele falou grosso com ele e ele abaixou a mão na mesma hora) ?: - Foi mau aí chefe. (ele disse igual um cachorrinho com o rab!nho entre as pernas) ?: - Chefe e o que tu vai faze com a mercadoria? (ele disse se referindo a mim) E me deu tanta raiva por ser tratada como um objeto sem valor algum. Mas eu precisava ficar calada, eu não queria apanhar de novo. E ele respondeu... Junico: - Levem ela para minha casa! (ele disse e saiu andando já subindo em cima de uma das motos que estavam ali paradas, ligando-a e dando partida indo para algum outro lugar)
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