Beatriz
Mais um dia de academia.
Lá estava eu, já de pé com a roupa da academia, o meu celular tocou. Percebeu que era um número desconhecido, meu corpo estremeceu, eu não me lembrava se era o mesmo de antes.
Uma parte de mim não queria atender, mas eu lembrei que a diretora de uma escola ficou de entrar em contato comigo, caso houvesse uma vaga pra mim. Então uma parte de mim pediu pra que fosse isso.
Ligação on
— Alô? — falei.
— Olá, Beatriz né? — uma voz feminina perguntou.
— Sim, sou eu mesma. — falei e soltei todo o ar que estava preso em meus pulmões.
— Que bom, sou eu a Margarida da escola, então, acontece que uma das professoras teve um probleminha pessoal e ela não poderá vir pra escola durante uma semana, eu queria saber se você poderia cobrir as faltas dele durante esse período e se as crianças gostarem de você, você ser efetivada. — Margarida disse.
— Claro, posso sim, seria pra hoje, tipo agora? — perguntei.
— Não, segunda feira, mas se você quiser e puder vir hoje conhecer as crianças e também pegar os materiais de ensino, seria muito bom. — ela disse.
— Ah claro, eu posso depois do almoço. — falei.
— Ótimo. Vou te esperar. — ela disse aparentemente empolgada.
— Ótimo. Obrigada por ter entrado em contato. — falei.
— Que isso, eu que agradeço por estar disponível. Tenha uma ótima manhã. — ela disse.
— Você também. — disse.
Ligação off
Coloquei o celular em cima da bancada e tive que fazer ridícula dança da vitória da Mariane, porque eu tinha que comemorar de alguma forma. Por falar em Mari, o interfone de casa tocou, olhei pelo olho mágico e lá estava as duas com roupas de academia e suas grandes garrafas de água que nunca chegam a metade.
Abri a porta com um enorme sorriso.
— Bom dia. — falei com um sorriso maior ainda.
— Pra quem em? — Gabi perguntou e se jogou no sofá.
Fechei a porta e caminhei até elas.
— Nossa quanto bom humor e vontade logo cedo. — falei e encostei no balcão.
— Eu não funciono de manhã, ainda mais depois que voltei para o Brasil, esse fuso ainda está me matando. — Gabi disse e cobriu o rosto com uma almofada.
— Que pena, estão tão pra baixo que eu acho que eu não deveria contar o que aconteceu poucos minutos antes de vocês chegarem. — falei.
Imediatamente as duas se endireitaram no sofá e ficaram atentas pra me ouvir, o que me fez cair na risada e negar com a cabaça.
— Eu já disse que vocês duas são péssimas? — perguntei rindo.
— Você diz isso quase todos os dias a mais de 10 anos e ainda sim estamos na sala da sua casa. — Mari disse e eu dei risada.
Até porque ela tem razão.
— A diretora da escola particular infantil me ligou, perguntou se eu poderia cobrir uma semana de faltas de uma professora, eu disse que sim, vou passar lá depois do almoço pra pegar algumas coisas pra preparar a aula de segunda dos pequenos.
— Nossa isso é demais. — Gabi disse toda empolgada.
— Uma desempregada a menos no grupo. — Mari disse levantando e fazendo a dancinha da vitória.
— E é logo a que vai se casar com um cara rico. Faz sentido isso? — Gabi disse e caímos na risada.
— Pega o irmão dele que você vai ficar na mesma situação. — falei rindo.
— Eu estou passando a minha vez, não sou boa pra lidar com criança, isso aí é com você — Gabi disse.
— A nossa querida personal já chegou. Hora de descer meninas. — Mari disse e levantou do sofá outra vez.
— Literalmente, porque hoje é dia de glúteos. — falei e as duas me olharam.
— Já começou a me dar dor nas pernas. — Gabi disse rindo.
O nosso turno foi como sempre. Uma grande tortura. Depois de mais de uma hora e meia me matando, voltei pra casa fui tomar o meu banho, lavei o meu cabelo e enquanto ele secava um pouco natural fui fazer o meu almoço. Eu nem acredito que estou mantendo uma boa alimentação, tudo isso pra me matar de comer no dia da minha formatura e depois no meu casamento.
Resolvi começar a me arrumar, então fiz uma maquiagem leve, depois peguei minha roupa mais com cara de "olá eu posso ser uma boa professora", então peguei minha bolsa e coloquei as minhas coisas. Deixei um recado na geladeira pro lindo noivo passar no mercado. Sai de casa e entrei no carro, João Carlos trouxe o outro carro pra cá, ele prefere que eu ande no carro blindado.
Não demorou muito pra eu chegar até a escola, no estacionamento já pude ouvir o barulho das crianças, eu não sabia se eu ficava empolgada, ou com medo.
Dei meu nome na portaria e logo fui liberada para entrar, a Margarida, diretora já estava me esperando.
— Que bom que você chegou. — a diretora disse.
— Bom, eu estou super empolgada. — falei. Estou mentindo, claro.
— Que bom, que bom. Vem, eu vou te mostrar a sua pequena turminha. — ela disse e começou a andar.
Passamos por algumas salas, 1, 2 e terceiro pré. E então chegamos no 4 pré a sala que eu vou dar aula.
— Crianças, prestem atenção aqui um minuto. — a diretora disse após abrir a porta e ver que as crianças corriam de um lado para o outro.
— Eu já tentei fazer eles pararem de correr, mas parece que nada adianta. — a professora substituta disse.
Dava pra ver o desespero em seus olhos.
— Eu posso tentar? — perguntei me virando para a diretora que apenas fez que sim com a cabeça.
Respirei fundo. Eu não sabia bem o que eu ia fazer, então olhei para o quadro e olhei para as crianças. Tirei os sapatos e então comecei a pegar as coisas do chão e a cantar até que as crianças me olhassem.
— A dona aranha subiu pela parede, veio a chuva forte e a derrubou.... — parei de cantar e todos ficaram me olhando. — Vocês querem cantar comigo?
— Sim tia. — elas gritaram em uma só voz.
— Tudo bem, mas vocês vão ter que se sentar e pegar todas as suas coisas do chão. — falei.
Eles imediatamente foram para os seus lugares e começaram a pegar as suas coisas.
— Cada um vai levantar a mão e eu vou escolher quem vai cantar a próxima parte. — falei.
Eles ficaram quietos e então eu fiz a brincadeira. Depois disso cada um trouxe a sua caderneta para a professora anotar as atividades. Depois disso ajudei todos eles a colocarem só uaa coisas dentro da bolsa e depois ajeitamos a roupa e o cabelo.
Já estava quase na hora deles irem embora. Então eu saí da a sala, a diretora estava o corredor, ela acenou pra mim e eu fui em direção a ela.
— Bem, com certeza você vai se sair bem nessa missão. — ela disse e deu um tapinha no meu ombro. — Aqui tem as coisas que eles tem fazer segunda a sexta e depois você tem que fazer um relatório de tudo e me entregar antes de ir embora. — ela começou a dizer assim que entrou na sala.
— Qual é o horário da aula deles? — perguntei.
— São das 07:15 as 16:30. — a diretora disse. — Bom, as crianças gostaram muito de você, su não sei bem se a professora irá voltar depois dessa semana, então se tudo der certo você pode ficar com a vaga dela.
— Obrigada, eu gosto muito de crianças, e gosto mais ainda se dar aula, alfabetização é algo muito bonito. — falei com um sorriso.
— É bom ver alguém tão jovem como você pensar assim. — ela disse e se colocou de pé. — Foi muito rever você e te vejo na segunda. — ela disse e estendeu a mão.
— Obrigada, nos vemos na segunda. — falei me colocando de pé e apertando a sua mão.
Peguei as coisas que eram pra eu saber, depois fui pro estacionamento. Coloquei as coisas na parte de trás do carro.
— Como você fez aquilo? — a professora que estava na sala me perguntou.
— Com as crianças? — perguntei. Ela afirmou com a cabeça. — Acho que elas gostam do lúdico, quando você chama atenção dela mas pede pra que pra ela ter aquilo ela precisa cooperar fica mais fácil manter eles calmos. — falei.
— Eu me chamo Patrícia e eu fico na creche na maioria das horas. — ela disse com um sorriso no rosto.
— Bebês. Eu amo bebês. — falei com um sorriso.
— Eles são mesmo adoráveis. — ela disse.
— Acho que nos vemos na segunda. — falei com um sorriso e entrei no carro.
Fui pra casa, assim que eu cheguei ouvi um barulho do chuveiro. Havia flores em cima da mesa, o que não é muito comum por aqui.
— Ah amor você chegou. — Joca disse usando a toalha pra secar o cabelo.
— Cheguei, de quem são? — perguntei.
— São suas, o porteiro disse que mandaram entregar. — ele disse.
— Minhas. Quem será que mandou? — perguntei e ele fez cara feia.
Havia um bilhete.
“Para o meu pequeno lírio azul"
Ass: V
Meu corpo estremeceu, sem motivo algum.