Katarina Furacão
“Haaa, devagar, o que foi? Ela não é o suficiente para você?”
Mas que m***a era essa?
Paro estática diante da porta ao ouvir a voz estridente da minha irmã sair do quarto à minha frente.
Sabe quando, por um segundo, sua mente duvida de você mesma?
Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Meus olhos percorrem o corredor, olhando à volta, como se por algum descuido eu tivesse tomado o caminho errado e aquela porta ali não fosse a do quarto de Richard. Meu Richard. Meu noivo.
Estendo a mão segurando a maçaneta, mas não abro, dizendo para mim mesma que estava sendo i****a. Nós nos casaríamos dali três dias. Richard me amava, e Evy era minha irmã, a mesma que sempre cedia tudo para mim desde criança. Não, eu com certeza estava enganada.
“Fica de quatro, vai. Você sabe que com ela não é assim, ela é frígida, fria como uma pedra de gelo. Já você... humm, delícia...” a voz de Richard ecoa como se estivesse zombando da minha negação.
É então que os sons se intensificam. Corpos se chocando, Evy gemendo como uma p**a louca, e Richard... Haa, o maldito Richard urrando de prazer.
Existem duas coisas que mulheres fazem nessa situação. Umas se viram e vão embora, ou por serem superiores, ou para chorar e lamber as feridas.
Outras fazem escândalo, brigam, batem, choram.
Já eu sou Katarina. Não qualquer Katarina. Meu apelido é KATARINA FURACÃO desde criança e, naquele momento, eu era um furacão F5 em plena formação.
Chutei a porta com toda a minha força. Vocês não fazem ideia do estrago que uma baixinha raivosa pode causar.
A cena dentro do quarto me enfurece ao mesmo tempo que enoja. Evy de quatro enquanto Richard a penetrava com violência.
Eles me encaram assustados. Evy puxa o lençol para tentar se encobrir. Richard diz a clássica frase:
“Katy, querida, eu posso explicar.”
Parto para a agressão. Ignoro Evy. Ela é uma p**a, mas quem tem um compromisso de fidelidade comigo é Richard. Ele tenta segurar minhas mãos, mas eu o chuto. Ele grita quando um dos chutes acerta certeiro o brinquedinho dele.
Estou cega. Cega de raiva. Queria m***r ele, fazer ele sofrer como eu mesma estou sofrendo agora, mas ele enfim consegue me imobilizar. Porém, como já disse, sou um furacão. Cravo meus dentes no braço dele com força até sentir o gosto de sangue inundar minha boca.
Richard solta um palavrão e me empurra com violência para longe. Me desequilibro e caio sentada no chão.
Evy chorava na cama, repetindo sem parar:
“Me perdoa, Katy. Me perdoa.”
Richard encara o ferimento no braço e depois se vira para mim e diz:
“c*****o, Katarina, o que você esperava? Sou homem, e você m*l me deixa tocá-la. São anos de terapia de casal, mas você ainda surta toda vez que as coisas esquentam entre nós. Isso tudo porque alguém tentou te estuprar quando criança, e o que eu tenho a ver com isso? Me diz.”
As palavras dele me atingem como facas. Ninguém além do meu pai e dele sabia disso. No começo ele foi tão atencioso que eu realmente acreditei que conseguiria, que ele era o homem da minha vida. Agora vejo que era pura ilusão!
Ao ver minha expressão, ele suspira e diz:
“Katy, querida, vamos resolver isso. O casamento é daqui uns dias. Prometo que isso nunca mais vai se repetir.”
Ele só pode estar zoando com a minha cara. O filho de uma p**a come minha irmã e me vem com essa.
Me levanto, arrancando o anel de noivado. Atiro com toda minha força em Evy, dizendo:
“Já que quer tanto ele, pode ficar, sua puta.”
Ri cínico, e é como se a máscara finalmente caísse, revelando quem ele realmente é. Ele me diz:
“Fala sério, Katarina. Quem você acha que vai querer você além de mim? Devia dar graças a Deus por eu aceitar ficar com você toda defeituosa desse jeito. Durona, parece um homem. Não é como sua irmã, suave, submissa. Então pare de drama, volte para casa que te ligo mais tarde.”
Cara, que raiva. Não só dele, mas de mim mesma. Como foi que me apaixonei por um cara assim?
Sinto que vou vomitar. As lágrimas queimam meus olhos, mas não vou me permitir chorar na frente deles. Não mesmo. Katarina Furacão nunca chora.
A última vez que se permitiu chorar foi no enterro da mãe. Na mesma noite, porém, o pai apareceu em casa com uma madrasta e uma irmã nova para ela, e disse:
“Seja forte, Kataria. A vida continua.”
Eu só tinha nove anos, e depois disso nunca mais chorei. Não ia começar agora, não por esse porco.
Me viro e saio o mais rápido que posso, ignorando os avisos de Richard para eu não fazer escândalo nem drama, afinal, ele ia mesmo se casar comigo.
Saio para as ruas sem nem notar por onde eu estava indo. Logo me deparo na Wall Street. As luzes, telões, pessoas andando de um lado para o outro, turistas tirando fotos, mas nada disso me chamava a atenção.
As palavras de Richard ecoavam na minha mente. Coisas como frígida, defeituosa, parecer um homem.
Fecho os olhos por um momento e é então que a ideia mais maluca da minha vida surge.
Vou provar para ele que consigo superar meus traumas.
Vou provar que não sou frígida.
Vou dormir com um estranho.