Capítulo 8

1103 Words
Luísa Acordei com o despertador tocando alto demais para um primeiro dia de aula. Ashley resmungou ao meu lado, se enfiando debaixo do travesseiro. — Por que diabos nós escolhemos uma faculdade que tem aula de manhã? — Porque queremos um futuro? — Respondi, rindo, enquanto me espreguiçava. Ela jogou o travesseiro na minha cara. Depois de um banho rápido e um café tomado às pressas, pegamos nossas mochilas e descemos até a entrada do prédio. O metrô nos esperava. O clima estava frio, e Nova York parecia ainda mais agitada do que no dia anterior. — Eu já me sinto uma nova-iorquina. — Ashley comentou enquanto descíamos as escadas do metrô. — Olha só pra gente, pegando transporte público como verdadeiras cidadãs do caos. — Falta muito pra isso, amiga. — Ri, apertando meu casaco. O metrô estava cheio, como esperado, mas conseguimos um canto perto da porta. O trajeto até a Faculdade de Artes Visuais de Nova York foi rápido, e quando descemos na estação próxima, meu coração bateu mais forte. — É real agora. — Murmurei, encarando o prédio enorme e moderno da faculdade. Ashley segurou minha mão, sorrindo. — Vamos fazer história, Lu. E, com isso, entramos. O ambiente da faculdade era tudo que eu sempre quis: salas espaçosas, murais cheios de ilustrações e alunos de todos os estilos possíveis. Passei a manhã inteira encantada com cada detalhe, desde a estrutura até os professores que pareciam realmente apaixonados pelo que faziam. Nossa primeira aula foi uma introdução geral, onde nos apresentamos e falamos um pouco sobre nossas inspirações. Eu estava nervosa, mas assim que comecei a falar sobre meu amor pela arte e pelo desejo de criar algo único, tudo fluiu naturalmente. Ashley, como sempre, fez amizades em tempo recorde, e em poucos minutos já estava rindo e conversando com outros alunos como se os conhecesse há anos. O dia passou voando. Quando nos demos conta, já estávamos voltando para casa. Assim que entramos no apartamento, Ashley jogou a mochila no sofá e se virou para mim com um brilho perigoso nos olhos. — Eu tenho uma ideia. Me joguei na poltrona, exausta. — Se for algo que envolva esforço físico, já recuso. — Relaxa, a única coisa que você vai precisar mover é o quadril. A franzi o cenho. — Ashley… — Vamos para uma balada hoje! Soltei um riso fraco. — Nossa, nem um dia de faculdade e você já quer comemorar? — Óbvio! Você não viu como fomos incríveis hoje? Precisamos brindar a isso! Balancei a cabeça, mas não recusei. Eu precisava de uma noite leve. — Tudo bem, me convenceu. Ashley soltou um gritinho animado e correu para o quarto. — Vamos nos arrumar agora! Quero a gente impecável! O som da música alta vibrava pelo chão da boate enquanto atravessávamos a pista de dança. Ashley e eu estávamos incríveis. Ela usava um vestido vermelho colado ao corpo, e eu tinha escolhido uma saia de couro e uma blusa preta que valorizava minha cintura. Os olhares que recebíamos deixavam claro que fizemos a escolha certa. — Eu amo esse lugar! — Ashley gritou para mim, segurando minha mão e me puxando até o bar. Pegamos nossas bebidas e nos juntamos à multidão dançando. Eu precisava disso. Precisava sentir a energia, esquecer de tudo, aproveitar a sensação de ser livre. Mas então… Algo chamou minha atenção no canto da boate. Uma confusão. Um empurra-empurra entre dois caras. E um deles… Meu coração despencou. Era Josh. — Ashley. — Apertei o braço dela, mas ela ainda estava distraída, dançando e bebendo. — Hã? — Olha ali. Quando ela seguiu meu olhar, paralisou na hora. Josh estava bêbado, alterado, com os olhos cheios de raiva enquanto discutia com um cara desconhecido. E então, antes que pudéssemos reagir, o soco aconteceu. Josh acertou o cara com força, fazendo-o cambalear para trás. O segurança veio na mesma hora para separar a briga, e o desconhecido tentou revidar, mas Josh estava fora de controle. Minha respiração estava acelerada. Foi pior do que eu imaginava. Ashley segurou meu pulso. — Luísa, vamos embora. Mas eu não conseguia tirar os olhos da cena. Porque naquele momento, não havia mais dúvidas. Eu não conhecia esse Josh E eu não fazia mais parte disso. A música continuava vibrando na boate, mas minha atenção estava completamente voltada para o desastre bem na minha frente. Josh estava caído no chão, o rosto vermelho e suado, os olhos vidrados, piscando rápido demais. O cara com quem ele brigava ainda tentava se soltar dos seguranças, xingando sem parar. — Ótimo. Só faltava essa. — Ashley bufou ao meu lado, cruzando os braços. — O que a gente faz com esse lixo humano agora? Engoli seco, ainda tentando processar a cena. Eu sabia que Josh estava afundando, mas ver isso pessoalmente era diferente. — Josh? — Me abaixei ao lado dele, tocando de leve seu ombro. Ele piscou algumas vezes antes de focar em mim, a boca entreaberta. — Lu… Luísa? Minha garganta se apertou. Por um segundo, senti uma pontada de algo que parecia pena. Mas eu não podia sentir pena dele. Não depois de tudo. Josh tentou levantar, mas quase caiu de novo, e por puro instinto segurei seus ombros para evitar que se esborrachasse no chão. Foi aí que vi o celular dele caído perto do bar. Peguei o aparelho, desbloqueei com facilidade e comecei a rolar pelos contatos, procurando alguém para nos livrar dessa situação. Foi quando encontrei um nome que me fez congelar. EMERGÊNCIA: APOLIO Fiquei alguns segundos encarando aquilo. Apolio? Josh confiava em Apolio para colocá-lo como emergência? Antes que eu pudesse pensar muito, meus dedos já estavam ligando. Toque. Toque. Toque. E então, ele atendeu. — Josh, o que foi agora? — A voz dele soou seca, impaciente. Soltei o ar devagar, me preparando para falar. — Não é o Josh. Silêncio. — Luísa? Engoli em seco. — Sim. Escuta, ele está muito bêbado. Brigou com um cara e agora m*l consegue se levantar. Eu não sabia quem chamar, então… Apolio ficou quieto por alguns segundos. Depois, suspirou. — Onde vocês estão? Olhei rapidamente para o letreiro da boate e passei o nome. — Estou indo. E a ligação caiu. Segurei o celular na mão por mais alguns instantes, tentando ignorar o incômodo estranho no peito. Ashley me observava de braços cruzados. — Então… você ligou para Apolio? Dei de ombros, tentando parecer neutra. — Era o contato de emergência dele. Ela soltou um riso fraco. — Isso ainda vai dar m***a. Não respondi. Mas lá no fundo, sabia que ela tinha razão.
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