Pesadelo

919 Words
Lyana Sinto o toque quente contra a pele como uma caricia lenta, fazendo o meu corpo corresponder a voz firme e possessiva é tão tentadora quanto a escuridão na qual estou aproveitando para descansar. Suspiro lutando contra as pálpebras pesadas quando o calor se esvai deixando apenas o lugar vazio, a maciez do que reconheço ser um tecido. Mas são as dores espalhadas pelo corpo que atraem toda a minha atenção, aos poucos vou recobrando a consciência da noite infeliz sentindo o pânico voltando com tudo. Ergo o corpo de uma vez sendo tomada por uma tontura, vou buscando estabilizar a respiração é quando finalmente percebo estar em um quarto altamente luxuoso. A cama enorme coberta por tecidos sedosos sendo iluminado por um feixe de luz entre pesadas cortinas, confiro minhas roupas no lugar antes de levantar, fechando os olhos e agradecendo mentalmente por ter algum sinal de que não fui abusada. Quero muito acreditar que nada daquilo foi real e estou apenas em algum pesadelo distorcido, mas é o chão frio contra o solado dos meus pés que fazer a realidade arder outra vez. Ergo a mão contra a testa sentindo o ardor do ferimento, descendo a ponta dos dedos sinto os lábios partidos o gosto metálico ainda na ponta da língua. Saio da cama olhando mais uma vez todo o comodo em busca da minha bolsa, como não encontro resolvo ir para a porta sinto o coração em batidas frenéticas. Toco a maçaneta como se fosse uma bomba prestes a explodir mas suspiro de alivio assim que o som do clique se faz presente revelando um corredor tão luxuoso quanto o quarto. As paredes rodeadas por pinturas caras e famosas, então escuto gritos do final do corredor, sigo nessa direção mesmo com medo. Alguém pode estar precisando da minha assistência como médica. Quando um vão de portas abertas aparece no que percebo ser uma sala, vejo homens organizados segurando outro enquanto se debate, tenho a atenção atraída para o maior deles que parece ter sangue nas mãos suas costas largas e braços marcados pela camisa social preta, uma faca na mão. Todos estão observando a interação assim como fico em choque parada feito uma estatua vendo cada movimento em câmera lenta acontecendo, nem ao menos percebo minha voz ecoando em um grito desesperado ao ver o dedos sendo decepados. Só tomo consciência de onde estou quando vejo os olhos de cores únicas perdidos na escuridão marcados com fúria e sede de sangue, percebo o que aconteceu. Dou um passo para trás incapaz de desviar do olhar profundo, o medo descarregando a adrenalina nas minhas veias, olho para o lado direito vendo portas grandes de madeira e uma soleira que indica ser a saída. O encaro novamente, posso jurar ter visto algo em seu olhar mas ignoro. Uso todas as minhas forças para correr, agradeço aos céus por mais uma porta aberta e corro pela camada fina de neve que deve ter caído durante a madrugada. Sinto os meus pés congelando o corpo gritando contra o frio intenso, ao longe um portão enorme de ferro e uma estrada parecem ser a única saída desse inferno. Escorrego mas rapidamente levanto, vejo um homem vindo na minha direção mas para olhando por sobre meus ombros. Nem tenho tempo de raciocinar antes que meu corpo seja erguido do chão como um saco de batatas. Grito com todas as minhas forças sentindo a garganta arranhar. — Você não irá fugir de mim pequena. A voz grave e o hálito quente contra a minha orelha faz com que o meu corpo estranhamente se acalme, mas ao piscar sinto as lagrimas caindo pelas minhas bochechas. — Por favor, me deixe ir. — Peço choramingando. Penso que irá atender o pedido quando meus pés tocam o chão, estou prestes a correr mas o aperto forte no braço impede, sou virada com força e rapidez ficando presa entre os braços fortes, os botões da camisa aberta expões o pedaço de pele recoberta por tinta preta. Sinto a mão pesada contra o queixo fazendo-me erguer o olhar e encontrar outra vez o inferno dentro dele. — Deveria ter pensado nisso antes de me salvar. Solto um soluço dolorido pois apesar de amar a minha profissão nunca imaginei que seguir a ética e me dedicar em salvar vidas poderia colocar a minha própria vida em risco numa situação como essa. — Por favor, fiz apenas o meu trabalho senhor. — Digo desesperada. Seus dedos tocam o caminho trilhado pelas lágrimas limpando fazendo uma caricia sutil completamente diferente da fúria que existe na sua face. É tão c***l. — Tarde demais doutora, já derramei sangue por você. Arregalo os olhos buscando afastar o corpo outra vez mas ele impede, desço o olhar encontrando suas mãos ensanguentadas causando um desespero dentro de mim. — Você estava machucando aquele homem por querer. — Grito perdida pois ele que fez isso, como pode querer culpar-me — Machuquei ele, por ter tocado em você e ninguém toca em algo meu. Seu olhar não deixa dúvidas do que fala, inesperadamente sinto-me culpada, sinto que estou presa e perdida, o soluço e o choro escapam por entre os meus lábios. Sou erguida pelos braços fortes e aninhada contra o seu peito, fui sequestrada por esse homem estou presa num lugar que não conheço e o pior de tudo é que nesse momento enquanto escondo o rosto dos olhares curiosos dos homens inspirando o perfume do homem que deveria ser meu paciente, sinto algo completamente diferente.
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