Sasuke e Sakura m*l se falaram durante o resto daquele fim de semana, na verdade todos dois estavam um pouco constrangidos, não só pelo beijo e pela despedida muito sem jeito, mas por ambos acharem que o encontrou poderia ter sido melhor, e que não foi por culpa deles. Mas vocês sabem que tudo isso é super normal, pelo menos, isso era o tipo de coisas que pra eles é normal.
Só que a segunda-feira chegou, e Sarada precisava ir para a escola, ele até pensou em não acorda-la pra ela perder a aula de propósito, não estava com muita coragem naquela manhã. Mas como Sarada é muito diva, ela acordou sozinha. Tomou banho, escovou os dentes e se arrumou sozinha, bem, se arrumou do jeito dela, então vocês já devem imaginar que ela vestiu uma roupa e bailarina rosa e asas de fada. Ela ficou muito fofa.
Sasuke tomou um susto daqueles quando ela apareceu vestida daquele jeito na cozinha.
– Olha papai, me vesti sozinha! – ela estava tão animada quando disse aquilo, tão feliz, não tinha como ele obriga-la a vestir outra coisa.
– Ta linda, meu amor. – disse ele, dando um beijinho no alto da cabeça da filha – Vai pegar suas coisas, estamos atrasados, você come no carro.
– Ta bom, papai.
A pequena saiu correndo para pegar a mochila exageradamente rosa e cheia de brilhos, era nova, ela tinha visto em uma vitrine e chorou até ele comprar. Sasuke fez uma vitamina bem rapidinha e colocou tudo dentro de um daqueles copos com tampas de elefante e com duas asas pra ela segurar.
Não demorou mais de dois minutos pra ela aparecer com a mochila nas costas e com Maria Chiquinhas no cabelo. Ele sempre gostava quando ela prendia o cabelo daquele jeito, ficava muito fofa.
E juntos eles desceram até a garagem, Sarada com o copo pendurado na boca, mesmo assim ficava fazendo perguntas à todas as pessoas que estavam no elevador. Quando chegaram à garagem, foram direto ao carro, Sarada já se prendia sozinha na cadeirinha de trás, que obrigatoriamente ela tinha que ocupar, já que Sasuke já havia levado uma multa por andar com Sarada no banco da frente, mas isso não vem ao caso.
O que importa era que eles estavam indo até a escola. Sarada agora era uma criança madura e não escutava mais com tanta frequência Um Elefante Incomoda Muita Gente, agora ela gostava mais de Atirei um p*u no Gato.
Aqueles momentos de musiquinha infantil ainda eram um tormento. Mas como sendo um bom pai – do jeito dele – ele escutava sem reclamar muito. E quando chegaram, bem, digamos que o coração acelerou mais do que ele imaginava que iria acelerar, lá estava ela, Sakura Haruno, entre as crianças, esperando pacientemente pela chegada de deu galã de cinema – o Sasuke, cada um tem o galã que merece – moreno e sensual (eu vou rir).
A pequena se desprendeu da cadeirinha e já estava abrindo a porta, quando Sasuke percebeu que Sakura estava vindo na direção do carro. Tudo bem, mantenha a calma, não vamos entrar em pânico!
– Bom dia, Sara. – ela já estava lá, do lado do carro, dando um beijo na cabeça de Sarada, que ele nem viu quando desceu do carro. Quanto tempo ficou na paranoia? – Bom dia, Sasuke.
– Bom dia. – ele engoliu todo o nervosismo da garganta pra poder responder.
Sarada que não era boba nem nada, saiu correndo para o meio das outras crianças, deixando os dois sozinhos, para poderem falar alguma coisa, se é que algum deles tinha coragem de falar alguma coisa. Bem, demorou uns dez segundos.
– Então, é... – Sasuke estava bem enrolado – A gente nunca mais se viu.
– Pois é, a gente nunca mais se viu. – ta, ela só fez repetir o que ele falou, mas a moça ta sem jeito, entendam pessoas maldosas.
– Você vai fazer alguma coisa hoje à tarde? – ele tinha acabado de pensar em algo, sim, ele iria mesmo faltar no emprego, mas vocês conhecem o Sasuke, ele pode.
– Não, eu tô livre essa tarde.
Uma pilha de roupa suja estremeceu na casa dela, mas vamos ignorar esse pequeno detalhe, não se pode deixar um solteirão bonito e com emprego fixo, não se acha um cara desses em cada esquina.
– Quer ir tomar um sorvete, comigo e com a Sarada?
Para tudo! Programa família? Os três? Gente ele está subindo no meu conceito, isso é quase um pedido de casamento! Na verdade ele só incluiu a Sarada porque não tinha onde deixar ela, mas esqueçam essa parte, continuem enxergando o Sasuke como o pai maravilhoso que ele é.
– Eu adoraria.
Claro que ele iria dizer sim, aquela era uma ótima oportunidade para tentar adiantar as coisas com o boy, e que boy!
– Então, até mais tarde.
(...)
Eu sei, nunca falamos sobre a aula, mas não é muito legal, vai por mim, vocês não querem saber como essa p***e sofre nas mãos daqueles pestinhas, quer dizer, crianças, o que importa é saber que dessa vez Sasuke se lembrou de ir buscar a filha na escola, tudo bem, Naruto lembrou ele de fazer isso, mas são apenas detalhes.
Eles foram para casa, Sakura foi para a casa dela, combinaram de sair às 16hrs que seria uma hora mais fria para irem ao parque, já que Sarada ficou sabendo e disse que queria ir ao parque e ninguém resiste ao furacão Sarada Uchiha.
A rosada estava em casa, esperando chegar a hora, ainda faltava muito, então ela estava simplesmente assistindo um daqueles filmes bem melosos que mulher adora assistir, se debulhando em lágrimas durante uma despedida bem triste, foi quando o telefone tocou. E ela atendeu com o pé, limpando as lágrimas e dando umas tocidinhas pra ver se não ficava com voz de choro.
– Alô. – seguras o choro, monamur.
– Alô filha, é a mamãe. – fazia muito tempo que ela não falava com a mãe, família unida.
– Oi mãe, notícias sobre a menina?
Todos estavam muito empenhados em descobrir onde ela havia ido parar, já que na época que ela nasceu, a família não estava em um bom momento, mas agora estavam querendo voltar atrás.
– Sim querida, nós já descobrimos onde ela está, você não vai acreditar, ela está morando aí onde você está, já temos o endereço.
– Que ótimo, mãe! – a rosada ficou muito animada, ela também estava muito ansiosa para conhecer a sobrinha – E já sabem com quem ela está? Quer dizer, não sabemos que tipo de pessoa está cuidando dela.
– Já sabemos sim, querida, ela está morando com um tio, o nome dele é Sasuke Uchiha.
Ela deixou o telefone cair, enquanto ainda escutava sua mãe chamar por seu nome do outro lado da linha. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo, parecia mesmo que ela não foi feita para ter sorte no amor, logo agora que estava indo tão bem com ele, acreditava que a coisas poderiam melhorar, ele parecia ser um homem tão gentil, e de repente ela fica sabendo que no futuro sua família tentará arrancar dele o que ele tem de mais precioso.
Não conseguia enxergar Sarada sem o pai, no fundo sentia um monstro, sabia que sua mãe logo iria chegar até ele, sabia que a menina iria sofrer por aquilo, e ela ali no meio daquele tiroteio, querendo ajudar um, e ao mesmo tempo ajudar o outro, era um dilema que ela não sabia como iria resolver.
– Sasuke, por que tinha que ser você? – ela perguntou para o vento, esperando que o vento lhe trouxesse a solução, mas parecia inútil.
O relógio marcava 16h56min. Logo ele estaria ali, e ela não sabia como poderia encará-lo, não sabia se conseguiria ser forte o suficiente, Sasuke era um homem com uma coração maravilhoso, mas sabia que seu lado paterno falaria mais alto, ele nunca a perdoaria se ela deixasse Sarada ser tirada dele.
Mas e sua mãe? E o sonho que ela tinha de conhecer e cuidar da neta que o mundo lhe deixou? Como é que ficava nessa história? Tantas perguntas que ela não sabia responder, não conseguia escolher de que lado ficar.
Mesmo assim, com dor no coração e pesar na alma, a rosada trocou de roupa e retocou a maquiagem, engoliu o choro e sufocou a dor, tudo para manter as aparências enquanto ainda se decidia. O vestido azul claro simples, deixava ela com um ar de amigável e simpática, que era seu ar costumeiro, mas por fora ela se via ainda como alguém que não merecia o carinho que aquele homem lhe dava.
Olhou o relógio mais uma vez 17h12min. Ele já deveria estar chegando, um pouco atrasado, mas isso era bem normal para um pai. Porém não demorou muito para ouvir a campainha tocando, aprontar a coragem e abrir a porta, forçando seu melhor sorriso.
Sarada correu para abraça-la, sempre muito feliz em ver a professora, que secretamente sonhava e torcia para que se tornasse sua nova mamãe. Sakura quase chorou quando abraçou a pequena, era a primeira vez que abraçava Sarada sabendo que ela era sua sobrinha perdida, estava ali com ela, ela podia olhar e ver o pedacinho da irmã que a morte lhe havia levado.
– Sara, querida, é tão bom ver você de novo. – disse Sakura, mais emocionada do que deveria estar, enquanto parava para admirar como a pequena estava vestida.
– Tia, a senhora está chorando?
Tia, chama-la de tia era a cereja do bolo para uma lágrima escorrer solta pelo rosto da rosada, aquela sensação de saudade e carinho crescia cada vez mais forte dentro de seu peito, ali estava ela, o pedacinho que faltava, a pequena Sarada Uchiha, sua sobrinha.
– Não, querida, foi só um cisco que caiu no olho da tia.
A menina a soltou, pois o “papai” também queria cumprimentar a professora, sempre com aquele clima de “eu já beijei você”, mas ela estava nervosa mesmo por causa do que tinha ficado sabendo, sua língua coçava pra contar tudo pra ele, mas estava tão indecisa.
– Está tudo bem com você, Sakura? – ele perguntou.
– Está. – ela mentiu, não podia falar nada agora, muito menos na frente da menina.
– Então vamos.
Entrar naquele carro não era mais a mesma coisa, ela estava se sentindo muito desconfortável, sempre aquela mesma sensação de estar traindo a confiança dele, e ao mesmo tempo estar traindo a confiança de sua mãe. Era h******l aquilo, ela se sentia um agente duplo trabalhando disfarçado.
Sair para dar uma volta com o homem que está com a guarda de sua sobrinha, o irmão do homem que um dia frequentou sua casa como sendo da família, o mundo dava mesmo muitas voltas, tantas voltas que ela já estava ficando tonta com aquilo tudo. Sasuke Uchiha, ela tinha certeza que já havia ouvido aquele nome antes, e agora ela sabia que tinha mesmo ouvido, Itachi já havia falado do irmão mais novo, até mesmo dissera que um dia iria apresenta-lo. Quem diria, os dois ali juntos.
Chegaram ao parque, Sasuke m*l tinha estacionado o carro que Sarada já tinha arrancado o cinto de segurança da cadeirinha e já estava abrindo a porta, a Sarada é a Sarada, dela se pode esperar tudo, até pular do carro por um algodão doce. Todos desceram do carro, e tomaram caminho para um dos banquinhos do parque, e Sarada foi direto para o meio das outras crianças.
– Então, vai me contar o que está acontecendo? – o moreno foi direto ao ponto, um ponto que ela queria ficar bem longe.
Sakura mordeu o lábio inferior, queria sair correndo que nem uma louca por aí só para ter mais tempo de inventar uma desculpa, mas sabia que com a sorte que tinha iria acabar sendo atropelada. A rosada pensou um pouco, e acabou dando a resposta que toda mulher dar quando tudo está errado.
– Nada.
Quando uma mulher diz que nada está errado, é porque tem muita coisa errada, muita coisa errada mesmo, assunto de vida ou morte. Só que ela não quer falar, ou está fazendo charme.
– Sakura, você sabe que pode me contar o que quiser. – quando um homem fala isso, ou ele realmente gosta de você, ou está querendo ganhar sua confiança. Dizer pra uma mulher que ela pode contar o que quiser, é a mesma coisa que dar um cartão de crédito.
Ela travou, parou para olhar para Sarada, que tinha acabado de entrar na caixa de areia, pensou um pouco, se é que conseguiria pensar, estava no meio de um grande empasse. Não sabia se contava para ele que era tia de Sarada e que em breve Sasuke poderia perder a menina, sabia que o magoaria muito. Ela não queria perder a sobrinha, e ao mesmo tempo não queria perder Sasuke.
– Eu não quero perder você, Sasuke.
Sim, aquilo escapuliu, ela estava pensando naquilo, e acabou falando, sem querer. E a expressão no rosto de Sasuke já dizia tudo, ele também não esperava ouvir aquilo, ninguém no mundo esperava que a cuzona da Sakura fosse falar uma coisa dessas pra um boy magia feito o Sasuke.
– O que quer dizer com isso, Sakura?
– Eu estou completamente apaixonada por você.
(...)
Só faltava assinar mais um papel, estava tudo pronto, tudo em mãos, e o caso enfim seria aberto, era um caminho sem volta, e ela estava completamente decidida, nada a faria parar, estamos falando de uma avó querendo resgatar o último pedacinho de alguém importante que lhe resta.
– Pronto, com isso nós abrimos o caso, não se preocupe Sra. Haruno, em breve conseguirá a guarda da sua neta.