CAP.10

473 Words
SÉRGIO Três dias que eu estou sem notícias da minha filha, são três dias. Muita gente acha que meu trabalho é totalmente humilde, mas não é. Muitos anos atrás prestei um favor á um grande amigo meu; Richard, mais conhecido como RD, menino com quase trinta anos, dono do morro da rocinha. Desde então ele me deve um favor, e dessa vez, é um favor bem preciso. Entrei na comunidade com o carro e segui até a padaria que marcamos. O pai dele era meu grande amigo, dono disso aqui tudo. Chegamos muito a nossa juventude, mas infelizmente o Zé faleceu na operação intensa que teve aqui a alguns anos atrás. Rd na época tinha vinte e dois anos, hoje em dia tem vinte e nove anos. Entrei na padaria e me sentei, esperando que ele chegasse. Não demorou muito para que ele estacionasse na porta da padaria, é até c***l dizer isso, mas eu preferia que ele fosse o marido da minha filha ao invés do canalha do Juan. - Fala aí, pai - Ele chegou me dando um abraço. - Como vai, filho? - Perguntei Embora tenhamos caminhos diferentes, eu tenho um grande carinho por ele. - Tudo em cima, graças a Deus. - Ele respondeu me olhando. - Tá bonitão hein cara! - Ele riu. - Se o seu pai estivesse aqui, eu com certeza iria zoar ele. n**o véio fez filho bonito, mesmo! - Eu comentei rindo. O Zé era uma pessoa boa, ninguém dizia que era bandido. Homem de caráter, lutava mesmo pela a comunidade, transformou a Rocinha. - Mas me diga, o que trouxe o senhor aqui? - Ele perguntou sendo direto. - Minha filha. - Respondi. - Minha filha está tendo problemas sérios com o marido, e eu suspeito de que ela esteja em cárcere privado. Preciso muito da sua ajuda! - Falei sendo sincero. - Eu jamais te negaria alguma coisa. Só falar quando e onde! - Ele falou. - Calma! Viviane tem vinte e dois anos, uma filha de um ano e um testamento no nome dela. - Estendi o testamento pra ele. - Quero que traga ela pra cá, cuide dela e da minha neta. - Pedi. - O que não falta aqui é lugar, aqui dentro tudo é seguro. - Ele falou somente segurando o envelope, sem abrir. - Ela faz faculdade de direito, é inteligente. Toda semana eu vou depositar um dinheiro na conta dela, não quero que ela trabalhe, apenas que estude e cuide da neném. - Falei. - Mas olha bem, eu preciso que tome conta dela RD! - Falei sério. - Tudo certo! - Ele falou. - Onde eu busco ela? - Ele perguntou. - Na casa dela. - Respondi. Imagine o quão corajoso um pai tem que ser, pra entregar a filha pra dentro de uma comunidade.
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