Capítulo 5 - O Jogo por Trás do Olhar

1137 Words
CAEL Ela está deitada na cama agora. Cabelos espalhados no travesseiro como tinta escura, as costas nuas marcadas pelas minhas mãos, os lábios ainda entreabertos pelos gemidos que arrancou de si mesma quando me implorou para não parar. A respiração dela começa a desacelerar. Mas seus olhos... Aqueles olhos ainda ardem. Não de susto. Não de dúvida. Mas de antecipação. Porque ela sabe que ainda não terminou. E nós nunca deixamos uma cena sem final. Me levanto da cama e caminho até a cômoda. Puxo a gaveta lentamente, deixando o som do metal arranhar o silêncio proposital. Não olho para ela ainda. Não preciso. Sinto a tensão em cada centímetro de seu corpo. O prazer ainda pulsa entre suas pernas. O jogo ainda a domina. Pego a fita de cetim preta. A mesma que usamos na primeira vez. — Vira — ordeno, a voz baixa, firme, sem hesitação. Ela obedece imediatamente. É assim que ela gosta. Ela se deita de bruços, os braços estendidos acima da cabeça. Amarro os punhos dela juntos, com a fita justa, mas não c***l. Ela geme baixo. A entrega dela é absoluta, mas o poder... sempre compartilhado. Esse é o nosso segredo. É o que nos mantém queimando há dois anos. E é hora de revelar. Conheci Isadora numa comunidade privada de fetiches e jogos mentais chamada Nero Room. Ela entrou com um nome falso. Quase todos entravam assim. Mas o que me prendeu foi o anúncio dela: "Quero sentir o perigo sem estar em perigo. Quero que me cacem, que me quebrem por dentro, mas só com meu consentimento. Sou sua, se souber me usar." A maioria dos homens respondeu com clichês baratos. Outros quiseram dominar sem entender. Mas eu a vi. Porque ela era como eu. Escrevi apenas duas frases: "Eu não peço permissão. Mas nunca toco sem ela." Ela respondeu com um endereço de e-mail e um desafio: "Me encontre sem me tocar. Me conheça sem me chamar. Me quebre sem que eu veja você." E assim começou o jogo. Por seis meses, observei. À distância. Com regras claras. Com controle total e rastros mínimos. A ideia era simples: ela viveria a fantasia de ser perseguida por um stalker. E quando estivesse pronta, daria um sinal. A primeira vez que deixei a flor foi uma resposta a uma conversa que tivemos por chat na madrugada. A primeira vez que tirei uma foto dela sorrindo sozinha, ela me disse depois, foi quando quase gozou na frente de todo mundo, sentindo meus olhos sobre ela. Não havia nada real. Exceto tudo. Exceto o que criamos. Isadora nunca foi vítima. Ela foi a arquiteta do nosso inferno erótico. E agora... ela está pronta para mais uma descida. Subo na cama e me posiciono atrás dela. Deslizo os dedos pelas costas nuas, até a curva da b***a, até o interior das coxas. A pele dela ainda vibra com a última sessão. Mas eu sei o que ela precisa agora. Precisa ser tomada como se não tivesse escolha. E mesmo sabendo que tudo é encenação... Nada disso é mentira. — Sabe o que mais me excita? — pergunto, enquanto passo a boca pelo lóbulo da orelha dela. — Saber que você fingiu surpresa. Que lutou contra mim com esses olhos grandes e essa voz trêmula... e mesmo assim estava molhada desde o primeiro segundo. Ela solta um gemido contido. Aperto sua b***a com uma mão e deslizo a outra entre suas pernas, encontrando-a quente, úmida, pulsante. — Já está pronta pra mim de novo? — Sempre estou... — ela sussurra. — Por favor... — É isso que você quer? — grunho contra sua nuca. — Minha mão fundo na sua b****a. Empurro seus quadris pra cima, deixando-a de joelhos, a cabeça afundada no colchão, os braços ainda amarrados. Ela é uma visão infernal de perfeição e perversão. Seguro meu m****o e passo contra sua entrada. Ela estremece. — Pede. — provoco. — Por favor... Cael. Me fode... — Você é minha. A penetro com força, até o fundo. Um só movimento. Um gemido longo escapa dela. As mãos se fecham nos lençóis, mesmo com os punhos presos. Os quadris se movem de encontro aos meus, buscando mais, exigindo mais. A possuo com estocadas firmes, profundas, ritmadas. E cada investida arranca uma palavra obscena da boca dela. Cada grunhido meu vira combustível. — Você adora fingir que me teme — rosno. — Mas no fundo, é isso que te faz gozar. Saber que alguém pode te quebrar... mas escolhe te adorar enquanto te domina. Ela grita. E quando eu bato em sua b***a, forte, ela geme como se fosse céu. Seus músculos se contraem ao meu redor, e sei que ela está perto. Mas não deixo terminar ainda. Saio devagar, a deixando vazia, latejando. Ela geme, se contorce, mas não suplica. Ela sabe que faz parte do jogo. Viro seu corpo com brutalidade calculada. A fita mantém seus braços presos acima da cabeça. Seus s***s se movem com a respiração acelerada, os olhos febris de luxúria. — Diz que é minha — ordeno. — Eu sou sua. Sempre fui. Até quando era mentira, era verdade. A fodo de novo, dessa vez de frente, olhando em seus olhos. Mais lento. Mais profundo. Agora é possessão com devoção. Agora sou o homem que a vigiou — e o que ela escolheu pra continuar olhando. Nossos corpos colidem como aço contra fogo. Ela goza primeiro. Forte. Tensa. Um grito abafado nos lençóis. Eu venho logo depois, dentro dela, ofegante, com o mundo inteiro desmoronando nas minhas costas. E ainda assim... é ali, em seus braços, que encontro paz. Depois do silêncio. Depois dos toques gentis. Depois do banho compartilhado e da massagem que faço com as mãos ainda trêmulas. Deitamos juntos, as pernas entrelaçadas, os corpos marcados, mas calmos. Ela sorri. — Acha que eles acreditariam se a gente contasse? — Que você fantasiou ser perseguida e eu virei seu perseguidor consensual? — rio. — Talvez nos internassem. Ou nos dessem um prêmio. Ela vira o rosto, aninhando-se em meu peito. — Obrigada por não ultrapassar os limites. — Obrigado por confiar tanto em mim que me deixou criar os seus. Silêncio de novo. Mas é um silêncio cheio. Cheio de significado. Cheio de promessas. Às vezes, me pergunto o que pensaríamos de nós mesmos se víssemos de fora. Talvez parecesse errado. Doentio. Mas ninguém vê o que vemos um no outro. Ninguém entende o que é encontrar alguém que aceita suas sombras e ainda as beija no escuro. Com Isadora, sou livre pra ser monstro e amante, stalker e salvador, dono e devoto. E com Cael, ela é mais do que uma mulher sendo observada. Ela é a mente que me guia. A alma que me provoca. E o corpo que me chama de lar. Fim.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD