Desejo Carnal.( Pietro)

1869 Words
" Quando o desejo faísca a alma pega fogo e o corpo torna-se puro incêndio. " Por: Pietro. Estou preso nesse desejo doentio que sinto pela garota. Sempre que a toco, quero mais e mais. É um ciclo interminável. Pensei que, na segunda vez que fizesse sexo com ela, essa vontade esmagadora iria diminuir. Muito pelo contrário, acordei duro, querendo mais dela. Estou tomando uma ducha fria, tentando colocar o corpo em ordem. Preciso ter foco nos negócios de São Paulo. Minhas suspeitas foram confirmadas: muitos montantes de dinheiro foram desviados e agora é a hora de caçar os ratos. Termino de fazer minha higiene matinal e me troco, desço para o café. De longe vejo meu pai e minha mãe sentados conversando. _ Buongiorno! - falo, sentando no meu lugar à mesa. _ Bom dia, meu filho. Caetano me ligou, a fazenda já é nossa, podemos começar com os trabalhos. - Gerardo fala, enquanto corta um pedaço de melão. _ Ótimo, Vittorio vai gostar de saber. - me pronuncio enquanto me sirvo de café. _ Pietro, estava falando para o seu sobre a Larissa. A ragazza está belíssima, se tornou uma linda mulher. Nossa, parece que foi ontem que ela chegou aqui, lembra Gerardo? - minha mãe diz olhando para meu pai - era tão pequenina, tímida. Como o tempo passa rápido. A menção do nome da garota faz meu sangue correr célere em minhas veias, feito um raio cortando o ar. Sinto minha boca salivar. _ Nem me fale dessa menina, vivia enfiada nos nossos jardins, não sei como não escutou algum assunto confidencial. _ Amor, a presença dela sempre foi inócua. Larissa gosta é das flores do lugar, dos pássaros e da vida que todo aquele canto verde representa. "Então ela gosta daquelas coisas sem graça que brotam do chão." - retenho a informação. _Que seja, Violeta, mas os funcionários têm que saber respeitar os limites. Certas coisas não podem ser misturadas. _Larissa nunca infringiu uma ordem com intenções escusas. Ela gosta de tirar fotos no nosso jardim. Já deu uma olhada nas redes sociais dela? São tantos seguidores que a ragazza tem, em sua maioria rapazes. Não sei como ainda está solteira! Ouvir aquilo faz a tensão começar a ser construída. Que tipos de fotos, bella mia, expõe em suas redes? Isso eu iria descobrir pessoalmente. _ Falando em ragazza, como vão os preparativos para o casamento, Pietro? Vittorio informou que a data está se aproximando. Já comprou uma casa para receber sua esposa? - meu pai pergunta, e a fatia de bolo que engulo desce rasgando o meu tubo digestivo. A palavra casamento me enfurece. Iria me casar por pura obrigação, por pura pressão e pela organização, um acordo para que a paz permeie entre grupos aliados que, ao mesmo tempo, vivem tentando se derrubar. Tomei uma italiana por noiva. A mulher é belíssima, pena que vai se casar com um homem que não poderá lhe dar uma família e muito menos amor. Não que isso faça alguma diferença para ela, porque não faz. Andrea é alta, tem um metro e setenta e sete de altura, curvas marcantes e s***s pequenos. Sua pele é rosada e seus cabelos são louros. Mas nem de longe lembra a minha Pâmela. Lembro que pedi para Vittorio escolher uma pessoa tão vazia quanto eu. Detestaria estar com alguém cheio de expectativas quanto a esse enlace e, pior, quanto a mim como marido. Que fosse uma mulher que não esperasse amor, família, filhos e atenção. Não tenho isso para dar a ninguém! _ A mansão na em Sila está terminado de ser construída. - informo , mesmo que contra a minha vontade. _ Vai enfiar Andrea Ricci dentro dos matos, Pietro! Sua mulher vai detestar tanto verde. Vê se tem cabimento isso, Violeta? O ragazzo escolheu morar numa montanha no sul da Calábria! - meu pai reclama. _ A escolha é minha, ela que suporte. Se gostar tanto assim da cidade, dou-lhe o exílio dentro de um apartamento em Reggio Calábria. A organização possui vários imóveis naquela região. Não será difícil encontrar um que agrade minha noiva. _ Santo Dio, Pietro! Que pensamentos tortuosos são esses? Nem casou e já quer ter sua mulher longe. _ Vocês sabem o que há por trás desse casamento. Sabem que nenhuma mulher terá o que Pâmela teve de mim. Eu amo a minha esposa e nada mudou quanto a isso, não importa se ela está morta. _ Você está sendo enterrado vivo por causa de uma pessoa que nunca te mereceu! - minha mãe diz, enquanto coloca sua xícara com movimentos requintados no pires. Levanto meu olhar e fixo em Violeta. Minha mãe nunca gostou da minha esposa, vivia apontando defeitos e soltando suas farpas. _ Pâmela me amou, nós nos amávamos intensamente. Ela me mereceu e merece todo esse sentimento que carrego no peito. Ninguém jamais vai ocupar o espaço que ela tem em minha vida. _ Então, o que sente por sua noiva? - meu pai pergunta, batendo com as pontas dos dedos na mesa. _ O mesmo que o senhor sente quando olha para uma parede. _ Diabos, Pietro! Que porcaria aconteceu com você, meu filho? Tornou-se o quê, uma rocha? - Violeta pergunta brava. _ Sou fruto do que o destino me roubou. Na verdade, sou as sobras ruins do rapaz sonhador que um dia fui - falo, depositando o guardanapo na mesa e me retirando da presença dos meus pais. Chego à cozinha e peço para Luzia preparar uma cesta com frutas, frios e pães. Procuro na adega um bom vinho e coloco-o numa cesta onde os alimentos serão armazenados. Sigo para o trabalho que se inicia. Hoje chegam as vacas inseminadas que comprei. Quero inspecionar a chegada dos animais, os exames que serão feitos e onde elas ficarão confinadas. As horas passam, todos seguem para o almoço e eu fico na baia junto com Fernando. Estamos fazendo uma ultrassonografia na última vaca. O veterinário vai me mostrando e falando como a cria está se desenvolvendo, quando uma voz interrompe nossa conversa. _ Pai, trouxe o seu almoço! A voz dela chega como uma canção sendo entoada para balançar meus nervos. Fernando se atrapalha e me olha lívido. _ Pai amado, essa menina não me escuta! Desculpe, senhor Pietro, Larissa é teimosa demais. Sei que o senhor não quer a menina por aqui. - diz, colocando o aparelho em cima da mesa. _ Pode ficar tranquilo, Fernando. Vá receber a sua filha. Quando termino de falar, a menina aparece na mureta. Olho para seu rosto e até o branco dos seus olhos fica ruborizado quando me vê. _ Eu... trouxe sua comida, pai. Fiquei preocupada que não tivesse almoçado. Ontem o senhor também não se alimentou direito. Pode ficar fraco. - fala, desviando o olhar do meu. Meus olhos famintos percorrem seu corpo. Sinto-me aquecer. Estou enlouquecendo por causa dessa menina. _ Já te avisei que não te quero por aqui! Aliás, o que faz aqui? Não era hora de estar no curso? - Fernando é duro com a menina. _ A responsável pelo gerenciamento da Multi-languagem ligou avisando que vai ter dedetização no prédio. Ficaremos sem aulas por três dias. - Larissa fala, fazendo um coque frouxo nos fios ondulados. _ Espero que eles reponham esses dias faltosos, não pago uma dinheirama danada para você ficar em casa. - O veterinário fala, pegando a sacola da mão da menina. _ Creio que eles acrescentaram mais dias de aulas na grade curricular do curso. Bom, deixa eu ir que fiquei de fazer um bolo para a minha mãe. - diz, dando um abraço no pai e um beijo no rosto dele. Vejo o homem se desmanchar e me pergunto se eu teria a mesma reação se fosse eu ali, recebendo um abraço da minha filha. Se os sentimentos que vejo espelhados em seus olhos também seriam refletidos nos meus. Naquele segundo, senti inveja do meu funcionário. Ele, para sempre, enquanto vivesse, teria algo que o destino tirou de mim, me castrando dentro do útero da minha mãe. Invejei a forma como sua filha o olhava com idolatria, a preocupação com o seu progenitor estampada em seu jovem rosto. Invejei o carinho desmedido, invejei o abraço que ele ganhou, um gesto de puro amor sem nojo ou coisa do tipo, uma vez que o homem está fedendo a bovinos e coberto de suor. Eu desejava ter o que ele tem com ela, essa cumplicidade entre pai e filha, essa conexão mágica que o deixou com cara de babaca assim que a viu surgir com uma marmita em mãos. Contudo, eu não teria. Olhei para a ragazza que soltava o pai do seu "laço" de carinho. Larissa estava vestindo um macacão comprido de cor verde, realçando ainda mais a cor dos seus olhos. _ Eu estou indo para casa, te dou uma carona - falei, olhando para o pai e a filha. A menina perdeu a cor saudável do rosto, seus olhos ficaram enormes. O veterinário me olhou franzindo o cenho e depois olhou para a garota. _ Não tem necessidade disso, senhor Pietro. Larissa está acostumada a andar por essas terras. _ Eu insisto, não me custará nada levá-la, afinal é caminho - falei com seriedade. O pai olhou para a sacola em suas mãos e depois para o exterior da construção; ele pensava no bem-estar dela. _ Certo, já que o senhor insiste. Vai com ele, minha filha, afinal, de casa até aqui é um bom pedaço que você andou. Pensei que Larissa fosse desmaiar, a ragazza ficou quase transparente. _ Sim, pai. - falou, abaixando o olhar. _ Então vamos, senhorita. Passo pelos dois indo em direção ao carro, ansioso para ficar sozinho com ela. A garota me segue, destravo as portas do carro e Larissa entra. Assim que fecho a minha porta, avanço nela, beijo-a com avidez, a ragazza se assusta com meu ímpeto desenfreado. Sugo sua língua, aperto seu seio por cima da roupa. "p***a, estou queimando por ela!" - constato estupefato, sendo que ontem à noite eu tive uma dose generosa do seu corpo, no entanto parece que nunca é o suficiente. Larissa empurra meus ombros, fazendo assim com que nosso beijo seja interrompido. _ Céus, Pietro! Vamos ser pegos assim. Meu pai com certeza deve estar estranhando a demora da nossa partida. - fala aflita. Contra a minha vontade, retiro as minhas mãos da garota e ponho o veículo em movimento. _ Larissa, eu já te avisei e vou falar uma última vez: "não quero que você frequente a baia." _ Mas por quê? _ Não quero que outros homens se aproximem de você. _ Isso é impossível, não posso me isolar do mundo, homens estão por todos os cantos da Terra. _ Me obedeça, garota, não contradiga uma ordem minha, ou poderá sofrer sanções por isso. Larissa emudece, fitando a paisagem pela janela do carona durante o trajeto. _ Chegamos, não se atrase hoje à noite - falo assim que estaciono perto da casa da ragazza e antes que ela desça do carro. _ Até mais tarde, Pietro - diz, fechando a porta e seguindo para a simples residência onde vive.
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