— Um filho?
Hongbin não foi embora depois que tudo acabou, não conseguia fazer isso, não enquanto não soubesse o que se passava pela cabeça do beta. Jung Taekwoon era mais velho que ele, descobrira isso há alguns dias, por mais que o mesmo ainda tivesse uma aparência jovem, ele tinha 36 anos, 3 a mais que o príncipe. Alfas não se casavam com parceiros mais velhos que eles, isso era considerado anormal para os costumes daquela época, todavia, não era como se fosse se casar com o Jung, ele queria apenas um filho.
Mas um filho já era muita coisa.
— Um filho, Hongbin, eu quero ter um filho. — estava de costas para o Kim, porém virou-se para ele naquele momento, os dois ainda estavam deitados sobre a cama, ninguém havia se vestido — Acha que estou tentando arrancar algo de você com isso?
— Eu serei o Rei um dia, não tenho filhos, se gerar um estará gerando meu primogênito, pode reivindicar muitas coisas com isso. — por mais mesquinhas que fossem as suas palavras, o que Hongbin dizia era a mais pura verdade.
Um filho de um Rei sempre seria o filho de um Rei, sendo ou não gerado por meio de um casamento. O que Taekwoon estava pedindo era algo grande demais, uma criança bastarda de alguém muito importante nunca perderia seu valor, independente de onde estivesse. Ter um filho com o Jung além de insensato também era perigoso, qualquer um que soubesse se tratar de um neto do Rei tentaria tirar proveito disso.
— Não posso.
Mas de todas as formas não era como se Taekwoon esperasse que ele fosse simplesmente aceitar. Não estava arrependido, e no fim das contas havia conseguido se livrar dele, Hongbin não atenderia seu pedido e provavelmente sumiria para sempre depois disto.
Ele não iria querer ficar se arriscando.
O beta vestiu-se rapidamente, algo que foi repetido pelo Kim. O sol logo iria raiar e precisava ir embora dali antes disso, não era bom ser visto saindo da casa de um beta solteiro, especialmente devido a má fama que sua própria família tinha de dormir com todos. Seu pai dissera uma vez que aquilo não era bom, por mais que estivessem já acostumados a ter uma vida assim.
— Não importa. — o Jung disse assim que o príncipe passou por ele com a intenção de deixar a casa — Se não for você, será outro, não faz nenhuma diferença para mim.
Havia dito de propósito, alfas eram muito orgulhosos e certamente o comparar com qualquer um o deixaria muito ofendido, mesmo que quisesse fingir que não. Hongbin guardou aquilo só para si, olhou fixamente nos olhos do beta e depois partiu.
Taekwoon sempre achou os alfas insuportáveis, principalmente quando eles acreditavam serem muito importantes.
[... Herança dos Alfas ...]
— Está nervoso?
Perguntar para Jooheon se ele estava nervoso era como brincar com sua cara, era mais do que óbvio o quanto ele estava nervoso, suas mãos tremiam e não havia dormido a noite toda, só conseguia pensar no quanto aquele dia era importante e que nada poderia dar errado. Viveu e ensaiou mentalmente o que faria, o que falaria e até o pensaria, mas naquele momento, não recordava-se mais de nada.
— Estou... — confessou, falava mais para si mesmo do que para Kihyun, que fora quem ficara por perto o dia todo. Kihyun havia se tornado muito próximo do Young — Eu estou bonito?
E como Jooheon não estaria bonito? Seus cabelos negros estavam precisamente cortados na altura de seus ombros, e combinavam perfeitamente com seus olhos pequenos e puxados, o vestido branco se acomodava com perfeição sobre a pele alva do Young, Jooheon se parecia muito com algo precisamente planejado para ser divino.
E talvez esse fosse o seu único defeito.
— Vamos, todos estão curiosos para te ver.
— Sua família tem muitos membros, há tantas pessoas aqui. — comentou ao olhar pela janela, do andar de cima podia ver bem a enorme quantidade de pessoas que iam e vinham de um lado para o outro da Fortaleza — Appa sempre falava sobre isso, sobre vocês serem muitos, sobre o poder dos Wu, ela acha que um dia serão mais poderosos que o próprio Rei.
Kihyun apenas sorriu de lado, existiam muitos tipos de poderes, o poder de uma coroa, o poder de uma espada e a mais poderosa das armas, a língua. Os Kim tinham a coroa, e os Wu tinham a espada, aliás, muitas delas. Haviam muitas coisas as quais Jooheon ainda não sabia, e o ômega mais velho infelizmente não teria muito tempo para o ensinar, afinal, o mesmo já passara dos 28.
O acompanhou até o lado de fora da casa, onde Hyunwoo o esperava. Com o passar dos anos, cada casa criou suas próprias tradições, e os casamentos passaram a ser realizados de uma maneira diferente, sempre respeitando as tradições da Casa do alfa, pois o ômega passaria a pertencer àquela casa também.
Portanto, naquela noite, Jooheon se tornaria um Wu, abandonando de vez o brasão e os estandartes dos Young.
— Hyunwoo. — o ômega já havia entendido que deveria chama-lo apenas pelo nome, que não deveria se curvar ou chama-lo de senhor, Hyunwoo preferia mil vezes que se tratassem como iguais — Eu...
— Está tão bonito que sinto vontade de não perder tempo com o casamento.
O ômega o olhou muito assustado, não havia entendido o que o mais velho havia dito e em sua concepção ele estava literalmente desistindo de se casar. Os olhos alargados do Young haviam feito o Wu soltar uma pequena risada.
— Estou dizendo que preferia mil vezes subir com você para o quarto agora. — o alfa o segurou pela cintura, algo que ele nunca havia feito antes, portanto, fora muito inesperado — Estive tão ocupado, m*l pude ficar perto de você, m*l pude falar com você, me perdoe por isso.
— Não há nada para ser perdoado.
— Há sim, estou estragando nossa festa de casamento.
Jooheon não estava entendendo nada, não havia tido contato suficiente com seu noivo para poder entender seu comportamento, todavia, quase entrou em desespero quando o mesmo o ergueu do chão com um dos braços, e que, ao invés de saírem na direção dos convidados, estavam voltando para dentro da casa.
Não conseguiu reagir, queria apenas perguntar o que estava acontecendo, mas não sabia se deveria abrir a boca. Jooheon estava confuso, foram muitos dias de preparação para a festa, parentes vieram de longe e ouvira várias vezes seus sogros falarem sobre como era difícil juntar uma família tão grande em um só lugar. Por que Hyunwoo estava ignorando tudo isso e subindo as escadas da casa?
A porta no fim do corredor foi aberta e fechada logo em seguida. Jooheon foi colocado no chão.
— Por que estamos aqui? — finalmente conseguiu perguntar.
Mas ao invés de responde-lo com palavras, o alfa o ergueu novamente, desta vez o pondo sobre uma mesinha recostada à parede, o Young sentiu uma ânsia gelar seu estômago quando o Wu afastou seus cabelos para poder sentir melhor o cheiro de seu pescoço. A ponta do nariz do mais alto roçava em sua pele e o fazia sentir-se ainda mais ansioso, mesmo sem saber pelo quê.
— Mas e o casamento? — Jooheon só conseguia pensar nas pessoas os esperando lá fora.
— Que os deuses nos abençoem.
Que os alfaiates de Templos os desculpassem, pois o vestido tão bem trabalhado e que demorara semanas para ficar pronto ficara em ruínas, Hyunwoo não o poupara de sua pressa tão inexplicável. A pele alva do mais novo se avermelhava enquanto tudo acontecia, não porque o Wu o machucava, mas porquê o ato de ter suas roupas rasgadas o deixavam muito e******o, e de uma forma que não entendia, aquilo o agradava muito.
Nunca havia se deitado nem com alfa e nem com beta, portanto, não sabia o que deveria esperar. Não sabia do que gostava e do que não gostava, sequer saberia dizer se as coisas eram mesmo feitas assim. Não falavam sobre isso, apenas lhe diziam que seu alfa faria tudo e que ele deveria apenas obedecer e fazer tudo o que ele quisesse.
Todavia, estava gostando.
Estava gostando da forma com que Hyunwoo beijava seu pescoço, da forma com que apertava suas coxas e da forma que os dentes raspavam na pele.
— Esqueça tudo o que te ensinaram. — o alfa sussurrou em seu ouvido — Esqueça tudo o que te disseram, eles estavam mentindo para você.
— Do que está falando?
— De tudo. — o Wu parou para poder olhá-lo fixamente nos olhos, as bochechas do ômega estavam muito coradas, mas já não poderia dizer se por vergonha ou excitação — Pertenço a você da mesma forma que você pertence a mim, nós nos pertencemos. — o alfa tirou a própria camisa, segurou uma das mãos do mais novo e a colocou sobre seu peito — É um Wu agora, meu ômega, não deixe que ninguém te dê ordens, não deixe que te controlem, não deixe que tomem decisões por você.
O alfa beijou seus lábios logo em seguida. Era difícil acompanha-lo, mas descobriu que ficava mais fácil quando parava de pensar. E talvez fosse apenas isso que Jooheon precisasse, parar de pensar nas coisas ao seu redor, pensar no que as pessoas diriam, pensar no que lhe era permitido e o que não era.
“É um Wu agora, meu ômega”.
Hyunwoo o desceu da mesa e o virou, sua menta já estava completamente nublada pela excitação que sentia, sua lubrificação já começava a escorrer pelas pernas, pernas estas que estavam bambas.
— Mais do que o seu corpo, Jooheon, eu desejo ter o seu coração.
[... Herança dos Alfas ...]
— Ômegas não deveriam sair sozinhos à noite.
Hoseok olhou por cima do ombro mesmo que fosse capaz de reconhecer muito bem aquela voz, a voz que mais o deixava irritado e que mais desejava nunca mais ter que ouvir. Hyungwon sentou-se ao seu lado mesmo sem ter permissão, o ômega afastou-se dele imediatamente, porém não levantou-se para ir embora como costumava fazer sempre.
— Essas terras são do meu appa, é você quem não deveria estar aqui. — a arrogância estava sempre presente em seu tom de voz, porém aquilo já não incomodava mais o Chae.
Pelo contrário, o divertia.
— E perder de admirar sua beleza sob a luz do luar? Jamais.
A verdade era que aqueles encontros, mesmo que não planejados por parte do ômega, acabavam por acontecerem diversas vezes ao mês. Hoseok sempre ia para o mesmo lugar quando estava chateado ou triste por algo, e mesmo que não lhe dissesse o motivo, Hyungwon aparecia para que de alguma forma fizesse aquela tristeza passar.
Hyungwon não odiava Hoseok como o Kim pensava.
— Por que você está sempre debochando de mim? — o ômega ralhou com o outro, detestava quando o Chae usava aquelas palavras, pois sempre acreditou que elas eram falsas — Não se cansa disso?
— E quem disse que estou debochando?
O Kim o olhou com ainda mais raiva, detestava a forma com que o Chae parecia achar tudo simples, agir como se o Kim fosse um ômega como qualquer outro e nunca se importar com suas palavras grossas ou suas atitudes impulsivas. A verdade era que Hoseok detestava o fato de não conseguir deixá-lo irritado.
Odiava sua maldita calma.
— Meu avô deveria ter te deixado morrer de fome.
Nada poderia ser pior do que ouvir aquilo, Hoseok acreditava que Hyungwon se zangaria naquele momento, porém tudo o que encontrou foi mais um de seus sorrisos ladinos e sua expressão de quietude.
— Se eu estivesse morto, — o alfa o olhou em silêncio por dois segundos — quem estaria em seu coração agora, Hoseok?
O Kim havia perdido a paciência, ergueu-se rapidamente de onde estava e bateu a terra que havia se prendido na roupa, não estava muito longe de casa, se caminhasse em linha reta chegaria em poucos minutos, fecharia as portas de seu quarto e ignoraria qualquer tentativa de sua mente de se recordar do que havia acabado de ouvir.
— Você parece um castigo que os deuses me deram. — o Kim já não sabia o que dizer, aquela fora o pensamento que lhe restara.
— E talvez eu seja, talvez os deuses estejam te castigando pelos seus comportamentos errados.
Hoseok se inquietara.
— Não há nada de errado em querer ser livre. — o respondeu.
— Mas há em querer ser superior. — Hyungwon o contrapôs.
O Kim estava confuso, apenas Hyungwon o respondia daquela forma, portanto, ainda não sabia que palavras usar para se defender. Detestava quando perdia, detestava ainda mais quando perdia para o Chae.