NOVE: O Que Somos e o Odiamos

2405 Words
O som da cama saindo do lugar ecoava pelo quarto como se competisse pelo que poderia ser mais alto, se os pés de ferro arrastando-se pelo chão ou os gemidos de Jooheon. À princípio, se envergonhava em aparentar-se tão devasso diante dos toques de seu alfa, mas o sentimento de vergonha aos poucos desaparecia diante de todas as sensações novas experimentadas por seu corpo. Ouvira dizer que os Wu eram devassos, que a paixão pelo sexo estava em seu sangue, eram fortes e violentos até mesmo quando estavam na cama. Jooheon não entendia o que aquelas palavras queriam dizer, mas agora, experimentava isso na pele. E era bom. Mais do que isso, era a melhor coisa que já havia experimentado, m*l começara e já se perguntava quando fariam aquilo novamente. Suas pequenas mãos seguravam nos ombros de seu marido enquanto sua cintura era maltratada pelos dedos impacientes do outro, era empurrado para baixo e penetrado ainda mais fundo. No começo, doía de uma forma que quase não conseguia suportar, mas essa dor se foi tão rápido quanto chegou graças àquele cheiro que o deixava com a mente não branca. Olhou de perto para o rosto de Hyunwoo, ele era tão bonito, todas as suas expressões eram bonitas, principalmente a exposta agora. Seus olhos fechados, sua boca entreaberta. Perfeito. — Hyunwoo... — Hum? — Você pode abrir os olhos? E lá estavam eles, os olhos ímpares do primogênito dos Wu, brilhantes e que chamavam tanta atenção que era praticamente impossível não parar para olhá-los. Um castanho e outro verde, haviam lhe dito que eram exatamente iguais aos de Wu Yifan, o antepassado que marcou o nome dos Wu na história. Hyunwoo era destinado a grandes coisas, os sábios anciões costumavam dizer isso, e Jooheon deveria estar pronto para viver essas conquistas ao seu lado. — Seus olhos são tão bonitos. — as mãos do ômega o tocaram no rosto, ergueu-se o suficiente para que o m****o do lúpus saísse de dentro de si — És tão bonito, meu alfa. — Me chame de “meu alfa” de novo que não vamos sair daqui hoje. O mais velho riu do que ele próprio havia dito e logo empurrou o ômega de volta para o colchão, deixando as costas do mesmo coladas ali. O rosto do menor ficou vermelho diante de um olhar tão sério, sentia-a sendo analisado, quando na verdade estava sendo admirado pelo Wu. — Você é lindo. — ele lhe disse — Não tenho medo de parecer egoísta ao dizer que estou feliz por tê-lo apenas para mim, unicamente meu. Jooheon sorriu. — Estou feliz em ser seu. Por anos de sua vida suas palavras foram ensaiadas, mas daquela vez ele não estava mentindo. Estava feliz em estar ali, tudo naquele lugar era completamente diferente das coisas que conhecia, o que incluía Hyunwoo. Wu Hyunwoo estava longe de ser o alfa sério e indiferente que sempre acreditou que ele fosse, Hyunwoo era gentil e dono de palavras que faziam seu coração e seu corpo formigarem. As unhas nem tão curtas do ômega se cravaram na carne do Wu enquanto era preenchido mais uma vez, não demorou muito para que aquilo se tornasse a melhor coisa do mundo, o assustando com a própria ânsia que passava a ter pelo alfa indo cada vez mais fundo dentro de si. Seu corpo pequeno alcançava uma temperatura que nem mesmo suas piores febres haviam alcançado. Poderia incendiar. — Eu vou te marcar. — ele informou ao sussurrar ao seu ouvido — Você está pronto? — Sim. Haviam lhe dito muitas coisas sobre como seria ser marcado, porém naquele momento Jooheon não quis pensar em nenhuma delas, estava feliz e era apenas isso que importava, e aquilo que ele sentiria ao ser marcado interessava apenas para ele próprio e mais ninguém. Sentiu-se bem, queria aquilo.       [... Herança dos Alfas ...]       — É, bem, como podem ver, ou melhor, ouvir. — Lorde Seokmin dizia aos convidados enquanto andava de um lado para o outro com uma caneca grande de cerveja na mão — Eles preferiram pular a parte chata e toda a bajulação desnecessária, então vamos encher a cara, brigar com baldes na cabeça e urinar nas fogueiras assim como deve ocorrer em um bom casamento Wu. — todos riam enquanto o patriarca enchia sua caneca mais uma vez — E que os deuses os abençoem! Todo o grande salão estava organizado em grandes mesas, mesas estas reservadas para cada ramo da família, para que assim os irmãos pudessem sentar juntos. A Casa Wu era famosa por sua união, eles não brigavam entre si, brigas entre parentes eram m*l vistas e consideradas como maldição, por isso, os Wu presavam pela união de todos. O Lorde assentava-se acima dos demais, sua mesa ficava bem diante à porta de entrada, local perfeito para avistar todos os que entravam e saíam, além de haver uma cadeira de cada lado da sua, onde seus esposos se sentavam. Seokmin sempre tratou Seungkwan e Hansol da mesma maneira, nenhum deles esteve acima do outro por um momento que fosse, e era lei em sua casa que ambos fossem tratados de igual. Algo que não era difícil, pois tanto Hansol, quanto Seungkwan, pertenciam a famílias muito importantes no Reino. — Dizem que quem é vivo sempre aparece! — Seokmin, meio tonto depois da oitava caneca de cerveja, gritou ao ver seu tio se aproximar e arrancar uma gorda coxa de peru da mesa principal — Achei que já estivesse caquético e prostrado sobre uma cama. — Me respeite, filhote de lebre. — Wu Chenle, era o irmão caçula e Wu YukHei, e também o tio que Seokmin menos conseguia ver — Apenas 10 anos nos separam, se estivesse caquético você seria o próximo. — Sou um homem de muito vigor. Chenle conhecia seu sobrinho muito bem para saber em que assuntos não deveria entrar, assuntos estes que o Lorde provavelmente falaria a noite inteira e ninguém iria conseguir pará-lo. Seokmin já havia passado dos 60 anos há um bom tempo, mas ainda lhe nasciam filhos aos montes. — Nasceram mais 2 desde a última vez que o vi nesta casa. — o mais velho também vivia na capital, mas raramente aparecia para visitas, alegava estar sempre muito ocupado — Me entristeceu muito que não tenha vindo vê-los após o nascimento. — Se for vir sempre que tiveres outro filho acabarei por morar aqui. — Chenle destroçava mais partes do peru, estava de pé, mas seus pés vacilavam de um lado para o outro, já não era tão jovem e tão forte para a bebida quanto era antes — 16 filhos, francamente. — ele resmungava — Tive apenas 2 e isso já me causou muitos problemas. — Dois? Somente então que Chenle notou que falava alto e não em pensamentos, como acreditava que estava. — Ah... — ganhou tempo mastigando mais um pedaço de carne — Ele está morto, não fale sobre isso com o Jisung, ele não gosta desse assunto. — Eu não sabia que haviam tido outro filho. — É... eu tive outro filho.       [... Herança dos Alfas ...]       — E você disse a ele que queria ter um filho com ele? Taekwoon estava contando para seu irmão o que havia acontecido entre ele e o príncipe, Matthew ria sem parar ao saber das reações do nobre a respeito do que o beta havia lhe pedido. A verdade era que o Jung não falava sério com o mesmo, e havia lhe feito aquele pedido apenas porque tinha certeza de que isso o afastaria para sempre, e que nunca mais iria tê-lo em seu encalço de novo. Talvez tivesse um filho algum dia, mas o príncipe Hongbin não teria nada a ver com isso. — Você foi malvado com ele. — Ah, não fui não. — o beta riu e ergueu-se da cadeira em que estava — Ele merecia uma lição, conheço bem esse tipo de alfa que acha que pode se divertir com quem quiser e que as portas e pernas de todos sempre estarão abertas para eles, ele está muito enganado se acha que pode ser assim comigo. Como qualquer irmão ciumento, Matthew não gostava que Taekwoon se deitasse com alfas, mas isso era apenas um egoísmo seu, e ele não tinha direito nenhum de se meter nisso. — Só porque me enchi de esperanças de entrar para alguma família importante desse lugar. — o mais novo se espreguiçou e pôs os pés sobre a mesa — Ser tio do filho do futuro Rei poderia me arranjar algumas vantagens, quem sabe até subisse de patente. — Se quiser subir na vida dando um golpe em alguém, faça isso sozinho. — o beta deu a volta na mesa e arrastou os pés do irmão o obrigando a coloca-los de volta no chão — E não coloque os pés na mesa, já disse isso centenas de vezes.     [... Herança dos Alfas ...]       Os noivos só apareceram no próprio casamento quando a noite já havia engolido tudo e metade dos convidados já estavam tão bêbados que m*l diferenciavam um cão de um cavalo. Todavia, eles não pareciam arrependidos do tempo que passaram dentro do quarto. Hyunwoo dizia a Jooheon que haveriam muitas oportunidades para que ele conhecesse sua família quando ela estivesse sóbria. — Quem são aquelas mulheres ali? — o ômega perguntou ao notar uma mesa onde só haviam mulheres alfas, elas não se pareciam fisicamente para serem todas irmãs. — São filhas da minha tia Jéssica, bastardas legitimadas. — aquela história chegava a ser engraçada — Não se parecem porque todas são meias-irmãs, tia Jéssica nunca se casou e todas as suas filhas são de mães diferentes. Jooheon olhou novamente para elas, não conhecia muitos bastardos legitimados em Templos, a maioria dos nobres apenas escondia os filhos que tiveram fora de seus casamentos, alguns chegavam a pagar para que as mães sumissem com as crianças. Mas haviam muitas outras mesas que não eram ocupadas apenas pelos Wu, pois haviam muitos membros das famílias de Hansol e Seungkwan, os Kim e os Zhang também estavam ali para festejar aquela união que um dia seria muito importante para o Reino. Na mesa dos Zhang estava a família da prima de Seungkwan, Capitã Zhang Minhyun, uma mulher muito importante para o Reino, e ali também estava seu filho, Zhang Hakyeon. Hakyeon gostava de festas, gostava de ver as pessoas se divertindo, dançando e brigando, mas não era sempre que podia comparecer em eventos assim, quase sempre era limitado aos festejos de sua família e muito se animava quando era convidado a festejos com os Wu. Não era sempre que os via, mas os filhos do Lorde eram bastante sociáveis e simpáticos e sempre o chamavam para participar de qualquer coisa que estivessem aprontando. — Nós vamos subir nos muros, você vem também? — Wu Hyunggu era o dono das piores ideias, Hakyeon já sabia que se fosse seguir sempre pela cabeça dele, acabaria se metendo em problemas. O ômega era protegido demais pelos irmãos, então sempre que encontrava uma oportunidade para fazer algo que geralmente não lhe deixavam, ele fazia e ainda convencia os outros a o acompanharem. — Não acho que seja uma boa ideia, Appa não vai gostar disso. — Sua Appa está mais bêbada que o meu pai, vamos, ela nem vai notar que saiu. Ele era convincente demais. E, de fato, Minhyun sequer notou quando Hakyeon saiu, e YooA estava conversando em outra mesa naquele momento. O ômega Zhang seguiu Hyunggu e Sewoon, que só tinha 9 anos, mas já seguia todos os passos do irmão para ser mais um ômega Wu que ninguém iria conseguir segurar. Os três saíram do salão e entraram na parte interna do muro, lugar onde apenas os Wu conheciam, dentro havia uma escada que os levariam até a parte de cima do mesmo. Haviam torres de sentinela, mas Seokmin dera folga aos mesmos naquele dia, pois com o lugar lotado ninguém ousaria tentar invadir. Corria-se o boato de que quando estavam bêbados os Wu conseguiam representar ainda mais perigo. — Tem alguém lá fora. — o ômega mais novo foi quem avistou primeiro, apontava para algo se mexendo no meio da escuridão, a lua estava um pouco clara e conseguia ver a silhueta de um homem alto, muito facilmente um alfa — Precisamos fazer alguma coisa, Hyunggu! O rapaz rapidamente revirou as coisas que haviam pela torre. — Vou acertar uma flecha nele, não se preocupem.     [... Herança dos Alfas ...]       Ravi odiava os Park, esse ódio guardou desde sempre, mas também haviam muitas outras coisas que ele também havia passado a odiar. Odiava ver amores fraternais sendo expressados, odiava quando amor era o sentimento principal de uma família, odiava família. Ravi odiava tudo o que não conseguiu ter ou ser, mas principalmente, odiava as coisas que quase teve. Fora treinado por Wu Jun Hui, mas isso nunca o tornou um Wu, ele nunca passou de um protegido e sabia muito bem disso. E agora, sentado do lado de fora da Fortaleza Wu, podia ouvir o barulho da música e das risadas, aquilo era doloroso. Porque era algo que não tinha e nunca teria. Ravi vivia pelo seu ódio, vivia para ser aquilo que um dia jurou para sua avó que seria, e por esse objetivo estava disposto a sacrificar qualquer coisa, até mesmo sua própria felicidade. Ele não era feliz, ou pelo menos, estava tão cego pelo seu ódio que não conseguia compreender mais direito todos os seus demais sentimentos. Tudo no fim era apenas raiva e mais raiva se acumulando por dentro, uma raiva que aumentava a cada sorrido alheio. — Eu odeio todos vocês! — gritou para o nada enquanto cambaleava bêbado de um lado para o outro, a garrafa em sua mão se derramava a cada movimento seu — Odeio os Park, odeio os Wu, odeio os Kim, odeio qualquer merda de família que se acha no direito de serem felizes enquanto eu estou morrendo. Vocês não sabem de nada, só enxergam a si próprios enquanto nós, sangue de percevejos, morremos aos montes nas ruas. Dera mais um passo errante para o lado, havia bebido tanto que ficar de pé se tornou uma tarefa muito difícil, o vento soprava contra o seu rosto e seus sentidos estavam tão dormentes que não conseguiu desviar quando uma flecha veio em sua direção e o atingiu em cheio.
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