DEZ: Os Laços Que Não Podemos Ver

3414 Words
 — Mas que merda vocês estão fazendo aí?                 Chenle já estava bêbado demais para medir as próprias palavras e já não se importava em estar ou não usando palavras educadas para se referir aos sobrinhos netos. Ouvira a agitação em uma das torres e acreditou ser apenas mais um casal em busca de prazeres próprios, porém o barulho característico de flecha o fez subir as escadas apertadas arrastando-se nas paredes enquanto xingava seja lá quem fosse encontrar ali.                 Mas já não era surpresa que fosse Hyunggu.                 — Tio avô, há alguém lá fora! — o mais novo entre eles, Sewoon, apontou para fora com veemência, teria arrastado o próprio tio se tivesse força para tal — Um intruso!                 O alfa alarmou-se com aquela informação, um intruso poderia significar diversas coisas, desde alguém apenas os espionando, até prováveis ataques de famílias desagradadas com os Wu — ou com filhos desonrados, algo que se tornava cada vez mais comum para o Lorde a cada filho que se tornava adulto. O Wu mais velho se inquietou ainda mais quando alçou os olhos para o, até então, estranho jogado no chão há alguns metros dali.                 Hyunggu tinha mesmo a pontaria miserável que seu pai tanto se gabava.                 — Não é um intruso.                 E foi a única coisa dita por ele antes de descer rápido as escadas, esquecendo-se de sua própria embriagues e indo a fim de resolver o provável grande problema em que seu sobrinho neto meteria a família. Alfas possuíam uma visão perfeita sob a luz da lua, e por isso enxergava bem o indivíduo caído em meio a grama crescida de redor da Fortaleza.                 A flecha o havia atingido no ombro, sangrava demais e o homem de cabelos loiros cheirava forte à bebida, embriagado demais para erguer-se e resolver seu problema sozinho. Rodeou o outro braço ao redor de seu ombro e rumou de volta a fim de dar um jeito naquele ferimento, pois do contrário ele acabaria por morrer sangrando ali a noite inteira. Seus sobrinhos e Hakyeon esperavam no portão menor para poder abri-lo, um que abriria com mais facilidade e fecharia rápido no caso de tratar-se de uma provável armadilha.                 O arrastou até o celeiro, o deixando no chão já cansado pelo peso alheio. Chenle constatou estar velho demais para ficar arrastando pessoas por aí.                 — Hyunggu, vá pegar qualquer coisa com álcool para limpar isso, traga algo que sirva para amarrar depois. — o disse assim que conseguiu respirar — Vá rápido!                 — Sim, senhor.                 Hakyeon parecia assustado demais diante da imagem de Ravi sangrando no chão, de longe ele não conseguia ver quem era, e agora estando ali a olhar para ele finalmente estava se dando conta de que haviam feito algo muito errado ao atirar uma flecha na direção de alguém sem sequer saberem de quem se tratava.                 — Deite a cabeça dele nas suas pernas, eu vou arrancar a flecha.                 O Zhang, muito nervoso agachou-se ao lado do corpo do loiro, e com muito medo de machucá-lo ainda mais, posicionou a cabeça do alfa sobre seu colo. Ravi parecia estar longe dali, não falava nada, mas seus olhos estavam abertos. Era estranho ver alguém sangrando sem que gritasse, mas o cheiro forte de bebida lhe dizia que o mesmo estava bêbado demais para sentir qualquer coisa que fosse.                 — Tape a boca dele com as suas mãos. — Chenle mandou — Mesmo estando embriagado ele vai sentir quando eu puxar, e não queremos que todos os que ainda estão acordados venham ver o que está acontecendo aqui, as coisas podem ficar bem feias para o Hyunggu e pra você também.                 Sewoon ainda estava sob a condição de defesa de dizer que fora arrastado pelo irmão mais velho para aquilo e seu castigo não passaria de algumas palmadas de Seungkwan e dois ou três dias sem poder sair para brincar com os outros lá fora.                 — Tudo bem.                 O mais velho quebrou a flecha pela metade, só em mexer na mesma Ravi manifestou sentir dores agudas e tentou gritar, mas as mãos de Hakyeon foram mais rápidas em mantê-lo em silêncio.                 — Eu não posso puxar, se fizer isso a flecha vai rasgar ainda mais os músculos. — as malditas pontas triangulares que Seokmin insistia em manter eram bem cruéis quando precisavam ser removidas — Vou empurrar para o outro lado e atravessá-la.                 — Mas isso não vai machucá-lo muito?                 — Segure a mandíbula dele com força, pois ele vai querer gritar. — Chenle mordeu a própria língua, aquilo não era algo bom de se fazer e nem de se olhar. Empurrou a flecha com força para dentro de uma vez só, para que a dor viesse em golpes únicos.                 O corpo de Ravi impulsionou para cima e ele tentou gritar, mas Hakyeon permanecia firme em tapar sua boca. A ponta saiu do outro lado e Chenle passou a puxá-la para fora. O sangue vivo fazia com que a mesma ficasse escorregadia e difícil de segurar, o que tornou o processo mais lento e ainda mais doloroso. Doía tanto que dos olhos do loiro começaram a sair lágrimas.                 E alfas só choravam em situações absurdas, ainda mais se tratando de alguém como ele. Estava perdendo sangue demais e ficando mais fraco, não tinha mais forças para se debater diante da dor, e tudo o que conseguiu fazer foi colocar sua outra mão sobre as mãos de Hakyeon, para que de alguma forma sentir a pele do ômega em seus dedos o acalmasse.                 Hakyeon olhou em seus olhos, o alfa também o encarava, e de algum modo parecia estar pedindo por socorro, implorando para que ele fizesse alguma coisa para aquela dor passar. Mas o Zhang não poderia fazer nada, apenas ficar ali com ele. Isso já bastava?                 — Trouxe a bebida que o senhor pediu!                 Hyunggu agachou-se ao lado deles, seu estômago se revisou ao ver aquilo, por mais acostumado que fosse a ver seus irmãos aparecerem dia ou outro dilacerados de alguma forma, ou até mesmo eles próprios machucarem um ao outro em alguma brincadeirinha tola entre alfas. Chenle conseguiu arrancar a flecha, que tinha uma ponta tão grossa e afiada que chegava a dar agonia só de pensar em ter a mesma perfurando sua pele.                 Quando Chenle jogou a bebida sofre a ferida do loiro, tudo o que ele conseguiu fazer foi se debater fracamente e logo depois relaxar o corpo inesperadamente. Ele havia desmaiado. Mas já era o esperado, ainda havia aguentado muito, a maioria desmaiava no primeiro solavanco da flexa sendo retirada. O Wu mais velho bebeu o restante que ficou no copo e o atirou para longe antes de atar o pedaço de pano trazido pelo sobrinho.                 Ravi agora estava desacordado, mas agora o que restava era apenas esperar, morrer ele não iria.                 — O restante do problema é de vocês. — foi o que o alfa disse antes de se levantar — Não o deixem sozinho aí, pode haver outro m*l entendido se alguém que não o conhece o encontrar aqui dentro, e acho que uma flechada por noite já é o suficiente para ele.                 — Sim, senhor.                 Mas Hyunggu desatou a falar assim que teve certeza de que seu tio avô já estava longe o suficiente e que não os ouviria mais.                 — Eu quase matei sem querer um espadachim que sobreviveu a dezenas de batalhas, é agora que devo me considerar a vergonha da família Wu? — o mais novo se inquietou, seu appa iria matá-lo assim que soubesse de tudo, tinha certeza disto — E se o appa me der em casamento a ele como forma de um pedido de perdão?                 Hakyeon alargou os olhos.                 — Há essa possibilidade?                 Hyunggu ponderou um pouco.                 — Bem, pelo sim, pelo não, irei pensar em uma forma bem criativa de fingir que eu não fiz nada e que este moço foi atingido por um estranho no meio do mato, e que nós, heroicamente, o salvamos de morrer sozinho e no frio triste da noite.                 Era impossível que se mantive sério, mesmo em um momento daqueles. Hakyeon achava engraçada a forma como o Wu resolvia seus problemas, ele certamente mentia muito bem, além de ter um rostinho bonito que era encantador demais para que fosse simplesmente castigado e trancafiado por uns dias para que não criasse mais um enxame de problemas.                 — Você se daria muito bem com Jaehwan. — foi a única coisa que se passou por sua cabeça naquele momento tão estranho — Mas o que vamos fazer quando ele acordar?                 — Eu não sei.                 O alfa loiro permanecia desacordado com a cabeça sobre seu colo, Hakyeon sentia-se nervoso, ao mesmo tempo em que estava com medo. Medo de que aquela aproximação, tão sem nexo ou sentido, o fizesse se sentir ainda mais apaixonado por aquele homem. Ravi era tão bonito, ainda mais quando o olhava de perto, seus olhos fechados lhe davam um ar de sossego, por mais que o ômega soubesse que aquilo era a última coisa que ele sentia.                   [... Herança dos Alfas ...]                       — Você sempre acorda tão cedo assim?                 Mill, cunhado de Hoseok, olhou para trás ao ouvir a voz do mesmo. Estava debruçado sobre a sacada de uma das torres baixas para ver o movimento lá fora.                 — Sim, estou acostumado, acordo mesmo que não tenha muita coisa para fazer, Junji não me deixa ajudar os empregados com os serviços, ele diz que me prometeu uma vida de riquezas e não de trabalho. — mas ele parecia estar frustrado — Eu não pedi uma vida de riquezas, eu só queria ficar ao lado dele... e se para ficar ao lado dele eu tenho que agir como um lorde, assim agirei.                 Era bom em alguns momentos, mas ele sentia falta da velha rotina e dos velhos costumes. Quando se casou com Junji, casou-se por amor, e estava disposto a se acostumar com sua nova vida tão diferente da antiga. Junji um dia seria o Lorde de sua casa, e Mill queria estar à altura disso. Os Kim eram a família real, havia se casado com o sobrinho do Rei, estava em uma posição importante agora.                 — Uma vida de riqueza é bem melhor do que ser pobre. — Hoseok disse, mas logo em seguida se deu conta de que suas palavras poderiam soar ofensivas — Quer dizer, não estou dizendo que a vida das pessoas simples não seja digna, só é... eu não iria me acostumar.                 Era estranho ouvir aquilo.                 Hoseok sempre fizera de tudo para parecer alguém abarrotado de serviços, ele nunca estava parado, e sempre fazia questão de se ocupar apenas em atividades das quais todos diziam não ser para ele. Mil estava aos poucos decifrando seu cunhado, entendendo de forma lenta e detalhada, que Hoseok não era exatamente a pessoa que tentava parecer que era.                 E no fundo, talvez só agisse assim por pura rebeldia, quase como uma criança tentando chamar atenção.                 — O que estava olhando aí fora? — perguntou tentando disfarçar as palavras anteriores — Ainda está cedo, não há muita coisa interessante para se ver da janela.                 — Há sim, venha ver!                 O ômega Kim debruçou-se também sobre a sacada, olhando na mesma direção que seu cunhado. Mas diferente do mesmo, não parecia se agradar do que via. Seu avô estava ali, mas obviamente o problema não era ele, e sim quem sempre o acompanhava. Parecia brincadeira dos deuses, quanto mais detestava Hyungwon, mais próximo ele parecia ficar de seu avô, ao ponto de sempre ser visto com ele em todos dos lugares.                 Chae Hyungwon era um maldito com muita sorte, que por algum motivo havia ido parar no lugar certo e na hora certa. Ele não tinha nada, sequer tinha chances de sobreviver, já agora esgueirava-se aos parentes próximos do próprio Rei, entrando e saindo da Fortaleza de sua família como se já pertencesse a ela. E talvez pertencesse, mas Hoseok era cego demais para ver isso.                 — Por que ele está aqui? — indagou o outro — Não entendo toda essa afeição do meu avô para com esse estranho, ele simplesmente surgiu em nossas vidas e parece não querer ir embora.                 — Nossas vidas?                 Involuntariamente Hoseok havia admitido que Hyungwon era parte de sua vida. E ele era, talvez, o único alfa ao qual não partilhava sangue com quem tinha conversas demasiadamente longas, o alfa com quem mais tinha contato e o cheiro que mais teimava em impregnar-se nas mangas de suas camisas.                 — Digo, na vida do meu avô.                 A verdade era que Mill sabia o que estava acontecendo, sabia muito bem o que Choi Siwon estava fazendo ali e o motivo de ter trazido Hyungwon com ele. Mas não podia dizer nada para Hoseok, seu cunhado não entenderia e era mais do que certo que isso acabaria por causar um imenso problema.                 — Eu não sei porquê ele está aqui. — mentiu — Deve estar apenas acompanhando seu avô em alguma visita para o senhor Seungcheol, não deve ser nada muito importante.                 Mas era, era muito importante.                 — Irei descer para falar com meu avô.                 — Por favor, Hoseok, não vá brigar com Chae Hyungwon. — quase implorou, estava cedo demais para haver brigas ali, certamente estragaria todo o dia caso houvesse.                 — Não irei.                 Mas ele não podia prometer nada. Desceu as escadas correndo, por mais que todos dissessem para não fazer isso, pois era perigoso. Hoseok não se importava, na verdade, adorava fazer qualquer coisa que lhe dissessem que não deveria, chegando ao ponto de já não distinguir mais quando se tratava de um aviso dado para a segurança de qualquer um ou um aviso dado exclusivamente para ele.                 Hoseok amava seu avô mais do que amava qualquer outra pessoa, e isso já estava bem claro. Adorava abraça-lo e estar perto dele, além disso, Siwon o único que ainda conseguia lhe impor alguma espécie de limite. Do contrário, as coisas estariam ainda piores.                 — Vovô! — praticamente gritou quando se aproximou — Que bom vê-lo aqui, veio visitar o omma?                 — Sim, querido, eu vim ver como ele estava.                 Mas ele não costumava vir em uma hora daquelas, tinha algo fora do lugar e Hoseok conseguia ver isso agora, era como se alguma coisa cheirasse m*l ao seu nariz. Se juntasse as peças, talvez se desse conta de que apenas ele estava estranhando tudo, enquanto os demais agiam como se estivessem vivendo mais um dia comum. Ainda era muito cedo, eles haviam vindo de propósito naquela hora acreditando que Hoseok ainda estava dormindo.                 — Por que ele continua entrando na Fortaleza de nossa família? — havia tentado se segurar, mas já era quase seu instinto implicar com o Chae — Não é bem-vindo.                 Mas o alfa Chae o ignorou como se nada tivesse ouvido.                 — Não é bem assim, Hoseok, Hyungwon se dá bem com todos aqui, e já estou velho demais para andar por aí sozinho, ter uma companhia é mais seguro.                 Mas o ômega continuava com a mesma expressão de desgosto na direção do Chae, que permanecia calmo da mesma forma que estava desde o momento em que chegou. Hoseok odiava aquilo, odiava sua maldita expressão de tranquilidade, não era para estar tranquilo, era para que Hyungwon revidasse, lhe xingasse ou dissesse qualquer coisa ofensiva a seu respeito.                 Fizesse qualquer maldita coisa além de ficar ali parado o ignorando.                 — Ah, eu esqueci de dizer algo ao Seungcheol, se eu não disser SunMi vai me fazer voltar aqui. — o mais velho soltou o ar frustrado consigo mesmo por ter esquecido algo assim, e talvez com pouca coragem de subir as enormes escadarias — Já estarei de volta, me espere aqui, Hyungwon.                 — Sim, Sr. Siwon.                 Hoseok observou seu avô sumir pela porta principal, e foi preciso passar apenas um segundo para que se virasse para Hyungwon. O alfa o olhava, aparentava já esperar por qualquer coisa que ele tivesse para dizer. O Chae sabia que o ômega aproveitasse dos minutos em que estavam apenas os dois para destilar palavras que não poderia dizer a outra pessoa sem causar grandes problemas.                 — Não gosto de vê-lo aqui. — foi a primeira coisa que disse — Minha casa não é lugar para alguém como você estar.                 — O que é uma pena, o seu rosto bonito alegra o meu dia.                 Hoseok sempre acreditou que aquelas palavras não passavam de deboche, isso o fazia sentir vontade de bater em Hyungwon, mas se continha para não causar maiores problemas para si próprio. Via aquilo como seu limite, dizia a si mesmo que não se rebaixaria ao ponto de agredir alguém como Chae Hyungwon, que não passava de um órfão digno de pena.                 Mas talvez, no fim, Hoseok fosse o único ali que merecesse a pena de alguém.                 — O quero fora de minha casa, Chae Hyungwon.                 — E eu me quero dentro de você.                 O olhar sério do mais alto fez Hoseok recuar um passo. Em sua mente, só havia um sentido para aquilo, sentido esse que o ofendia por demais. Recuou mais um passo e logo depois deu as costas, sentiu-se estranho ao ouvir aquilo, e o mais estranho daquilo fora a vontade de responder “eu quero isso”.                 — Saia de perto de mim.                     [... Herança dos Alfas ...]                     Ravi só acordou depois do amanhecer.                 Tudo estava em completo silêncio, provavelmente todos os convidados da festa ainda estava dormindo, a grande maioria embriagada demais para se dar conta de que já era manhã. Hakyeon não havia pregado os olhos, velara a noite por Ravi, que teve febre ao ponto do suor frio enxarcar o colo do Zhang. Mas se sentia bem, seu coração estava aquecido em ter sido útil, em ter estado perto dele todo aquele tempo.                 — Eu espero que você fique bem. — sussurrou para o homem deitado em seu colo — Tenho medo de como você vai reagir ao acordar, espero que entenda que eu não queria que se machucasse.                 Permaneceu a olhá-lo, e assustou-se quando subitamente os olhos do loiro se abriram. Ele piscou diversas vezes se acostumando com a luz, e aos poucos conseguindo se lembrar de um momento ou outro do que aconteceu. E a dor no ombro estava ali, excruciante e feroz para o fazer lembrar.                 — Zhang Hakyeon... — disse seu nome, sua voz estava um pouco fraca — Ainda estou deitado aqui?                 — Sim... eu não quis me mexer muito, não queria acordá-lo. — não queria sair de perto, na verdade, poderia passar dias com ele ali — Mas fico feliz em vê-lo de olhos abertos.                 — O que aconteceu?                 Era agora que deveria dizer que eles o haviam confundido com um invasor e que ele havia sido atingido por uma flecha de três pontas. Mas e depois? Ravi tinha todo o direito de ficar com raiva. Todavia, apenas com raiva, sendo sangue de percevejos, o loiro não tinha muitos direitos e sequer poderia cobrar algo aos que o machucaram. Hakyeon não sabia dessa parte, ninguém nunca o explicara como era a vida dos órfãos e bastardos que haviam sido abandonados no mundo. Ele não sabia como as coisas realmente era para Ravi, e por isso temia que aquilo causasse consequências terríveis para ele e Hyunggu. — Você... foi atingido por uma flecha e o senhor Chenle o trouxe para cá, nós cuidamos de você. Ravi pareceu acreditar, e de todas as formas estava bêbado demais para saber de onde a flecha havia vindo, havia sido pego de surpresa. — Então eu preciso agradecer a você. — o alfa ergueu o corpo lentamente para conseguir se sentar, o ferimento ainda doía muito e qualquer movimento piorava tudo. Ele se recuperaria logo, alfas tinham essa sorte de fechar as feridas muito rápido — Obrigado, Zhang Hakyeon, serei eternamente grato ao que fez por mim. — Ah... você já me salvou antes, acho que estamos iguais agora. — Não, não estamos. — ele o corrigiu — O procurei porque era meu dever, foi uma ordem de sua Appa, mas você cuidou de mim por bondade, e isso eu não posso esquecer. Deveria dizer a verdade, dizer que o havia ajudado para resolver os problemas em que havia se metido, mesmo que não fosse diretamente o culpado, ele poderia ter impedido Hyunggu de atirar e mesmo assim ficou parado o vendo lançar uma flecha em alguém que sequer sabiam quem era. Mas ele queria ter a gratidão de Ravi, queria ter qualquer ligação que fosse com ele.
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