Leandro logo começa a falar:
_ Querida prima, por mais que nossos laços sanguíneos, sejam fortes, e que seu filho seja o marido da minha filha, tá na hora de frearmos Jorge.
_ Do que você está falando? Meu filho é o prefeito da cidade e como você bem relatou, teu genro. Me poupe Leandro da tua hipocrisia.
_ Isadora, hipocrisia é mentir pra justiça, é roubar a verba da merenda, é tentar matar um vereador, tal qual fez com o jovem Flávio, envolvendo Gustavo! Já sei que foi ele, além de traficar usando os carros oficiais da prefeitura. Então, se fosse outra situação, eu mesmo o prenderia e jogaria a chave fora.
A mulher olha, tremendo, sabia dos crimes do filho, mas não sabia que o primo estava ciente.
_ Sabendo de tudo isso, o que você, como autoridade policial pretende fazer?
_ Justiça, vou abrir inquérito policial, ele será afastado de suas funções devido às suas más condutas.
_ Espero que você esteja ciente que isso abalará Nayara, e que nossa família se rachara ao meio.
_ Não posso acobertar as malandragens de seu filho, com a sociedade, e o parar antes que mais pessoas se firam.
Dizendo isso, saiu. No fundo ela sabia que ocultar o crime dele em relação a Flávio, foi o pior erro que fez na vida.
Tamires, em São Paulo com Teo, vivia momentos maravilhosos, ele a tomava nos braços, e se amavam, sem segredos, a mulher sabia, que seu passado era obscuro, mas deitada, nos braços dele, via uma luz no fim do túnel.
Amanheceu, e Leandro entregou o plantão, antes de ir pra sua casa, pensou em ver a filha, já tinha uns dias que seu espírito pedia isso.
Foi recebido pela Empregada, que pediu que a ouvisse, a mulher contou todas as coisas que vinha presenciado. E de como o prefeito era agressivo com a senhora.
Quando a filha, veio o receber, viu que ela tinha exagerado na maquiagem e foi direto ao ponto.
_ Nayara está tudo bem?
_ Sim, meu pai, porque não estaria. Mentiu.
_ Eu já sei que você está sendo espancada, minha filha, porque você não me disse.
_ Pra que? O senhor também é agressor, quantas vezes embriagado agrediu minha mãe, eu lembro, e agora vem falar do meu marido. Fica longe do meu relacionamento, eu sei me defender.
_ Nayara, do que você está falando?
_ Saia daqui, hipócrita, minha mãe falou tudo!
Transtornado com a atitude da filha , o homem vai para a delegacia, onde pega os relatórios com o depoimento de Renato. Inclusive, o homem confessa que a morte de José Santos foi uma encomenda do juiz Magalhães. Chocado com todas as revelações, começa a pensar como agiria nesses casos. Jorge o prefeito acusado de tentativa de assassinato, tráfico e com absoluta certeza a morte de Flávio, o que levou a prisão injusta de Gustavo. Mas a dor maior, era ver sua filha o acusar de algo que nunca cometeu, violência doméstica.
Irritada com a ousadia de seu pai, Nayara vai até a casa de Gustavo, Edna, estava passando uns dias lá, ao vê-la, Helena a convidou para entrar.
_ Nossa Nayara, o que houve?
_ Preciso falar com dona Edna. Você pode chamar ela pra mim ?
_ Aguarde um pouco...
Logo Edna aparece, e começa a conversar com a sua enteada.
_ Oi, aconteceu alguma coisa ?
_ Sim, podemos conversar num lugar mais reservado?
_ Claro, venha até o escritório...
Helena, que se arrumava pra ir pro foro, achou estranho, mas nada relatou.
Gustavo estava em viagem, vendo a loja esportiva na capital Paulista, e passaria uns dias fora. Maria estava com sua babá, mas essa visita de Nayara, era totalmente estranha.
No escritório;
_ Edna, a senhora está saindo com meu pai há algum tempo, mas não sabe nada sobre ele...
_ Conheço Leandro há quase 20 anos, o que eu não saberia por exemplo ?
_ Quero que a senhora me escute com toda atenção, minha mãe o abandonou, porque ele bebia bastante e a agredia, muitas vezes, eu cheguei e a encontrei desfigurada, ele é agressor, fugiu para essa cidade, e só reapareceu para nos tirar de casa e querer convivência comigo, dizendo que mudou, eu era criança, mas lembro muito bem dos gritos desesperados que ela sofria, eu sou a primeira dama dessa cidade, e se meu pai continuar a querer se meter em minha vida como fez hoje, eu vou o processar por calúnia, por gostar muito da senhora e de seu filho, já estou deixando esclarecido esse problema.
Na delegacia Lira, chefe de transporte do município, procura o delegado e brevemente conta que a intenção do mesmo é matar Renato, como queima de arquivo. Chocado, ele pede a justiça a transferência imediata, do preso, para um presídio. Alegando os motivos, Renato além de autor material de diverso crimes, a mando do prefeito, seria testemunha crucial, para o processo, que já havia sido iniciado desde que o vereador Aquiles acordou.
Estevão sabe através de Eduarda que Gustavo estava na capital, o homem imaginava que longe da cidade, talvez conseguisse maior contato e foi até a loja do rapaz, que se encontrava em reunião com Inácio, seu sócio, infelizmente o irmão dele voltou para o crime devido a dependência química, e Gustavo resolveu ajudar o amigo o internando.
Ao sair da sala, Inácio ver o terrível juiz que fez tanto m*l para o amigo, como a loja estava com clientes, resolveu não se manifestar e saiu sem nada dizer, indo para a sua própria sala.
A secretaria comunicou que tinha um senhor da cidade de Gustavo que queria falar com ele, de cabeça baixa o rapaz diz que ele receberia.
Quando ele entrou Gustavo pediu pra que sentasse e ao levantar a cabeça tomou o maior susto da sua vida!
_ Nem aqui tenho paz, por favor é meu trabalho se retire...
_ Meu filho, eu vi te pedi ...
_ Não fale! Não me chame de filho, não diga isso, eu fui fruto de um abuso, seu canalha...
_ Eu sempre amei sua mãe, nunca tive intenção de fazer m*l a ela.
_ Você nos perseguiu a vida toda, usando sua influência me prendeu por um crime que eu não cometi.
_ Eu me arrependo muito...
_ Saia daqui, nunca mais quero vê-lo!
_ Helena é sua irmã. E...
_ Helena não é filha de um ser repugnante como você! Está desinformado, saia já daqui, não estou na sua cidade e chamarei a segurança!
Transtornado com essa informação, o juiz sai em mais um derrota.