O zumbido do sistema de climatização do auditório central era o único som contínuo que preenchia o espaço monumental. As paredes revestidas de painéis acústicos de madeira escura e as linhas de iluminação em LED embutidas no teto davam ao ambiente o aspecto de um tribunal de alta tecnologia, onde o veredito custaria milhões de dólares em contratos de exportação. Sentada na poltrona estofada na primeira fileira, Kássia mantinha os dedos firmemente entrelaçados sobre o colo, a postura tão rígida que a costura do seu blazer de alfaiataria parecia desenhada a giz em uma estátua. A poucos centímetros de distância, Jhon Almeida exalava uma calmaria que a irritava profundamente. O perfume amadeirado dele, o mesmo que havia invadido o quarto no domingo à tarde, parecia mais nítido ali, misturado

