Karina
Oi, gente, eu me chamo Karina. Eu sou filha da Karen e do Pescadinha. Sim, eu sou a filha da laqueadura da minha mãe. Eu nasci bem depois dos meus irmãos e agora estou com 22 anos, pertinho dos 23.
Bom, deixa eu contar um pouquinho da minha vida para vocês. Eu nunca fui a mais bonita do bonde, pelo contrário, eu sempre fui o patinho feio. Quando eu fiz 15 anos, teve uma invasão muito f**a no morro. Eu fiquei apavorada. Depois daquilo, eu adquiri ansiedade e comecei a comer que nem uma maluca. Como consequência, estou 20 kg acima do meu peso.
Eu não sou uma mulher feia, mas também não sou uma mulher desejada. E, para piorar, eu me apaixonei justamente pelo Morte. Ele é super querido pelas meninas e me trata super bem, mas não está interessado em mim.
Um dia, eu estava conversando com a minha irmã mais velha, Valentina, sobre ele, e o TH acabou passando. Ele perguntou quem gostava do Morte, e eu falei que era a Diana.
É claro que depois a Valentina me chamou atenção, porque com certeza o TH vai falar para o Morte. E ele e a Diana são primos. Mas ela é totalmente o oposto de mim. Ela é super bonita, super vaidosa, tem o corpo perfeito, ratinha de academia… É o sonho de consumo de qualquer homem. Como eu ia falar que a gordinha feiosa estava afim de um dos caras mais bonitos da nossa geração? Não tinha como.
Fiquei olhando para o teto, perguntando se eu conseguiria mudar minha situação. Mas eu acho que não.
E não, gente, eu não quero ficar gordinha. Eu não quero ser aceita acima do peso porque isso está fazendo m*l para a minha saúde. Mas toda vez que eu entro na academia, eu fico com vergonha e saio na mesma semana.
Karen: Kaká, tá na hora de almoçar. Tá todo mundo te esperando, vamos.
Karina: Ai, mãe, eu não tô com fome. Vocês podem almoçar sem mim. Sem falar que eu preciso perder peso.
Karen: Meu amor, ficar sem comer não vai te ajudar em nada. Eu já falei que vou te levar numa nutricionista e que você vai conseguir emagrecer.
Karina: Eu sei, mas eu estou apreensiva porque amanhã é dia de baile. A Valentina está insistindo para eu ir, mas eu não quero. Eu chego lá e fica todo mundo rindo de mim porque estou parecendo uma baleia.
Karen: Você tem que parar de se colocar para baixo, porque você é uma mulher muito bonita e não deveria fazer isso com você mesma.
Karina: E você acha que alguém vai me enxergar com o peso que estou? Nenhum dos meninos olha para mim. Não que eu queira ser notada por todos eles, mas eu vejo todo mundo olhando para a Valentina, para a Diana, para a Luna… E eu? Eles me tratam como se eu fosse o amigo homem em corpo de mulher só porque estou acima do peso. Eu não quero sair de casa.
Karen: Olha, você não precisa ir, mas acho que não tem que se diminuir para caber no mundo de ninguém. Você é uma mulher maravilhosa e, na hora que encontrar o homem certo, ele vai fazer valer a pena. Ele não vai nem querer saber se você tá gordinha, magrinha, azul, amarela, roxa… Ele só vai gostar de você pelo que você é.
Karina: O problema é que o homem que eu quero nunca vai me querer… — falei, deixando algumas lágrimas escorrerem. Minha mãe me encarou séria.
Karen: Eu sei que você gosta do Morte, meu amor, e acho que deveria falar para ele. Porque não adianta guardar esse sentimento dentro de você.
Karina: Eu não vou falar isso para ele! Ele vai me esculachar, vai falar que nunca teria nada com alguém igual a mim. Você já viu as mulheres que ele pega? Você já viu as patricinhas que só vêm ao morro para ficar com ele? Elas dão de 10 a 0 em mim. A única coisa que eu ganho delas é no peso, mãe.
Minha mãe respirou fundo, se aproximou de mim e me abraçou. Eu comecei a chorar.
Karen: Eu entendo que você não esteja bem, mas não quero que fique se diminuindo. Se não for o Morte, vai ser outro cara. Tem vários homens no mundo, e você não precisa parar o seu mundo por causa de um que não te nota. Se ele não vê a mulher maravilhosa que você é, então ele não te merece. Só que, como eu te disse, se você não falar para ele, nunca vai saber se ele gosta ou não de você, se ele quer ou não tentar.
Karina: Mas eu estou muito acima do meu peso. Eu me olho no espelho e não me reconheço há anos! Então, eu não posso me declarar para o homem que eu gosto desse jeito. Sério, eu não quero comer. Me deixa sozinha.
Ela saiu do quarto, e eu comecei a chorar.
Que droga de vida… Por que eu tinha que me apaixonar justamente por ele?