Programação para postar - Segunda, Quarta e sexta
Espero que gostem da leitura
{=======================================}
A palavra ficou suspensa no ar. O clima estava tão tenso que poderia ser cortado com uma faca.
Taeyhung me encarava de olhos arregalados, incrédulo. Taehyun parecia chocado com a revelação. Namjoon e o adolescente — ainda desconhecido para mim — não pareceram se importar muito. Jenny e a senhora, igualmente desconhecida, ficaram petrificadas.
Já Hoseok… ele riu.
Olhou para mim, lambeu os lábios e abriu um sorriso torto antes de se virar para o namorado.
— Ai, que lindo, amor… você trouxe um psicopata pra casa — disse, com a voz carregada de deboche e satisfação.
Levantei-me, atraindo novamente todos os olhares.
— Bem, já terminei minha refeição. Agradeço pela comida. — Fiz uma breve reverência. — Mas suponho que preciso descansar. Podem me indicar onde ficarei ou devo sair?
— Que isso, pode ficar — disse Namjoon, também se levantando. — Venha comigo, vou levá-lo até o quarto de hóspedes.
Segui-o pelo corredor, sentindo os olhares queimarem minhas costas.
Subimos as escadas até o primeiro andar. O corredor era longo, repleto de portas. No final, ele abriu uma que dava para um escritório.
A decoração era leve e aconchegante, cheia de plantas, bem arejada. Móveis de madeira polida com detalhes em dourado, sofá de couro preto, prateleiras abarrotadas de livros e cadeiras extremamente macias.
— Sente-se — indicou uma das cadeiras.
Ele se acomodou à minha frente, separados apenas pela escrivaninha de madeira.
— Antes daquele comentário que deixou todos agitados, você disse coisas… interessantes.
Pegou dois copos e os encheu com um vinho guardado sob a escrivaninha. Ofereceu-me um. Aceitei. Fazia tempo que não bebia vinho — ainda mais um tão bom.
Encarei-o. Ele assentiu.
Assenti lentamente.
— Quero saber o que você realmente fez para ir parar na Torre — disse ele, bebendo o vinho com calma. — Não algo dito no calor do momento para proteger Taeyhung e assustar os outros.
— Ah, isso? — perguntei. Ele confirmou com a cabeça. — É verdade.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Se pesquisar, vai encontrar — respondi sem rodeios.
Minha garganta queimou com o esforço da fala. Ele percebeu e me entregou uma agenda e uma caneta.
— Escreva tudo o que sabe. Caso contrário, não ajudaremos.
Recostou-se na cadeira, afrouxando a gravata e abrindo os dois primeiros botões da camisa.
Mordi o lábio por dentro. Não tinha escolha. Precisava dele para não enlouquecer.
Escrevi o que sabia — omitindo informações sobre mim e sobre aquela pessoa. Falei mais sobre meus crimes, sobre alguns deputados que matei. Acrescentei que não me arrependia de nada.
Depois de um longo tempo, entreguei a agenda. Ele agradeceu e chamou alguém para me levar ao quarto de hóspedes.
Segui o empregado. Quando entrei no quarto, fiquei boquiaberto.
Havia uma cama king size com cabeceira de madeira preta e detalhes dourados. Uma porta levava ao closet e outra ao banheiro, decorado em tema de praia — bonito, mas brega.
O closet estava cheio de roupas novas, ainda com etiquetas.
— Deseja mais alguma coisa, senhor?
Levei um leve susto, embora não demonstrasse. Não senti seu cheiro nem ouvi seus passos. Estava tão absorto que não percebi sua aproximação — estranho demais.
— Senhor? — insistiu.
— Não, obrigado — respondi, desviando o olhar.
Ele fez uma reverência respeitosa e saiu.
— Que cara estranho… — murmurei.
Ignorei o incômodo, tirei minhas roupas e as coloquei num cesto vazio. Fui para o banheiro tomar uma ducha.
Antes de entrar, olhei para a banheira e um calafrio percorreu meu corpo. Suspirei, derrotado.
Ainda não superei.
Mas se ele estiver ao meu lado… talvez, da próxima vez, eu consiga.
Depois do banho, vesti um conjunto de moletom cinza encontrado no closet — sem roupa Ãntima. Gosto de dormir livre.
Deitei-me na cama king size, esperando o sono chegar.
Quase adormecido, ouvi batidas na porta. Ela se abriu.
Um cheiro amadeirado, de terra molhada, invadiu o quarto. Sentei-me, sonolento.
— Vim ver se estava confortável — disse Taeyhung, aproximando-se.
Limitei-me a encará-lo com tédio e irritação por ter me despertado.
— Melhor descansar. Amanhã será mais uma batalha para colocar na lista.
Abriu um sorriso de canto e saiu como uma sombra.
O sono finalmente me venceu.
Mesmo dormindo pesado, percebi alguém entrando no quarto. Pelo cheiro, era uma ômega — aroma enjoativo de amoras.
Ela não fez nada. Apenas observou… e saiu.
Acordei no dia seguinte ao nascer do sol. Sempre acordo cedo.
Ainda estava cansado, mas não consigo dormir com tanta luz. As janelas eram transparentes — fechar não adiantaria.
Levantei-me, cuidei da higiene e fui ao closet me vestir.
Calça cargo preta, um pouco grande demais, resolvida com um cinto. Camisola preta. Usei os mesmos sapatos do dia anterior — os do closet eram pequenos demais para meus pés.
Sentei-me na cama, de frente para a porta, pensando na noite anterior.
Eu sabia quem tinha entrado.
Era Jenny.
Mesmo exausto, nunca apago completamente. Dormir profundamente é fraqueza — principalmente em lugares desconhecidos.
De repente, a maçaneta girou.
A porta se abriu.
Era…
Quem é esse cara?