O despertador tocou às seis da manhã com aquela insistência eletrônica que parece ecoar direto dentro do crânio. Diferente de Portland, onde o amanhecer vinha acompanhado do canto dos pássaros e do cheiro de terra molhada, em Nova York ele vinha com o som distante de uma sirene na avenida e o reflexo do sol batendo nos ângulos retos dos prédios vizinhos. Tirei o edredom de cima do corpo e me sentei na beira da cama, encarando os meus próprios pés. As marcas vermelhas do scarpin do dia anterior haviam sumido, mas o fantasma do cansaço físico ainda pairava ali. — Sem tempo para drama, Stella — murmurei para o quarto vazio, aplicando o meu próprio choque de realidade matinal. — Hoje o dia exige um *upgrade* na logística. Segui direto para o banheiro. O banho gelado funcionou como um *reboo

