Após ele ter se apresentado, quando foi a minha vez eu passei uns segundos tentando descobrir o meu nome, ou tentando me lembrar como se fala.
- Stella Foley. – Finalmente consegui me apresentar, e graças a deus eu não gaguejei, mas quando aceita a sua mão que estava estendida na minha direção, foi como se um pequeno choque passasse dele para mim.
- Me permita te fazer companhia? – Dimitri me pergunta, enquanto indica a cadeira vazia ao meu lado.
- Claro. – Concordei e quando me virei novamente na direção do barman, eu pude sentir que as minhas bochechas estão quentes, e eu não sei se é por causa da bebida, pela companhia do Dimitri, ou se é pelos olhares na nossa direção.
— Por favor, mais um Drink para a dama, e para mim, uma gim-tônica com Hendricks, e se não tiver, pode ser Bombay Sapphire Pepino com Hendricks, lima com a Bombay. – Ele faz o pedido com elegância e mostrando que ele entende muito bem de bebidas.
"Espera aí, eu conheço essa bebida, na verdade eu conheço toda essa fala que ele acabou de usar. Eu li e reli essa fala mil vezes. Essa foi exatamente a bebida que o Christian escolheu quando foi atrás da Ana, quando ela foi visitar a sua mãe." – Como se esse pensamento fosse loucura da minha parte, eu olho para a minha taça vazia. – "Isso é só loucura da sua cabeça."
Balançando a minha cabeça eu tiro os meus olhos da taça e ao olhar para a frente, eu vejo uma me olhando de uma forma hostil, e isso faz com que estremeça um pouco, já que nunca senti olhares assim sobre mim.
- Você está com frio? – Quando ele me pergunta, eu volto os meus olhos na sua direção, e vejo que ele me olha com curiosidade.
- Não, só é meio desconfortante ter os olhares hostis de quase todos aqui sobre mim. – Falo a verdade. – Basicamente eles querem me assassinar por estar roubando a atenção do senhor Ortez.
- Os ignore, não é como se eles tivessem coragem de fazer alguma coisa contra você. – Ele indica a minha bebida que o barman acabou de colocar na minha frente, para logo em seguida beber um pouco da sua, e devo dizer que os meus olhos acabaram capturando o momento em que os seus lábios tocaram a borda do copo.
- Como você consegue lidar com tantas pessoas em cima de você? – Pergunto, quando consigo desviar os meus olhos da sua boca. – Além de ter a mídia atrás de você, obviamente sempre tem alguém atrás de você para fazer negócios, e também tem as mulheres que parece fazer de tudo para poder chamar a sua atenção.
- Em relação a mídia eu não posso fazer muita coisa, além de processar caso eles passem dos limites, os pedidos para fazer parceria de trabalho, alguns passa pela minha equipe e depois eles vêm até mim, mas se a proposta não estiver relacionada ao meu trabalho, o pedido é descartado. – Ele me responde com tanta calma. – E sobre as mulheres, eu as noto, mas não do jeito que elas querem, elas acabam não fazendo o tipo de mulher que eu quero na minha vida.
- E qual seria o seu tipo de mulher? Aquelas que são quietas, mas quando estão na cama são selvagens, ou aquelas que levam vidas normais, mas quando estão na cama amam ser controladas pelo homem. – Eu não sei se é a bebida, ou esse meu eu não têm filtro na língua, mas quando eu dei por mim, essas palavras já saíram pela minha boca.
- Eu acredito que seja a segunda opção. – Ele me responde como se eu tivesse o perguntado sobre o tempo.
- Eu não consigo me ver sendo controlada por um homem, nem mesmo que seja na cama, até porque eu passei a minha infância e adolescência sendo controlada pela minha mãe, e agora que eu senti o gosto da liberdade, eu não abro mão dela de jeito nem um. – Eu não faço ideia do porque eu quis compartilhar isso com ele.
- Ter a vida dominada pelos outros é realmente péssimo, mas eu posso te garantir que ter alguém te dominando em um quarto, é maravilhoso. – Ele me lança um sorriso de lado, e o famoso frio na barriga ataca com tudo.
- Bom, o que é maravilhoso para um, pode ser péssimo para outro. – Dou de ombro. – Eu mantenho a minha opinião sobre ser dominada.
- Quem sabe um dia eu não faça você mudar de ideia. – Ele fala aproximando o seu rosto do meu, e os nossos olhos se encontram conectados um ao outro.
Antes que eu pudesse dar qualquer tipo de resposta para ele, Nicole chega ao meu lado.
- Yasmin, vem dançar com a gente, a Yasmin conseguiu convencer alguém a colocar uma música atual. – Pela sua empolgação, eu consigo ver que ela bebeu um pouco mais, mas quando ela vê com quem estou conversando, ela fica vermelha. – Boa noite Senhor Ortez, o senhor não se importaria se eu levasse a Stella para dançar um pouco, não é? Como daqui a pouco vamos embora, eu acho que ela deve sair um pouco deste canto.
- Sem problema, eu também tenho que falar com algumas pessoas, mas está bela mulher acabou ficando com toda a minha atenção. - Respondeu ele educadamente, e se esse elogio não tivesse sido para mim, teria passado despercebido.
- Tenha uma boa noite, senhor Ortez. – Me despeço dele ficando de pé.
- Tenha uma boa noite, Stella. – Ele se despede de volta, e acena com a cabeça minha direção.