♣️CAPÍTULO 5♠️
KATY
Os dias passavam e em minha cabeça só ecoavam os gritos das meninas que estavam presas assim como eu neste lugar.
Me sentia fraca e meu corpo doía muito, acho até que estava ficando doente.
- Ó minha ragazza, isso não é hora de adoecer não - diz um homem que sempre me traz comida
- Estou tão fraca, me tire daqui - digo com a voz baixa
- Isso tudo já vai acabar - ele diz encostando meu corpo na parede fria
- E minha amiga, diga onde ela está - digo trêmula
- Ela está junto das demais mulheres e você não pode ficar com elas e é só isso que posso dizer - ele diz sai do do quarto
Eu nunca imaginei na minha vida passar por isso, ver em novela, noticiários sobre o tráfico de mulheres e sempre pensei como elas se deixavam enganar com falsas propostas e chegar ao ponto de perder suas vidas, e hoje me encontro exatamente nessa situação. Longe de casa, da minha família que m*l sabem onde estou, sem ter contato e sem saber o que será de mim pelas próximas horas e pelos próximos dias. Tenho meus pensamentos quebrados com a porta sendo aberta bruscamente...
- Ela precisa de um banho e que preservem a aparência saudável, nesse estado que está não venderemos por nem metade do preço - diz um homem que não tinha visto ainda
- Serei vendida? Mas pra quem? - digo aflita
- Ownt minha putana, você precisa apenas se manter e silêncio, shiiiuuuu - ele diz botando o dedo em minha boca e tento morder
- Deixem ela mansa, averne piene le palle! - fala irritado saindo
Eu já nem me debatia mais quando vinham aplicar o calmante, eu deixava, talvez ficar assim seria o ideal, sofreria menos.
Quando retomo a consciência ouço vários passos no corredor e pessoas falando, mas com a porta fechada não tinha como ver o que estava acontecendo.
Começo a gritar, a fim de que alguém me ouça.
- Ei, ei, ei por que gritos criança? pergunta um dos homens que havia pedido para me manter aqui
- Quero saber o que está acontecendo, vão me largar aqui, me solte ao menos - digo batendo a algema no ferro
- Fique tranquila que você será tratada como realeza dentro de instantes - ele diz rindo e me levando para outro lugar
Chegamos numa sala com vários homens, inclusive o velho que teria me abordado inicialmente.
- Tire as roupas - ele ordena
- Está maluco? Na frente de todos - digo me encolhendo
- Vá criança, tire ou eles arrancarão - ele fala e quando olho para o lado os homens pareciam me comer com os olhos
Começo tirar lentamente a roupa e todos me olham atentamente. Inicio um choro baixo, apenas sentia minhas lágrimas rolar pelo rosto.
- Não podemos te tocar criança, infelizmente, mas podemos te olhar e imaginar o que faríamos com você. - o velho fala e quando viro de frente para eles vejo que se masturbam enquanto me olham.
Começo a chorar de vergonha, medo e nojo...
- Isso chore mais, isso me deixa mais excitadö ainda - um deles diz
Na minha cabeça eu só pensava que precisava ser forte e que isso tudo iria logo acabar mesmo que fosse com minha morte.
- Eu sinto nojo de vocês - digo me encolhendo
Quando a sessão de tortura termina, me colocam embaixo de um chuveiro com água muito fria, me estendem um vestido velho junto de um blusão de moletom.
- Não quero escândalos, deixe-a mansa - o velho diz saindo
Logo vem um de seus homens com mais uma dose de calmantes.
- Por favor me deixe sóbria, prometo ficar quieta - digo trêmula
- Zitto! - ele diz puxando meu braço e aplicando a injeção
A dose dessa vez foi menor, mas me sentia como se tivesse bebido horrores, não me aguentava em pé.
Vejo quando me colocam dentro de um carro e seguimos para algum lugar que não faço ideia de onde seja.
Tudo acontece muito rápido e a música era muito alta.
Não era capaz de identificar o local, estava zonza demais.
Entro numa sala onde tem mais mulheres e todas na mesma situação que eu ou pior até.
- Você parece nova, o que faz aqui? - uma das mulheres me aborda. mas não tinha forças pra responder e ela apenas ajeita meu cabelo e sorri amorosa para mim.
Aos poucos as mulheres vão sendo conduzidas uma a uma para fora daquele lugar. A música era alta mas era possível ouvir os gritos dos homens do lado de fora. Eles falavam em números e logo vinham os gritos.
Noto uma movimentação dentro da sala que estamos e finjo estar mais fora do ar que estava.
- Essa daqui, a virgem, irá para uma sala reservada para os Máfia Boss. Sr. Marconi Santoro estará nesta sala e ele será a preferência no arremate - o homem diz
- Ei ragazza me ouve? diz o homem estralando os dedos na minha cara e eu apenas me faço de louca
- Mário, ela está drogadä demais, vão nos matar - o homem diz
- Ajeite ela, que logo chegará sua vez - ele diz e sai
A sala já estava quase vazia, apenas mais duas meninas e eu. Não nos conhecíamos, provavelmente não falava o idioma delas, mas nos olhamos, não pensamos duas vezes e nos juntamos num abraço sentadas ao chão.
- Olha que lindas, quanto amor - diz Joseph entrando na sala e completa:
Vamos, sua hora chegou, a brasileira virgem!
Saímos por um correr escuro e entramos por uma portinha minúscula...
- Você entrará ali, e dê o show que veio dar - ele diz me empurrando
A sala tinha uma luz muito forte, eu não conseguia nem abrir os olhos ver quem estava do outro lado. Ouvia os gritos, os números que gritavam... Fiquei zonza, tudo girava muito, era desesperador.
Encosto as mãos no vidro em minha frente, mas ainda sim era impossível enxergar.
MEU DEUS, se o senhor existe mesmo eu clamo por misericórdia, ME TIRE DAQUI!
Perco completamente as forças do meu corpo e desmaio!