CAPÍTULO 6 - JAMES

1395 Words
Quando cheguei na varanda vi papai sentado, olhando pro escuro longe e pensativo. Ali vi que ele tinha algum problema, que precisava saber o que era. Convivi com ele tanto tempo, onde era somente eu e ele, que sabia quando algo estava acontecendo. Como fazia seis mês que eu não via ele, me perguntava o que era, pra deixar ele pensativo daquele jeito, não era sobre trabalho. - Pai - Ele não me encarou. - Pensei que você não iria se encaixar aqui, de verdade. - Ainda procuro meu lugar, mas até que está sendo bom aqui - Me sentei ao lado dele. - Está acontecendo alguma coisa? - Sim e não, não sei dizer - Ele falou e aí sim me encarou. - Aqui está te fazendo bem. - Mas ainda dá saudade de antes. - Sinto sua falta - Abro e fecho a boca. - O que quero dizer e que chegar em casa e não ter ninguém, nem mesmo o filho que faz besteira o tempo todo, faz falta a companhia, as brincadeiras, até as coisas idiotas que você fala. Aquilo chega a ser comovente. - Não são idiotas - Falo e dou um sorriso. - Eramos uma dupla sozinhos papai, era sobre isso. - Essa coisa de vir pra cá foi bom, nunca te vi tanto tempo longe de bebida, briga e até acidentes. - O objetivo seu e de mamãe foram concluídos. - Eu vi disposto a te levar pra casa. Vejam, aqui fica sendo onde o cão arrependido volta atrás. Chega a ser poético. Mas não é. Me vem na cabeça o motivo por ter escolhido morar com papai quando mais moleque. Aquele motivo dele não ficar sozinho. Papai não tinha parentes além de um irmão não tão próximo dele, que morava na Califórnia, eles não tinha tanto contatos. - Você parecia que teria boa companhia quando liguei pra casa, alguns meses atrás se me lembro bem - Falo, me referindo a uma das primeiras ligações que fiz, sendo atendido por uma mulher. - Sim, até tentei, mas fica difícil quando você não quer relacionamento com aquela pessoa. - Por que? - Bem, sei lá, depois da sua mãe não conseguir ter relacionamento sério. - Por falar em mamãe - Faço uma pausa, tentando ser mais suave e delicado possível. - Você traiu ela mesmo? - O que? - Ele fica pálido. - Ninguém me contou, ouvi conversa e decidi falar com você. Ele ergue a mão e passa no rosto, tem um pingo de frustração, agradeço por dessa vez não ser comigo. -Infelizmente sim, mas foi só uma vez, uma noite maldita. Saí com o pessoal do distrito e conheci um mulher, dormi com ela uma única vez e aí no dia seguinte sua mãe já sabia de tudo e pediu o divórcio - Papai faz uma pausa. - Quero que saiba que foi só essa vez, isso é verdade. Analiso. Acredito nele. - Por que não tentou o perdão dela? - Sua mãe tinha medo que eu fizesse de novo. Ela não queria isso pra você e pro seu irmão, eu deslize e ela foi certa de ter me chutado logo de primeiro. Eu não fiz por raiva, por problemas no casamento nem nada disso, acabei bebendo demais naquela noite e saí da linha no lugar que estava e com quem estava, sua mãe sempre faz tudo pra viver bem e lidar com os problemas, ela sempre arruma solução. Veja você aqui, acha que eu pensei isso? Não filho, foi ela, veja só também, ela estava certa. Sua mãe é sensata. - Sempre achei que era pelo conflito do trabalho do senhor e a fazenda. - Não, eu sempre gostei disso aqui e apoiei ela, na época foi melhor parecer que era por outra coisa, até pra você e seu irmão. Você não teria ido comigo se soubesse o motivo da separação. - Por que diz isso? - Seu irmão nunca foi nem me visitar direito, você iria querer ficar do lado da sua mãe e ajudar ela também. Ela sofreu com a separação. - Pode ser que sim - Admito. - Mas você ainda continuaria sendo meu pai. - Mesmo assim, se você não tivesse ido eu teria tentado de novo, você, querendo ou não, foi meu consolo durante todos esses anos, agora que você está aqui, vejo o que eu perdi. - Por isso me quer de volta? - Sim. - Já falou isso pra mamãe? - Sua mãe me odeia. - Tem raiva do senhor. Se odiasse você teria morrido depois de comer ou beber. - James?! - Mamãe não odeia ninguém, sente raiva. Acho que ela ainda se chateia com tudo ou sei lá o que acontece com ela. - Perdi ela por nada, acredita? - Claro que sim, homens são burros. - Você é homem filho. - Acha que eu não sou burro? Veja o que eu já fiz nessa vida toda, bastante burrice, agora tento melhorar. - Sobre a competição... - Eu escolhi, quando fiz a inscrição ninguém estava comigo e nem nada, foi por mim, foi pra ter como objetivo aqui e ficar perto de Alex. - Isso é sobre você se machucar ou até pior. - Eu sei que Alex passou por algo r**m, mas isso não significa que eu vou, vou melhorar e vou fazer isso acontecer. Alex me ajuda agora e é, ele é ótimo. - Estão se entendendo agora? Você e Alex? - Ele ainda não confia em mim. Fiquei dois longe dele, nem do acidente eu participei. - Você estava no seu mundinho. - Meu mundo também pode ser minha família pai, mas só agora tô vendo que fui e******o e até cego quanto ao meu irmão. Eu queria ter feito melhor meu papel de irmão mais velho, até de filho da minha mãe. - Tirando as vezes que arrumou problema e eu tive que resolver, bem, você sempre foi um bom filho. - Eu sei, gosto da bagunça e das coisas acontecendo. - Você não disse nada sobre voltar pra casa. Sorri, suspirando fundo. Eu não tinha nem a intenção de voltar agora, eu tinha Alex aqui, mamãe e até a competição, escola, o Maçã e até Samantha que ainda não havia me dado. Então tinha mais coisas pra terminar aqui. Eu não estava perdendo nada lá, mas aqui eu perderia se eu cedesse, então devia deixar claro que esse ano iria acontecer. - Tenho mais alguns meses pela frente. Além disso, aqui está até bom, tirando o leite que eu tiro de manhã. - Talvez eu convença seu irmã. - Ei? - Seu irmão detesta a cidade. - Vamos esperar as coisas por aqui esse ano, mas venha quando der. - Vou tentar, sua mãe talvez não me queira aqui. - Mamãe ainda gosta de você. - Gosta nada, nem minhas ligações ela atende, claro, apenas pra falar de você e seu irmão. Isso é a prioridade dela, sempre foi. - Já tentou falar com ela? - Meu pai me encara, da um sorriso e apenas aquilo me responde as perguntas. - Sua mãe pode ser cabeça dura. - Mulheres. - Não sou apenas eu que tenho problemas, James. - Nem me fala, olha que a que eu quero, bem, nem me olha direito pai. Mas ela ainda vai me olhar e vai ser minha. - Só cuidado pra não machucar essa menina. Você sempre teve acompanhado, tem um jeito mais pra frente, talvez mudar um pouco o jeito, se ela for da fazenda ainda mais. Calma e paciência, conversa e confiança, atitude e comportamento. Meu pai fica de pé. - O que acha de flores? - Isso é bom - Papai me encara. - Você já tentou flores? - Como assim? - Dar flores, James, sabe, moda antiga, conquistar e fazê-la se apaixonar. - Não, não, acha isso bom pra fazer? - Melhor tentar. - Bem, pode ser que funcione. Fico parado pensando. Seria esse o caminho até Samantha? - Vamos entrar. AVISO - Mais um capítulo fresquinho pra vocês (finalmenteeee), para ficar por dentro adicione o livro na biblioteca, comente sempre nos capítulos para eu poder saber o que vocês acham do livro e deixe o seu voto maravilhoso ou me sigam para receber novidades e atualizações. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até
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