Desci as escadas e fui direto pra cozinha, encarando meu pai sentado e minha mãe terminando de por a mesa, mas havia algo de diferente, ela estava usando os talheres bons, o jogo de prato novos que ela só usava pra ocasião especial.
Papai na fazenda era uma surpresa, aquilo me deixava pensativo.
Papai, papai... Você pisou na bola lá atrás com dona Sarah, logo você doutor Frost.
- Ele parece bem.
- James é ótimo quando quer ser.
- Ou quando preciso - Os dois erguem o olhar. - Alex já está descendo pro jantar, está no celular falando com a namorada.
- Gosto dela, menina dedicada e ótima companheira - Meu pai me encarou, enquanto eu puxava a cadeira e sentava. - Você arrumou alguém por aqui?
Minha mãe riu.
Suspirei fundo, lembrando do meu único alvo.
- Ele está encalhado.
- Como assim? Se me lembro bem você sempre estava acompanhado em casa.
- Talvez seja a influência - Mamãe da novamente uma risada. - Acho que ele encontrou alguém que não quer brincar ou alguém que quer alguém sério.
- Mamãe?
- Eu conheço ela desde menina, tenho propriedade pra falar.
- Ela não te quer?
- Falando assim parece que sou um bicho de sete cabeças pra ela, pai.
- Então qual o problema, ela não gosta de você?
Aquilo começa a ficar constrangedor.
- Que tal mudarmos de assunto? Já viu o preço do boi?
- Deve estar bom - Papai faz uma pausa e vê minha mãe terminar de colocar a mesa e parar, analisando tudo que ela havia feito. - Sarah tem feito um bom trabalho por aqui - Eu e mamãe encaramos meu pai, uma surpresa bate e eu me pergunto o motivo do elogio, ainda mais nos negócios da fazenda. Era quase um milagre. - Não posso mais elogiar?
- Bem, você chega de surpresa, sem avisar ou nada do tipo, agindo de forma estranha e agora elogiando. Devo pensar que esse não e o doutor Frost ou apenas que ele bateu a cabeça vindo pra cá? - Mamãe ironiza e eu dou risada.
- Estou bem, achei que minha surpresa seria boa e agradável.
- Para os meninos.
- Mãe?!
- O que foi, James, estou falando a verdade.
Alex aparece.
- Ainda estamos em paz?
- Aparentemente, irmão - Falo, mas já desconfiado da cena toda.
- Que tal pararmos de falar e começar a comer?
- Saudades da minha comida, Frost?
Balanço a cabeça.
- Meu Deus, agora sei de onde puxei a implicância.
- Você é pior que os dois.
- Haha, muito engraçado Alex.
- Bem, agora que todos estão aqui, podem começar a comer.
Houve um grande silêncio até todos se servirem, até pareceu cena de novela, daquelas de família tradicional. Mas não era bem isso que era de verdade.
De certa forma eu estava pensando sobre meu pai, sobre mamãe, de esses anos inteiros eu não saber do real motivo por eles terminarem.
Ah, mas já passou, porque raios você está com isso na cabeça? Pela verdade.
Ainda nem sabia como Alex sabia disso e eu não, eu era o mais velho, que bom irmão eu sou se não sei nem as informações direito?
Não, eu iria continuar com isso na cabeça até perguntar pro papai.
Simples, teria até domingo.
- O que anda fazendo de bom aqui, James?
- Trabalho, cavalo, trabalho, cavalo.
- Entendo - Ele faz uma pausa. - Está gostando de cavalos então?
- Sim, Alex me ajuda também - Nesse momento eu paro de falar, meu pai olha pra Alex, Alex não ergue o olhar, não quer atenção.
- Pensei que estivesse longe dos cavalos.
- Ele está, ele ajuda do chão.
- Eu sempre disse que aquelas competições poderiam ter seus riscos.
- Tudo o que a gente faz tem risco - Mamãe fala.
- Eu sei, Sarah, mas ele tinha apenas dezesseis anos, não precisava...
- Papai, me passa a salada? - Meu irmão o encara, não quer falar sobre aquilo, está evidente. Até começo a ter receio da notícia. Vai ser bem r**m.
- O que eu quero dizer é que sempre achei tudo muito perigoso.
- Você trabalha em uma delegacia.
- Isso é diferente, Sarah.
Ficamos em silêncio novamente, até papai abrir a boca.
Estava mais interativo que o normal.
Havia algo errado.
- Como está a escola?
- Bem - Bem mau, pensei em silêncio.
- Muito r**m assim? - Encaro ele.
- Sabe que não sou bom em conteúdos.
- Você é péssimo - Cutuco Alex por baixo da mesa. - Ei?
- Eu não sou péssimo, os professores falam que tenho dificuldade, apena isso.
- Cara você tirou meio ponto em uma prova, isso só por assinar seu nome.
- Tinha muito cálculo lá - Todos na mesa riem. - Vão se juntar agora pra rirem da minha dificuldade? Tá certo, mas quando eu pegar o diploma vão ver, vão pagar essas risadas.
- Escutei um amém?
- Admita Alex, quando eu quero, eu me saio bem. Não vê treinando para as provas com o maçã? Vamos arrasar no sábado e gan... - Paro de falar, lembrando que a língua foi maior que a boca.
Que m***a.
- Você está indo na onda de subir em um cavalo e ser um Alex da vida? Que história é essa?
- Bem, não é bem assim - Olho para Alex, que come como se nem tivesse escutado as coisas que eu disse ou que aquilo fosse um problema.
Desgraçado disfarçava bem pra caramba.
- Alguém pode me explicar?
- Eu vou competir sábado, eu estou treinando e Alex está me ajudando, isso é o que eu quero. Isso aí.
- Você deixou ele participar, Sarah?
Minha mãe o encara.
-Ele não é criança, Frost.
- Aí acontece como da outra vez, já pensou nisso.
-Papai, eu quero isso.
- Mesmo assim James, você pode cair e se machucar. Seu irmão ficou r**m depois do acidente, depois que caiu e quase foi esmagado por um cavalo. Agora você me diz que tá indo pelo mesmo caminho, pra quefilho?
- Pra conquistar algo.
- Dinheiro?
- Não, objetivo, focar e ter o que fazer aqui - Peguei meu copo e suspirei fundo. - Além disso estou passando um tempo maior com Alex, ele é ótimo no que faz.
- Fazia você quer dizer, isso e maluquice. Vi aqui pra ver você partir a cara no chão, então é isso?
- Se você quer entender por esse lado, sim pai, é isso.
- Quando decidimos trazer você pra cá era pra ver você livre de problemas, mas olha só isso - Papai se inclina para trás.
- Eu não vejo problema, tem risco, mas ele já foi avisado e lembrado disso.
-Sarah?!
- Ele está bem, livre de confusão, o objetivo principal ele está seguindo.
- Mesmo assim, meu bem - Então todos paramos de comer ou fazer o que estivesse pra olhar para o cara sentado na ponta da mesa. Suspiro fundo. Bem, agora as coisas ficaram ruins pro lado dele. Alex me encara e dá um sorriso, que eu demoro entender.
- Não me chame de meu bem, Sarah pra você.
- Foi apenas um deslize meu.
- Sempre isso, foi um deslize meu - Então algumas coisas se passam na minha cabeça, algumas brigas dele, lá de trás, aparecem e as fala dela e dele parecem deixar claro o motivo deles terminarem. Mas por que somente agora entendo isso?
Talvez por você ser um egoísta e olhar apenas pra você mesmo, penso.
- Não começa.
- Você começou.
- Que tal continuar com nosso jantar? Eu vi aqui pra ver meus filhos, jantar com eles e passar um tempo com eles.
- Claro que foi isso, por que mais você viria aqui? Você sempre querendo ser o bom pai.
- Eu sou um bom pai.
- Claro que é, você só esqueceu de ser um bom marido.
Mamãe da uma risada, quando ela pega uma faca pra cortar o assado, todos ficam vendo a força que ela faz, parece um aviso claro pro papai calar a boca.
- O que posso fazer pra você mudar de ideia quanto a competição, James? - Olho para ele.
Nessa altura do campeonato nada.
- Nada - Alex me encara, vejo um sorriso no canto da boca dele, aquilo me deixa feliz. Feliz pra caramba.
- Antes você era um maluco em um carro, agora encima de um cavalo, daqui a pouco muda pra que?
- Gosto de altura, pensei em aprender a pular de paraquedas qualquer dia desse.
- Isso não é brincadeira. Veja seu irmão, ele tem sequelas, deslocou a coluna toda e hoje não pode fazer algumas coisas por conta disso.
- Pai - Eu corto meu irmão, antes dele terminar de falar.
- O que vejo é à penas uma limitação r**m. Ele faz o que gosta, tem objetivos e se sai bem, ganha bem por isso e tem futuro. O acidente fez parte, mas ele não desistiu de mexer com o que gosta.
- Desde quando você gosta de cavalo?
- Desde que vi pra cá, conheci o Maçã e até já me arrisquei por ele. Ele é bom e vamos participar, se eu for classificado bem, se eu não for, ótimo. Eu pelo menos tentei.
- Ele disse tudo - Alex fala. - Já avisamos os riscos e como funciona, ele está se saindo bem, então não me preocuparia com um acidente grave, no máximo nem se classificar.
- Ei?
- Você ainda está aprendendo.
- Viram? Como podem apoiar ele? Sarah? Alex? Eu não entendo, na verdade quem sou eu pra falar, as coisas aqui sempre funcionam de uma forma diferente, não é mesmo?
-Da forma que deixa todos satisfeitos.
- Sarah?
-Frost - Papai fica de pé e se move.
Pela primeira vez papai da as costas e deixa a última palavra para para mamãe.
- Isso foi mesmo estranho.
- Eu vou falar com ele.
- Deviam era terminar de comer primeiro.
- Mamãe?
- Então vai lá consolar ele, ele merece.
- Faria o mesmo se fosse a senhora.
Saio da mesa e vou a procura do meu pai e seu comportamento estranho.
AVISO - Mais um capítulo fresquinho pra vocês (finalmenteeee), para ficar por dentro adicione o livro na biblioteca, comente sempre nos capítulos para eu poder saber o que vocês acham do livro e deixe o seu voto maravilhoso ou me sigam para receber novidades e atualizações. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até