Eu suspirei fundo, desci do cavalo e ergui o tambor que insistia em cair, eu queria muito acreditar que ia dar certo, eu não tinha mais tempo, precisava agora tentar cruzar esses três tambores, rápido e sem encostar em nenhum, a sequência estava boa, então era agilidade e jeito.
Mas parecia que toda forma que eu fazia o tambor iria cair, isso significava ganhar tempo e eu não tinha tempo assim, tinha que ficar entre os 24 primeiros.
Era sobre isso.
- Já terminou? - Meu irmão me entregou uma prancheta e eu ergui o olhar pra ele. - Vai ser no sábado, tem certeza que vai continuar, temos casos de gripe na região, febre e até desmaio - Balanço a cabeça, pegando a caneta e assinando o papel, nem me importo de ler. - Pelo menos tem determinação.
- Tem que ser assim - Me aproximo do cavalo e começo a tirar a cela. - Mamãe chegou?
- Sim, o veterinário vem amanhã de manhã ver o Maçã - Coloco a cela na cerca e me aproximo do cavalo, tirando o bocal dele e levando ele até a saída do curral, tirando a guia e soltando ele, vendo ele caminhar calmamente pra longe de mim. - Ainda bem que insistiu no cavalo.
- Ele também insistiu em mim, deu certo, ele é amigo.
- Vem comigo, tenho que te dar uma coisa, vai te ajudar no sábado e você precisa.
- Um manual de como lidar com Samantha? - Dou risada, guardando a cela no suporto e me movendo até Alex.
- Saia do pé da garota, se ela quisesse teria te dado bola.
- Ela tá com medo, isso sim, mas eu tento puxar ela do armário e deixar ela sem medo.
- Se machucar ela vou quebrar seu braço.
- Minha intenção nunca foi essa.
- Sua intensão fica sendo bem pior, não? Você não é santo, nunca foi e nunca vai ser - Alex para diante o carro dele e aciona o porta mala, quando ele abre ele tem duas caixas grandes lá dentro. - Isso vai ser seu.
Me aproximo e vejo a cela e depois cada detalhe, diferente de todas as outras que havia experimentado com Maçã.
- Isso vai ser pra sábado? - Abro e fecho a boca, vendo ele puxar a caixa para que eu veja melhor. Respiro devagar e até me passa uma empolgação ali.
- Sim, cela e uniforme, sem isso você nem entra na arena - Olho para ele, eu quase puxo ele para um abraço, quase.
- Onde conseguiu isso?
- Esqueceu que já estive sobre um cavalo também, além disso isso vai te ajudar, vamos testar amanhã no seu parceiro.
- Essas coisas são suas?
- Sim, usava quando competia, hoje só ajudo nos treino e com os animais, então isso pode ser seu. Só cuida bem e honra elas.
Fico emotivo, a forma e o jeito desse acidente vem na minha cabeça.
- Da um pesar pensar que eu nem fiquei sabendo e nem estive do seu lado. Que nunca fui o cara chato na plateia gritando seu nome e falando pra você ir bem ou apenas dando força.
- Não iria adiantar, vai que aconteceu pra não ocorrer coisa pior? Já pensou nisso?
- Estar do lado e para os momentos bons e ruins. Independente, Alex. Errei com você.
Dou um sorriso.
- Pelo menos está admitindo as coisas, mudando uma coisa ali e outra ali
Ele fecha o porta mala e se move.
- Temos apenas mais três dias, eu preciso manter os três tambores em pé, passar por eles o mais rápido que conseguir - Ele destrava a porta e eu me mexo.
- Você está indo bem, tem que ficar entre as vinte quatro colocações - Ele coloca o carro pra andar e subimos pra cede. - Tem que sintonizar seu peso com o do cavalo, você ainda está tenso, deve relaxar como puder e apenas focar no trajeto e em comandar o cavalo, se você for bom o cavalo vai ser ótimo, mesmo ele tendo o mesmo grau de preparação que você.
- Quantas pessoas vou ter que enfrentar sábado?
- São 46 competidores e de público algumas centenas talvez ou milhares.
Quando ele para o carro de frente pra casa eu noto um carro diferente, um taxi que eu já havia me aventurado.
- Quem está aqui, mamãe está esperando alguém? - O carro passa ao nosso lado e caminhamos pra dentro, quando entramos pela porta eu descubro quem está ali. - Pai?
Minha mãe está parada na sala, parece surpresa, assim como eu e meu irmão.
- Olha meus garotos aqui - Ele se aproxima, abraça Alex e depois para antes de fazer o mesmo comigo. - Que roupas são essas?
Vejam, toda a raiva de antes sumiu.
- Estava...
- Me ajudando em algumas cercas - Olho para Alex, não entendendo o que ele faz falando aquilo.
- Não, estávamos...
- Trabalhando, que tal você e seu irmão subir e tomarem um banho? O jantar logo estará pronto, seu pai também vai se acomodar em um dos quartos lá de cima.
- Isso mesmo, foi tudo muito rápido, nem consegui avisar vocês direito, ficarei até o domingo aqui, claro, isso se sua mãe não se importar em me abrigar, dar um teto e uma cama, uma boa comida e dividir vocês comigo.
- Como se você fosse me dar escolha.
- Não seja assim, sou o melhor ex que alguém pode ter.
- Só e meu ex ainda porque você é pai dos meninos, se não já haveria riscado você da vida.
- Sarah?
Dou risada, vendo Alex se mover e acenar para que eu acompanhe ele. Estranho, mas sigo a cena.
- Papai, eu e James vamos subir e já descemos, temos muito pra falar, sabia que James aprendeu a tirar leite?
- Reaprendeu você quer dizer, eu só havia esquecido algumas coisas.
- Como amarrar a vaca ou não deixar o bezerro virar o balde de leite?
- Muito engraçado.
- Vão, subam e se arrumem.
Acompanhei Alex e subimos juntos, quando ele chegou na porta do quarto dele, ele abriu e me puxou pra dentro.
- Achei ótimo papai vir, ele vai poder me ver.
- Você não comentou nada com ele, não é?
- Não, apenas disse que estava aprendendo algumas coisas.
- Bem, temos um problema, ele não vai achar muito interessante você nessa competição, então te desejo sorte e prepara pra ouvir um longo discurso do que houve comigo e como você pode se machucar, além de também falar que isso tudo podia ser evitado se mamãe não desse incentivo.
- Mas ela não dá, já cansou de falar que eu vou passar vergonha ou se não me machucar.
- Ele não sabe disso.
- Da minha parte eu me viro, falo com ele depois.
- Tenta não deixar ele culpar a nossa mãe, já foi complicado quando ele fez isso antes.
- Tudo bem, eu mesmo vou falar com ele, não se preocupe.
Me aproximo da porta e antes de sair eu me viro pra ele.
- Está pronto pra um jantar em família?
- Acho que podemos esperar um jantar limpo e sem briga dos dois - Eu falo, dando até uma de otimista demais.
- Estamos falando das mesmas pessoas, James?
Dou risada, mamãe e papai era ruins nesse tipo de coisa.
Mas agora sabia a raiva de mamãe, papai havia sido um bundão com ela, havia traído ela, eu ainda iria falar sobre isso, mas eu não sabia como perguntar, como me aproximar e perguntar, tanto pra um, como pra outro. Ninguém havia me falado esses anos todos.
Me deixaram pensar que era pelas escolhas que fizeram, quando na verdade foi atitude.
Os dois estão juntos, talvez chame os dois e pergunte de uma vez.
- Cinquenta dólares que mamãe acerta alguma coisa da mesa nele.
- Não vou arriscar.
- Ela fez purê hoje? - Brinco.
- James?!
- Brincadeira.
AVISO - Mais um capítulo fresquinho pra vocês (finalmenteeee), para ficar por dentro adicione o livro na biblioteca, comente sempre nos capítulos para eu poder saber o que vocês acham do livro e deixe o seu voto maravilhoso ou me sigam para receber novidades e atualizações. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até