Capitulo 34

2309 Words
— É um filme que eu assistia quando eu era criança, chamado O Corcunda de Notre Dame. — ela disse fazendo aspas com os dedos, sem parar de rir. — Ah é isso? — ele coçou a nuca e ela assentiu ainda rindo. — Está bem, para de graça. — ele suspirou. — Com ciúmes de um desenho, meu amor? — ela disse parando de rir. — Você é uma figura. — dando vários selinhos nele, que estava emburrado. — Como eu ia saber que esse Quasímodo era o corcunda? Eu não sei o nome dele. — Tá bebê. — ela riu. — Eu sei que você tem ciúmes de mim. — se achou. — Você se acha não é? — ela assentiu. — Vem amor, quero fazer umas comprinhas. — ela disse toda animada, indo em direção às lojas. — Ai merda, Any deixa pra fazer compras outro dia meu amor... Vamos passear. — Não, aquela lojinha só tem coisa boa, vamos lá, anda! — disse caminhando com ele atrás. — E você vai pagar tudo o que eu comprar. — Sei disso. — ele negou com a cabeça, sorrindo.  Odiava fazer compras, ainda mais com mulher junto, ninguém merece. Mas por Any ele abria uma exceção. A tarde se passou tranquilamente, o casal ficou a tarde inteira passeando, vez ou outra paravam para comer algo ou comprar alguma coisinha que Any via e gostava. Foram a vários pontos turísticos de Paris, Any tirava várias fotos e estava simplesmente adorando o lugar. Apenas em saber que podia andar com ele de mãos dadas, beijá-lo a qualquer momento, sem se preocupar de serem vistos, sem se preocupar com parentes, com pessoas intrometidas. Pra qualquer um não era muita coisa, mas para Any era uma felicidade. ¨¨¨¨ A noite chegou e os dois estavam se preparando para irem ao congresso. — Nossa você está um gatão meu amor. — ela sussurrou arrumando a gravata dele e lhe dando um selinho demorado.  Ele sorriu. — E você também. — ele disse observando o vestido preto que ela usava, batia no meio das coxas e tinha um decote generoso. Com certeza seria muito invejado naquela noite. Ele pensou malicioso. — Mas não acha que esse decote está muito provocante não? — ergueu a sobrancelha a encarando. — Não, está ótimo. — ela disse encarando o decote. — Não gostou? — fez um biquinho. — É claro que eu gostei. — ele disse. — Mas eu já imagino aqueles velhos babando em você. — fechou a cara. — Pois eles que babem à vontade. — ela deu de ombros. — Eu sou sua. — ela sussurrou perto da boca dele. — Apenas sua. — Assim que eu gosto. — ele assentiu lhe tomando os lábios em um beijo. — Agora vamos sim? — ela riu parando o beijo. — Chegar atrasado aos lugares é deselegante. — Sim, claro. — ele concordou. — Vamos. — Me deixa só pegar minha a bolsa. — ela foi até o sofá e pegou a pequena carteira. — Agora sim podemos ir. Os dois saíram. Entraram no carro e logo estavam a caminho do clube, onde seria realizado o congresso, ficava em um bairro nobre de Paris. — O que vai dizer aos os seus amigos arquitetos sobre mim? — ela o encarou, esperando a resposta. — Como assim meu amor? — ele a encarou confuso. — Vai dizer que eu sou sua secretária? — Não. — ele riu. — Vou dizer que você é a minha mulher. — disse desviando o olhar para ela, que o encarou com um sorriso enorme. Ele voltou a prestar atenção no trânsito. — Mas e se perguntarem sobre a Sofya? — disse enrolando os cabelos no dedo. — Vai falar o quê? — Eles não conhecem a Sofya. — ele disse simples. — Como assim não conhecem? — confusa. — Você nunca a trouxe? — disse espantada. — Para congressos não. — ele disse. — Sofya só vem à França para gastar dinheiro. — disse olhando no relógio para ver as horas, ainda estavam dentro do horário. Ótimo. — Ela não sabe aproveitar uma boa viajem a dois. — suspirou. Any não se espantou ao ouvir, Sofya era tão demente que não deveria sequer aproveitar uma ida ao motel, se é que ela já esteve em um. — E onde passaram a lua de mel? — Em Malibu. — ele mordeu o lábio, lembrando-se do belo fiasco que tinha sido a lua de mel. — Nem me lembre disso, foi uma verdadeira merda. — começando a rir. — E por quê? Ele suspirou. Além de ter sido curta, devido ao trabalho dele, Sofya não podia ter relações, pois estava menstruada, ou seja, ele ficara a lua de mel inteira a ver navios. — Eu prefiro não comentar. — ainda rindo. — Certo. — deu de ombros. — Apesar de já saber que com a companhia daquela mulher, até um paraíso como Malibu vira um inferno em dois tempos. — os dois assentiram. — Vocês viajam muito não é? — ela continuou. — Eu mesmo não, viajo mais a trabalho, a Sofya adora viajar, para todos os lugares, todos os momentos, pra fazer compras, como sempre. Any riu negando com a cabeça. — Mas vamos parar de falar sobre a Sofya, está bem? — ele disse e ela assentiu. — Ok. — disse abaixando o espelho e observando-se. Logo chegaram ao clube, Josh adentrou com o carro até a entrada e viram que tinha muitas pessoas elegantes. Assim que chegaram à entrada, os dois saíram e ele entregou o carro ao manobrista e os dois adentraram o recinto. — Nossa, eu não imaginava que teria tanta gente. — ela sussurrou, enquanto andava com os braços dados com ele. — É, nem eu... — ele sorriu. — Beauchamp! — alguém chamou.  Ele se virou para olhar, pôde ver que era Alfredo Adamatti, um dos melhores arquitetos da Itália. — Alfredo! — ele sorriu, se aproximando com Any. — Como vai meu velho?! — Muito bem. — disse em português com o leve sotaque Italiano. — E essa bela dona? Josh a encarou e a cacheada mordeu o lábio, esperando a resposta. — Essa é minha mulher, Any Gabrielly. Any, esse é Alfredo Adamatti, é italiano. — apresentou-os. Any sorriu satisfeita, era extremamente excitante ouvi-lo dizer a alguém que ela era sua mulher. O italiano pediu e ela estendeu a delicada mão, ele deu um beijo. — É um prazer conhecê-la senhora. — disse ele. — O prazer é meu, senhor Adamatti. — ela respondeu educadamente. — Que bela! — disse admirado. — Por favor, sentem conosco, a reunião começará dentro de poucos minutos. — Claro, será um prazer. — Josh respondeu, enquanto o seguiam. — Quer dizer que sou a senhora Beauchamp por aqui? — ela murmurou baixinho, enquanto caminhavam atrás de Alfredo. — E logo não será apenas aqui. — ele garantiu. — Será em todos os lugares. — disse a abraçando de lado. Ela sorriu. — Não sabia que tinha amigos italianos. — Bom, geralmente fazemos amizades nos congressos. — ele riu de leve. — Alfredo é boa gente. Os dois chegaram à mesa e tinham mais algumas pessoas, por sorte Josh conhecia todos, eram italianos e portugueses. Cumprimentou-os e sentaram-se. Logo engataram uma conversa animada. — Senhora Beauchamp. — alguém chamou. Any se virou para olhar, era estranho ser chamada por senhora Beauchamp, mas que era bom era. Ela pensou sorrindo.  — Senhora Beauchamp? — voltaram a chamar. — Oh céus me perdoe seu Adamastor. — ela se desculpou. — Estava um pouco distraída. — Imagine, em lugares como esses, qualquer um se distrai. — ele disse brincalhão. — Essa é minha filha Emanuela. — apresentou uma moça loira, que parecia estar grávida. — Minha bela esposa. — um dos homens disse com um sorriso, enquanto a mulher sentava ao seu lado. — É um prazer Emanuela. — ela sorriu cumprimentando-a. — Chegou agora? — O prazer é meu. — ela fez um leve gesto com as mãos, já que não dava de se cumprimentarem com dois beijinhos pela distância. — E não, eu tinha ido ao toalete, sabe, esses estados deixam a gente louca.  Any forçou um sorriso, a mulher estava realmente grávida.Falando em mulheres grávidas, ela tinha que se tornar uma o quanto antes. Pensou sozinha enquanto bebericava um pouco de vinho tinto.  Mas pensando bem, Josh já estava a ponto de se separar, não seria necessário engravidar com tanta urgência, além do mais ela não gostava de crianças e não queria uma berrando em seu ouvido, gostava demais de sua liberdade.  Saiu de seus devaneios quando viu um anúncio, avisando que já começaria o congresso. — Meu amor, nós já voltamos. — Josh lhe deu um selinho. — Vai pra onde amor? — Temos que ir até o auditório, você pode ficar na companhia da Emanuela. — ele piscou. — Daqui a mais ou menos uma hora nós voltamos. Ela assentiu e todos os arquitetos e arquitetas que ali se encontravam, entraram para o tal auditório, deixando algumas pessoas ali na recepção. — Esse negócio de congresso é um saco. — Emanuela puxou assunto, enquanto se levantava pra sentar mais perto de Any. — Desde a primeira vez que acompanhei Genaro nunca consegui gostar. Minha mãe sempre me aconselhou a não vir, pois ela já tinha costume de acompanhar meu pai, mas eu nunca dei muita bola. — riu. — Genaro é o seu marido não é? — a moça assentiu. — Você nasceu em Portugal mesmo? — Não, eu nasci em São Paulo, mas estávamos de férias no Brasil quando isso aconteceu, então com vinte dias de vida voltei pra Portugal. E você? — Sou carioca. — ela disse e a moça a encarou com duvida. — Rio de Janeiro. — ela explicou e a mulher assentiu, entendendo enfim. — Está com quantos meses de gravidez? — Estou com cinco meses. — acariciando a barriga. — É uma menina? — a mulher negou. — Oh é um menino... — sorriu. — Seu marido deve estar muito feliz. — Sim, está que não se aguenta de alegria. — acariciou a barriga. — E você? Tem filhos? — Não, não... — ela negou prontamente. — Eu acho que não seria uma mãe, como posso dizer, uma boa mãe. — E por que não? — Acho que não tenho instinto materno. — forçou um sorriso, pensando que a única forma de fazer com que ela se tornasse uma mulher grávida e enorme, seria para agradar a Josh. — Todas as mulheres tem instinto materno. — ela sorriu meiga. — Mas eu nem tenho cara de mãe, não tenho paciência de mãe e não tenho um corte de cabelo de mãe, resumindo, eu não nasci para ser mãe. — bebendo outro gole de vinho.  Emanuela riu.  — É seu primeiro filho? — Não, tenho uma filha de cinco anos. — ela sorriu toda babona. — Há quanto tempo é casada? Any engoliu o seco, e agora, quantos anos ela poderia dizer? — Bem, somos casados há... — pausa. — Cinco meses. — concluiu com um sorriso, afinal era o tempo que conhecia Joshua. — Nossa, são praticamente recém-casados. — ela disse surpresa. — E o maridão, não quer herdeiros? — Sabe Manu... Posso chamar você de Manu? — a loira assentiu. — Eu até queria ter um bebê, mas eu acho que ainda não é o momento certo, vou esperar mais um pouco. — ela piscou. — É realmente, cinco meses é um tempo muito curto. — ela assentiu. — Mas foi um dos piores momentos do meu casamento. — a moça se lamentou. — E por quê? — Meu marido me traiu. — ela disse e Any engoliu o seco. — Teve uma amante durante três meses, foram os piores meses da minha vida. — ela suspirou. — Que chato não é? — Any disfarçou. — Chato não, péssimo. Eu não sei o que uma mulher ganha tentando tomar o marido de outra, sinceramente. Tantos homens solteiros no mundo e vão atrás logo dos casados. Any ficou sem palavras, o que dizer? — Vai ver, as amantes amam mais os homens que a própria esposa... — ela disse baixinho. — Digo! Não estou dizendo que ela amava mais o seu marido que você. — explicou. — Mas em muitos casos sim, as amantes amam os homens de maneira única e intensa. — mordeu o lábio. — Porque está dizendo isso? — a mulher perguntou. — Por que é verdade. — disse simples, bebericando mais um pouco do vinho. — Bem... — a loira suspirou. — O importante é que meu marido viu que não valeria a pena trocar tudo o que nós vivemos por uma aventura qualquer, e a largou. Any suspirou, pobre da amante. Esperava que isso nunca acontecesse com ela, afinal de contas era impossível Joshua trocá-la por Sofya, ele odiava a esposa! Ficou mais um tempo conversando com Emanuela e nem viram o tempo passar, a reunião terminou e todos voltaram à recepção. Ficaram mais um tempo ali, divertindo-se, conversando com o pessoal, que eram muito legais, depois decidiram ir embora, já eram uma e trinta da madrugada. ¨¨¨¨ — Any, eu nunca vi aquela mulher na minha vida. — ele explicou assim que adentraram ao quarto. — E por que você foi tão atencioso com ela? — ela cruzou os braços.  — Por que ela me fez uma pergunta e eu tive que responder. — ele explicou pela vigésima vez. A cacheada cruzou os braços. A discursão começou por que uma morena os parou na recepção do hotel pedindo informações, como Any não sabia falar francês, Josh foi ajudá-la. E na opinião de Any ele fora "dedicado" demais.
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