— Como vai Xavier? — apertou a mão dele.
— Bem rapaz, e como vão os negócios? — apontando para eles sentarem.
— De vento em popa.
O pai de Sofya voltou a dar atenção ao laptop. Josh suspirou, enquanto Sofya falava sobre roupas e cabelo com a mãe, o pai dela ficava vidrado no computador e ele sem ter nada pra fazer, aquela casa era um tormento, não sabia ainda o que estava fazendo ali.
A empregada anunciou o almoço e ele estava pedindo a Deus para que acabasse logo para que pudessem ir embora.
— Oh querida, eu queria muito que vocês passassem a tarde inteira conosco. — disse tomando um gole de suco. — Sinto tanto a sua falta meu amor, falta do Josh.
— Mamãe, é claro que nós ficamos. — Sofya disse apertando a mão da mãe.
— Er, eu não sei... — ele disse, mas foi interrompido.
— Ora por que não rapaz? Vamos, fiquem conosco. Vai ser uma tarde muito agradável. — Xavier disse.
— Eu adoraria Xavier, mas eu tenho que trabalhar e... — outra vez é interrompido.
— Josh, você é o presidente dali querido. — Rosana disse orgulhosa. — Tem mil funcionários que podem fazer por você. Ande, fique aqui essa tarde, sua esposa agradeceria, não é querida?
— É claro, mamãe! — com um sorriso de orelha a orelha.
Joshua não estava acreditando, ele não aguentaria ficar uma tarde inteira com aquela gente, iria enlouquecer. Precisava conversar com Any, não queria ficar ali de jeito nenhum. Mas pelo visto não tinha outro jeito.
— Tudo bem, eu fico. — disse dando um sorrisinho falso. — Eu só preciso ligar para a minha secretária e avisar.
Sofya rolou os olhos enquanto ele buscava o celular.
— Com licença. — ele disse se retirando da mesa.
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Any comia sem nenhuma vontade, o almoço estava uma delícia, mas a fome parece que evaporara. Sentiu seu celular vibrar e o buscou no bolso. Viu que era Joshua e sorriu. Será que ele queria pedir desculpas? Atendeu com um sorriso bobo.
— Alô.
— Any... — ele disse com um suspirou ao ouvir a voz dela.
De repente Sofya chegou onde ele estava, a loira ficou o abraçando de lado enquanto ele a xingava de todos os nomes em pensamento, que merda ela estava fazendo ali?
— Er... Eu só queria avisar que vou passar à tarde com a família da minha esposa... — Sofya sorriu satisfeita. — Você pode tirar o resto da tarde de folga.
Any suspirou com tristeza.
— Tudo bem Joshua, aproveite bastante! — desligou na cara dele.
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PORRA! Que merda, deu tudo errado outra vez. Any deveria estar pensando o pior dele.
— Vamos voltar pra mesa, meu amor? — ele ouviu a voz de Sofya, falando no seu ouvido.
— Vamos claro. — ele forçou um sorriso, e fez muito esforço para forçá-lo mesmo. — Escuta, o que você veio fazer aqui, hein? — disse como se não quisesse nada.
— Ah, a mamãe disse para eu vir também! — disse ela dando de ombros.
Joshua rolou os olhos disfarçadamente e os dois voltaram para a mesa. A tarde foi considerada a pior da vida do rapaz, passou a tarde inteira agoniado com os pensamentos em Any, Rosana e Sofya enchendo o saco com assuntos fúteis, sem o menor interesse, e Xavier, que era o menos r**m passara a tarde toda no escritório vidrado no computador.
Depois de muito sofrimento, Sofya levanta e diz que precisam ir. Nunca adorou tanto vê-la falando algo, como adorou naquele momento. Depois de alguns minutos os dois vão.
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Any estava irritada, tocou a campainha da casa da melhor amiga com força. Logo Mari atendeu a porta com um sorriso.
— Any querida! — ela deu espaço para a cacheada entrar. — Entre meu bem, a Sina está tomando banho.
— Oi tia, desculpa o escândalo... — ela mordeu o lábio sem graça.
— Que nada meu amor... — sentando de volta no sofá e apontando para que ela se sentasse também, Any senta. — Vem cá não era pra estar no trabalho?
— Pois é, mas meu chefe me deu o resto da tarde livre. — ela cerrou os punhos disfarçadamente. Maldito Josh!
— Ah, que bom... — Mari sorriu. — Não quer comer? Fiz um bolo delicioso. — piscou.
— Huuum... Eu vou provar sim.
Mari apontou a cozinha, como se dissesse que ela podia pegar. Any levantou e foi buscar o bolo de chocolate. Colocou uma fatia no pratinho, parecia delicioso.
— Tia, eu vou esperar a Sina no quarto dela tá?
— Fique à vontade. — sorriu. — Provavelmente o quarto de Sina deve estar uma bagunça, mas não ligue, você conhece sua amiga...
— Conheço sim, o meu também estava pior que um chiqueiro, mamãe quase me mata... — deu de ombros. — Eu sou familiarizada. — dando tchauzinho e subindo as escadas.
Mari apenas riu.
Any subiu, e entrou no quarto da amiga. Não estava tão bagunçado quanto ela pensava, ainda conseguia ver os ursos em cima da cama. Comeu o bolo e nada de Sina, deitou-se na cama de peito pra baixo e ficou mexendo nas coisas da amiga. Sina entrou e viu ela distraída.
— ACORDA VACA! — deu um tapa na b***a dela, fazendo Any berrar. — Que foi? Está sensível é? — riu ao ver a cara de dor dela.
— Mais ou menos. — ela se sentou. — Vem cá por que demorou tanto? Estava batendo s******a é?
— Talvez. — piscou. — Mas o que você tá fazendo aqui à uma hora dessas? Não era pra estar trabalhando?
Any suspirou.
— Nem me fale...
— Foi demitida? — arregalou os olhos.
— Nem, mas aconteceram umas coisas hoje. — coçou a nuca. — Eu me senti uma merda.
— Ai amiga. — ela jogou a toalha de lado, ficando pelada. — Me deixa trocar de roupa e você me conta essa história ok?
Any assentiu e Sina se trocou, vestiu apenas um short e uma blusinha.
— Agora me explica o que você tem? — Sina sentou-se ao lado dela.
— É que... — suspirou. — A gente estava fazendo aquilo. — fez um gesto com a cabeça e Sina riu.
— Sim vocês estavam transando... E aí?
— Aí viram a gente. — Sina arregalou os olhos. — É, nós estávamos fazendo amor na sala dele.
— Sua louca! — ela pôs a mão na boca. — E não me diga que foi a chifruda...?
— Não, foi uma velha insuportável que me odeia, acredita que ela veio me chantagear depois?
— E o que ela disse? — Sina gemeu, imaginando a confusão.
— Disse para que eu saísse da empresa, senão mandava a droga da foto. Sim, ela tirou uma foto nossa, lá na hora. — Sina negou com a cabeça. — Disse que mandaria a maldita foto pra mulher dele.
— Minha nossa. E depois? Não me diga que você aceitou?
— É claro que não. — deitou-se outra vez, suspirando. — E ele se irritou com isso.
— Se irritou com o que?
— Por eu não ter aceitado, disse que ainda não era hora da mulher dele saber, e que eu era louca. — ela mordeu o lábio.
— Que desgraçado! — Sina disse revoltada. — Quer dizer que ele preferia que você tomasse as contas, ao invés da mulher dele descobrir?
— E o que parece não é? — deu de ombros, tentando não demostrar sentimentalismo. Mas aquilo tinha machucado por demais. — Fora que quando ele chamou a velha lá, pra conversar, ela me xingou de todos os nomes possíveis e o maldito sequer abriu a boca pra me defender.
— Se eu fosse você metia a porrada nessa velha.
— E acha que eu não fui pra cima? — Any a encarou cerrando os olhos. — Eu respeito os idosos quando eles me respeitam também! — bateu na cama. — Eu voei nos cabelos brancos da vovó, e ia derrubar ela, mas aí o Josh me impediu, dizendo que "ela era só uma idosa e merecia respeito"... — imitou o loiro. — Que raiva! — bufou.
— Eu ainda estou tentando entender por que você pediu as contas. — Sina disse confusa.
— Que pedi as contas o que sua maluca? — deu um pedala nela. — Eu não posso pedir as contas, acha que eu sou rica pra ficar jogando trabalho fora, eu sou é pobre e preciso do dinheiro. O que aconteceu é que ele foi pagar de bom marido acompanhando a demente da mulher dele na casa dos pais dela, e ainda tem a cara de p*u de me ligar dizendo "eu vou ficar aqui, no quinto dos infernos com a minha esposa" me deu uma vontade tão grande de mandar tomar no cu, que você nem imagina. — ela disse chorosa. — Só não mandei por que eu tenho medo de ele me demitir.
— Amiga, você transa com o cara todo dia, se eu fosse você eu não apenas mandava ele tomar no cu, mas também mandava ele se f***r todo e... — Any a interrompeu.
— Chega! Não me deixe arrependida sim? — forçou um sorriso.
— Claro que não, o que você tem que fazer agora é dar um gelo nele, pra esse cara se tocar logo. — cruzou os braços. — Entendeu?
— Mas é isso mesmo que eu vou fazer, ele vai aprender uma lição. — disse se levantando. — E da próxima vez que for me bater, não bate na minha b***a não, ela ainda está sensível.
— Não me diga que você deu o cu pra ele? — Sina disse deitando calmamente.
— Dei, mas foi a última vez. — recolhendo a louça do bolo. — Tá rindo de que?
— É por que já estava na hora de você dar esse r**o. — ela disse fazendo uns gestos com as mãos comemorando. — "Ei eu nunca vou dar meu r**o, blá, blá..." — imitou a cacheada. — Pagou pela língua hein cacheada, as garotas vão adorar saber.
— Se falar pra alguém eu te mato, e eu já disse que foi a primeira e última vez. E vai se f***r! — deu o dedo pra loira e saiu, deixando a amiga se acabando de rir.
—Eu sabia! — Sina gargalhava.
Any saiu da casa da amiga, se sentindo mais leve. Desabafar toda a sua raiva fez até que bem pra ela. Agora a única coisa que sentia era uma tristeza. Porque Josh não podia tratá-la com mais atenção? Não quis jantar e subiu direto para seu quarto.
Ao chegar lá deitou-se em sua cama deixando as várias lágrimas caírem. Na frente dos outros ela não demostrava nada, era orgulhosa demais pra isso, mas sozinha ela mandava tudo à merda, seu coração estava pequeno.
Imaginar Josh com aquela mulher deixava seu coração comprimido de ciúmes e dor, saiu de seus pensamentos quando ouviu seu celular tocar, rolou os olhos e enxugou as lágrimas para ver quem seria o ignorado da vez, não estava com paciência pra falar com ninguém.
Arregalou os olhos ao ver que era Josh. O que ele queria agora? Dizer que ia t*****r com Sofya? Pois ele que transasse com o capeta! Negou a chamada sem nem pensar duas vezes. E ficou surpresa ao ver o tanto de chamadas que tinha, onze.
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— Droga Any! — ele bufou.
Estava preso banheiro tentando falar com a cacheada há horas. E dessa vez no segundo toque a ligação cai, com certeza ela não quis atendê-lo!
— Que merda! — ele deu um ataque no banheiro.
— Meu amor. — ouviu a voz estridente de Sofya e se segurou pra não ir lá fora estrangulá-la. — Está tudo bem aí dentro, coelhinho da mamãe?
Que merda de coelho da mamãe o que! Coisa ridícula!
— Está tudo bem Sofya. — ele bufou andando de um lado para o outro. — Pode me deixar em paz, por favor?
— Está bem, não precisa me matar. — ela disse com a voz chorosa. — Quando terminar de fazer caquinha, eu estarei te esperando lá em baixo, quero assistir o novo filme da Barbie com o meu amor.
Ele rolou os olhos, enquanto tentava outra vez ligar para Any, agora a merda do celular estava desligado.
— p**a que pariu meu amor. — ele suspirou. — Me atende, por favor. — olhando o celular.
Pelo visto seria uma longa noite.
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No dia seguinte, ele chegou cedo à empresa. Ao chegar, notou que ela ainda não estava. Colocou a pasta na mesa e desceu iria esperá-la no estacionamento, e ela não escaparia de uma conversa.
Ficou andando de um lado para outro no estacionamento, nada de Any. Não era possível que ela não viria, aquilo era o trabalho dela, ela não podia faltar! Eram oito da manhã e nada de Any. Ele não estava acreditando que ela não viria. Murmurou um palavrão e subiu novamente morrendo de raiva.
Ao chegar lá teve uma surpresa ao vê-la sentada na cadeira, já trabalhando.
— De onde você saiu? — ele disse com um sorriso i****a na cara.
— Não sei do que está falando. — ela não olhou pra ele, apenas continuou a fazer o que estava fazendo.
— Eu estava te esperando no estacionamento até agora e você não apareceu. — ele disse perplexo. — Onde você estava?
— Estava aqui. — ela disse levantando. — Não vim de carro, vim de ônibus, meu carro está na oficina. Desculpe o atraso senhor. Não se repetirá.
— Que se f**a o atraso, eu quero conversar com você Any. — completamente espantado com a frieza dela.
— Não quero conversar com o senhor sobre nada que não seja trabalho. — pegando as pastas. — Pode, por favor, assinar os documentos de ontem? — ela entrou na sala dele, com ele atrás dela. — Como não veio ontem a tarde vai ter que assinar tudo agora. — pôs tudo na mesa dele.
— Any, por favor. — ele murmurou. — Vamos conversar, sim? Meu amor... — ela o interrompeu.