— Vamos ver quem constrói o castelinho maior? — ela disse, se abaixando toda feliz.
— Está brincando não é? — ele riu.
Ela o encarou, acocada.
— Não. — se ajoelhando na areia. — Vai me dizer que não sabe fazer castelinhos de areia? — provocou.
— Bom, saber eu sei, é só juntar um monte de areia e pronto. — ele deu de ombros se ajoelhando ao lado da cacheada.
— Bom, assim não, assim se faz uma montanha de areia. — rolou os olhos. — Um castelinho é diferente.
— E então como se faz um castelinho? — se abaixando ao lado dela.
— Pra fazer um castelinho legal, tem que ter aqueles brinquedinhos, tipo a pázinha, o baldinho, e as forminhas... Quando eu era pequena eu tinha um monte de forminha. — dizia arrastando a areia, formando um monte.
— Então não faz muito tempo né? — ele zombou. — Um dia desses, você ainda usava fraldinhas.
— Dá pra parar Josh? — riu. — Eu tenho vinte anos, p***a. Me ajuda a fazer o castelinho anda.
Ele rolou os olhos e botou a mão na massa, ou melhor, na areia, estavam parecendo dois pirralhos ali.
— Amor, para com isso. — ela reclamou pela milésima vez. — Estamos construindo um castelinho, não precisa você querer fazer uma planta. — deu um selinho nele. — Esquece que você é arquiteto. Olha como está ficando lindo!
—Eu só estou vendo um monte de areia meu bem.
— Ah seu chato... — deu língua. — Se ficou feio é por que eu não tenho brinquedos pra me ajudar. — batendo as mãos e sentando em cima da rasteira, desistindo de fazer um castelinho apresentável.
— Depois eu compro os brinquedinhos para a minha princesa. — a puxou para um beijo, fazendo Any suspirar e se arrepiar por inteiro.
Ele a abraçou fazendo-a apoiar a cabeça no peito dele, ela fechou os olhos sentindo o cheiro masculino e passou a cheirar o pescoço dele, era extremamente cheiroso.
— O mar fica ainda mais bonito à noite... Bate um ventinho tão gostoso. — deu outro selinho nele.
— Fica lindo, mas não fica mais lindo que você. Você é a coisa mais linda que existe. — beijou os cabelos dela e ela sorriu com os olhos brilhando.
— Eu estou muito feliz por você estar aqui comigo hoje. — disse entrelaçando as mãos.
Ele olhou para as mãos entrelaçadas e sorriu.
— Eu também.
— Não tem medo de alguém nos ver aqui? — ela mordeu o lábio.
— Na verdade eu não estou me importando nem um pouco com isso. — deu de ombros, despreocupado.
— É serio? — ela abriu um sorriso.
— Seríssimo!
Ela se aproximou e os dois se beijaram com calma e precisão. Ela estava se sentindo radiante, se sentia de alguma forma, importante pra ele sem estarem em uma cama de motel, ou transando na sala dele, apenas ali, namorando e aproveitando a companhia um do outro, naquela noite calma.
Depois de algum tempo os dois decidem ir embora, já que Any não avisara a ninguém para onde fora, e sua mãe deveria estar preocupada. Ele a levou pra casa e se despediram com um beijo dentro do carro mesmo.
Any não queria dar mais motivos ainda para que as fofoqueiras do bairro a perseguissem. Já não bastava ter sido vista aos beijos com Joshua antes de irem à praia e ter sumido com ele minutos depois, o que já era matéria suficiente para um jornalzinho inteiro de dona Dejanira e dona Filó de Assis. Sabia que seu nome iria correr solto no dia seguinte, isso se já não estivesse correndo.
— Amanhã nos vemos? — ela o encarou.
— Acho que não meu bem, amanhã eu vou resolver um assunto. — ela suspirou. — Não vou sair com a Sofya amor, não seja ciumenta. — beijou o narizinho dela.
— Como não quer que eu fique com ciúmes? — ela cochichou.
— Ok, eu entendo o que você sente, pode ter certeza, mas Any, o que eu vou fazer amanhã tem haver com a gente e você vai gostar muito da surpresa.
— O que é?
— Se eu contar não será mais uma surpresa. — ele a analisou como se fosse óbvio. — Mas eu te amo. É isso que importa. — ela assentiu.
Os dois deram mais alguns beijinhos e Joshua foi embora.
Any entrou em casa e Priscila estava esperando-a sentada no sofá com uma cara nada boa. A garota abriu um sorrisinho falso.
— Oi mãe, tchau mãe... — tentando sair fora, mas Priscila a deteu.
— Onde você estava Any Gabrielly? — segurando a filha e a levando para sentar até o sofá. — Tem noção de como eu estava preocupada menina?
— Ah mãe, você é muito exagerada. — rolou os olhos. — Eu só sai pra dar um rolé, qual é a bronca?
— Saiu pra dar um rolé com um homem? — a mulher sentou-se no sofá passando a mão no rosto. — Assim que eu cheguei dona Dejanira veio imediatamente me dizer que você tinha entrado no carro de um homem e ido embora com ele.
— Mamãe, você sabe como essa velha é fofoqueira! Está precisando é de um velho com um p***o bem grande pra dar um trato bem dado nela.
— Any, respeito menina! — Priscila disse com os olhos arregalados. — Quem era esse homem que andava com você?
— Meu homem. — deu de ombros.
— Seu homem? — Priscila chocou-se. — Como assim? Pode ser mais clara querida?
— Meu homem mamãe, eu estou transando com ele. Estamos apaixonados e é isso. Algo mais?
A mulher não sabia se ria ou se chorava diante dos relatos de Any, sua filha estava cada dia mais maluca.
— E você diz que está tendo relações com esse rapaz assim? Na minha cara? — estática. — Não existe mais respeito mesmo nesse mundo. — negando com a cabeça.
— Ora mamãe... — sorriu se levantando. — Você é minha mãe e eu confio em você. Eu sempre digo quando eu estou afim de alguém. — piscou. — E eu estou muito afim do Joshua, é serio. Estou amando. — ela suspirou, preferiu omitir o pequeno detalhe de que ele era casado, até por que não queria ficar órfã agora.
— É aquele que ligou te dando o emprego? — Any assentiu. — Ah, é por isso que estava tão animadinha pra começar a trabalhar.
Any riu.
— Sim, e ele é um arquiteto muito talentoso! — disse orgulhosa. — Além de lindo.
— Podia trazê-lo aqui, podemos fazer um almoço pra ele e...
Any arregalou os olhos.
— NÃO! — disse assustando a mãe. — Quer dizer, eu não sei se é uma boa ideia, a senhora sabe como o papai é ciumento e...
— Ah, ok, quer esperar mais um pouco. — suspirou. — Certo querida, eu só quero que tome cuidado, não quero saber de netinhos agora viu? Por favor, se cuide, e cuidado pra não sofrer meu amor, não se apegue demais.
Any engoliu o seco e assentiu, já estava bastante aliviada de saber que tinha tirado aquela maluquice de almoço da cabeça da sua mãe. Enquanto Joshua não botasse aquela coelha ridícula pra correr eles não podiam nem sonhar com almocinhos familiares.
Despediu-se da mãe e decidiu ir até a casa de Sina, passar o tempo.
¨¨¨¨
Joshua chegou em casa e Sofya estava vendo TV, com o olhar perdido.
— Oi Sô! — suspirou.
— Porque demorou? — disse se levantando rapidamente e indo até ele.
— Boa noite pra você também. — achando engraçado. — Está tudo bem contigo? — desconfiado.
— Me diz logo por que demorou? — berrou. — E por que sua roupa está toda cheia de areia?! — dando um piti.
— Ei, pode parar com esse interrogatório... — ele disse subindo as escadas.
Sofya engoliu o seco ao pensar que ele talvez ele pudesse ter transado com aquela v***a na beira do mar.
— Eu não te disse que iria jogar futebol com os meus amigos? — rolou os olhos notando que ela o seguia.
Sofya respirou fundo.
— Coelhinho, você acha a Any Gabrielly bonita? — ela disse de repente fazendo ele se assustar com a pergunta.
— Por que está me perguntando isso? — ele indagou parando de caminhar.
— Er... Só curiosidade. — brincando com os dedos. — Você a acha, tipo... Mas bonita do que eu?
Josh suspirou, aquilo estava muito estranho. Onde será que Sofya queria chegar com toda aquela ladainha?
— Sofya, a Any é linda... — a loira mordeu o lábio. — Mas você também é. As duas têm belezas diferentes. — rolou os olhos voltando a caminhar.
— Mas eu quero que diga quem é a melhor!
— Ok, você é melhor... — mentiu. — Satisfeita? — entrando no banheiro.
Sofya ficou toda saltitante do lado de fora. É claro que Joshua a preferia! Era a esposa dele enquanto Any Gabrielly era apenas mais uma qualquer.
¨¨¨¨
O domingo se passou voando, logo já era segunda-feira. Any chegou ao escritório toda feliz, e notou que Josh já tinha chegado.
— Opa, eu acho que me atrasei. — disse com um sorrisinho.
— Vem aqui meu amor. — ele a chamou com o dedo.
Ela sorriu e se agachou na mesa dele, colando os lábios em um selinho delicado, afundando para um beijo mais quente.
— Ei seu veado! — Noah entrou e surpreendeu os dois se beijando.
Any deu um salto, droga essa não.
— Desculpem, eu não queria atrapalhar a pegação de vocês. — Noah entrou bem tranquilo, parecia não ter se espantado ao vê-los se beijando.
— Er... — ela começou, tentando se explicar, mas Joshua a interrompeu.
— Meu amor, sem problema, o Noah já sabe.
Noah sorriu abertamente.
— Não se preocupe Gaby. — ele piscou.
Joshua o encarou com cara de poucos amigos.
— Quer dizer... Vim trazer o que você me pediu. — tirou um envelope do paletó e entregou para Joshua.
— Já estava na hora! — sorriu feliz.
— Er... Vocês usam drogas? — Any ergueu a sobrancelha.
Os dois se entreolharam, espantados.
— É que eu me lembrei daqueles filmes que os traficantes chegam com o envelopinho de droga e... — os dois a interrompem.
— NÃO! — disseram juntos.
— É claro que não meu amor... — Joshua explicou. — Isso é uma surpresa pra você.
— Uma surpresa pra mim? — desconfiada. — Então me dá. — abrindo um sorriso e estendeu a mão. Ele negou com a cabeça. — Ué, não é pra mim?
— É, mas você vai ter que me acompanhar... — se levantando.
— Te acompanhar? — riu. — Está bem. Mas agora?
— Isso! — se virou pra Noah. — Noah, qualquer coisa você encobre a gente né?
— Sem problemas, podem ir. — disse colocando as mãos no bolso. — Mas também não vai dar bobeira... Até mais tarde. — saiu.
— Vamos?
— Vamos. — Any riu e pegou sua bolsa.
Os dois desceram o elevador, em silêncio. Any batia o salto no piso, tentando controlar sua curiosidade, que estava aflorada. O que será que Joshua estava aprontando?
O elevador se abriu no estacionamento, os dois caminharam em silêncio até o carro dele. Clarice, que não era nada bisbilhoteira estava ali e se escondeu atrás de um carro, para que não fosse vista pelo casal.
Para onde será que aqueles dois sem vergonhas iam em pleno expediente? Negou com a cabeça enquanto via o carro saindo estacionamento a fora.
— Estou curiosa. — Any disse provocante. — Vai me levar para o motel? — fazendo círculos na coxa dele, que suspirou.
— Acho que aonde vou te levar é melhor que um motel. — ele sorriu acariciando a perna dela.
— Ui... Quero só ver meu amor. — piscou.
Não demorou a que chegassem em um especular edifício de luxo, adentraram o estacionamento subterrâneo e Any olhava tudo sem entender, que lugar era aquele?
— Onde estamos? — ela disse confusa, olhando para os lados.
— Você vai ver... — ele riu. — Vamos, desce do carro.
— Não, e se você for me matar aqui? Vai saber. — fazendo o sinal da cruz.
Ele espocou em uma gargalhada.
— Não mataria você nem que fosse louco meu amor. — deu um selinho nela e ela sorriu. — Vem. — a ajudou a sair do carro e ele ativou o alarme.
Os dois entraram e não deram satisfação nenhuma na portaria, o que deixou Any perplexa.
— Josh, quem quer que você tenha vindo visitar nós temos que avisar ao porteiro antes, não? — apontou.
— Que nada, não precisa. — riu entrando com ela no elevador.
Abraçou-a pela cintura e os dois se beijaram com desejo. Any queria muito fazer amor, mas Josh estava mais interessado em fazer visitinhas a desconhecidos do que levá-la a algum motel para que pudessem t*****r.
Separaram o beijo e ela ficou observando os detalhes do elevador, naquele prédio era tudo extremamente luxuoso, tinha até medo de tocar e quebrar algo.
Quando o elevador se abriu os dois se depararam com uma cobertura espetacular.
—Uau... — observando tudo maravilhada. — Que casa f**a! — ele riu do jeito dela.
—Não é uma casa meu amor, é uma cobertura. — ele corrigiu e ela deu de ombros.
Any foi até o vidro que arrodeava todo o ambiente e por ali pode ver uma vista espetacular da cidade do Rio. As janelas de vidro vinham do teto até o chão, deixando o ambiente claro.
Ela estava completamente babada, olhava tudo com os olhinhos brilhando, era sem dúvidas a casa mais linda que ela já tinha visto na vida, tinha dois estofados brancos e uma poltrona super confortável, uma TV de sessenta e cinco polegadas, um aparador com um home-teather e vários DVDs espalhados, tinha um quadro lindo na parede e um lustre fantástico no meio da sala.