Saiu da frente do espelho e entrou no banheiro, tomou um banho demorado, estava exausta e com muita fome. Terminou de tomar banho e vestiu uma blusa de alcinha e um shortinho.
Desceu e já encontrou os pais e a irmã jantando.
— Vem filha, a mamãe já serviu você.
Any sentou e Priscila lhe deu o prato.
— Come tudinho. — sorriu.
— E como foi no trabalho? — Sabina perguntou.
— Foi bom.
Os quatro começaram a conversar enquanto comiam. Assim que terminaram de jantar, Silvio encarou a filha.
— O que tinha de tão sério pra nos falar minha filha? — ele perguntou curioso.
Any engoliu o seco.
— Ela tem algo sério pra falar? — Priscila indagou e Silvio assentiu. — O que é Any? É sobre o bebê?
— É sim... — ela suspirou, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Pois diga. — ele disse.
— Eu entendo se vocês quiserem que eu vá morar em outro lugar. — sorriu de leve.
— Mas que besteira é essa Any... — Priscila disse. — Diga logo é o que é!
— Hoje eu fui na consulta e descobri que vou ter dois bebês. Estou gravida de gêmeos. — mordeu o lábio, colocando a mão no bolso do shortinho.
— Gêmeos é? — Silvio perguntou, para logo depois desmaiar.
— Papai! — Any arregalou os olhos e o acudiu junto com a mãe e a irmã.
— Silvio! — Priscila berrou, enquanto batia no rosto do marido de leve. — Vamos querido, acorde!
Aos poucos ele vai acordando, um tanto confuso. Priscila o ajuda a ficar em pé e ele passa a mão no rosto.
— Any, que história é essa? — ele cerrou os olhos.
— Pois é pai... — ela murmurou olhando as mãos. — O senhor vai ter dois netinhos.
Silvio pôs a mão no rosto, completamente em choque.
— Você tem certeza Any? — Priscila indagou enquanto tratava de segurar Silvio, para que o marido não desabasse no chão outra vez.
— Absoluta mamãe. — mordeu o lábio. — Eu os vi.
— Oh céus... — ela fechou os olhos, aturdida.
Silvio sentou-se e apoiou a cabeça nos braços. Any pôs o cabelo atrás da orelha ao ver como Silvio ficara atormentado com aquela notícia, ela suspirou tristemente.
— Papai... — ela chamou. — Eu entendo perfeitamente se você quiser que eu procure outro lugar pra morar. — pôs a mão na barriga e deu um sorrisinho triste.
Silvio a encarou e negou com a cabeça, dando um sorrisinho incrédulo.
— Sabe que jamais teria coragem de botar você pra fora Any. — ele indagou seco. — Principalmente em uma situação como essa. Você e sua irmã são tudo de mais importante pra mim. Essa casa, meu carro velho, nada tem importância pra mim, apenas minha família.
— Então eu posso ficar? — ela o encarou, curiosa.
Ele assentiu, com um sorriso de canto, jamais viraria as costas para alguma de suas filhas.
— Eu vou trabalhar, vou dar um jeito e... — o pai a interrompeu.
— Você não vai trabalhar. — ele grunhiu.
— Como assim pai? Eu preciso trabalhar. — ela disse o encarando. — Como eu vou cuidar dos meus filhos e...? — Silvio a interrompeu outra vez.
— Eu já disse que não vai. Você não aguentaria trabalhar com duas crianças na barriga! Agora está fácil por que está no inicio, mas depois você não vai mais conseguir nem levantar.
— E o que você sugere querido? — Priscila mordeu o lábio, confusa com a atitude do marido.
— Ela tem a pensão do pai deles, não tem motivo algum para ficar trabalhando e eu vou conversar com esse traste amanhã mesmo, vou exigir que ele pague o dobro do valor.
— Papai, por favor, não! — ela disse rápido. — Não faz isso! Eu não quero e...
— E por que não quer Any? — o homem disse com irritação. — Ele fez dois filhos em você, o que você quer? Quer sustentar essas crianças com um salário miserável que você ganha em um mercado de subúrbio? Sendo que o pai deles é um executivo cheio da grana? Não mesmo, eu não vou permitir essa injustiça. Enquanto o outro filho dele deve estar lá cheio de luxo, os seus estão aqui, largados! Você acha isso certo?
Ela abaixou a cabeça, negando em silêncio.
— É o seguinte. — Silvio indagou. — Vou fazer um trato com você.
Any assentiu.
— Ou você me deixa ir lá conversar com ele, do meu jeito que você já sabe bem qual é...
Any suspirou.
— Ou você vai resolver essa situação do seu jeito.
A cacheada não pensou nem duas vezes.
— Certo, eu vou! — disse com rapidez. — Eu mesma vou conversar com ele sobre isso pai, por favor!
— Ótimo. — Silvio assentiu. — Vai quando?
— Er, em breve... — disse assentindo com a cabeça.
— Em breve nada, você vai amanhã mesmo. — disse firme.
— Papai eu não posso ir amanhã, eu tenho que trabalhar! Enquanto a barriga não estiver pesada, eu faço questão de me manter sozinha. Por favor.
—Tudo bem... — ele passou a mão na nuca. — Mas eu quero no máximo até o fim da semana.
— Ok, eu vou lá na sexta. — ela disse. — Depois de amanhã, está bem?
— Sim, contanto que vá mesmo e coloque os pontos nos is com esse canalha. Eu não quero saber de você fazendo esforços, correndo o risco de sofrer um aborto, sabe-se lá o que pode acontecer com você ou com essas crianças. — disse olhando para o chão e em seguida encarou a esposa. — Vou subir pra assistir meu jornal. — disse durão.
Quando ia chegando às escadas, ele parou e encarou a filha.
— Any. — disse engolindo o seco. — São meninas ou meninos? — disse não aguentando de curiosidade.
Any sorriu.
—Meninos... — sorriu radiante. — Idênticos.
Silvio não disse nada, apenas sorriu de canto e subiu em seguida.
— Sério que vão ser idênticos? — Sabina perguntou levando a mão à barriga da irmã.
— Sim... — ela mordeu o lábio. — São um único espermatozoide fecundado que se dividiu em dois. — sorriu, lembrando-se da explicação da doutora.
— Que pontaria que aquele filho da mãe do Beauchamp tem. — ela riu. — Não é, fofinhos?
— Ai dá pra parar de falar isso, eu já estou de saco cheio com esse lance de pontaria, só foi um sexo delicioso e...
— Any! — a mãe a olhou com espanto.
— Foi m*l. — deu um sorrisinho, amarelo. — Me empolguei! — disse pegando uma fatia de bolo gigante na opinião de Priscila e Sabina. — Vou subir.
— Sim, e vai levar o bolo inteiro por quê? — Sabina disse com insatisfação.
— Por que eu estou comendo por três, tem que entender.
— Três o c*****o, eu quero mais um pedaço. — disse tentando avançar no bolo.
— Chega! — Priscila se intrometeu entre os seus "anjinhos". — Sabina, coma a minha fatia e deixe sua irmã comer a metade inteira do bolo. — disse olhando a "pequena" fatia de Any, realmente era quase a metade. — Pela manhã farei outro bolo, sem confusão.
Any deu um sorrisinho.
— Boa noite mãe. — a cacheada disse.
— Boa noite querida. — deu um beijinho nela. — Durma bem. — fez o sinal da cruz na filha e em seguida na barriga dela.
— Tchau Sabina. — subiu comendo o bolo.
— Vai barriguda. — zoou mastigando.
— Deixe ela Sabina, não seja implicante. — disse desgostosa. — E o que eu já falei sobre falar de boca cheia?
Sabina deu de ombros e voltou a comer seu bolo, que estava delicioso por sinal.
¨¨¨¨
No dia seguinte. Josh estava conversando com Noah, sobre Any.
— E vocês não estão se falando mais? — Noah perguntou ao ouvir as lamentações do amigo.
— Não... — ele negou com a cabeça. — Se eu vou à casa dela não me recebe de jeito nenhum, não posso ligar por que não sei o número do celular, ligar para casa dela também nem rola, eu estou a ponto de enlouquecer Noah! — disse com desespero.
— Complicado. — Noah deduziu.
— Eu quero saber do meu filho. — ele lamentou.
— Bom, você fez uma escolha cara. — Noah pôs as mãos no bolso. — Escolheu a Sofya, o que você quer?
— Quero a Any e você sabe. — encarou Noah.
— Então por que não ficou com a Any?
— Por que eu sou um o****o. — sorriu sem vontade.
Noah arregalou os olhos. Afinal, sempre quando eles tocavam nesse assunto Joshua ficava todo nervoso e irritado. Dessa vez ele mesmo assumiu ser um o****o.
— E por que está dizendo isso? — perguntou com certa curiosidade.
— Não é você mesmo que fala? — sorriu sem vontade.
— Bom, mas você sempre vem rebater, hoje você mesmo se assumiu como o****o que é. — riu.
— Que engraçado. — Josh encarou Noah. — A verdade é que essa história da Sofya já está me deixando bolado parceiro.
— Não dá pra acreditar. — Noah riu. — Quem é você? O que fez com meu amigo? Vá de retro satanás. — fez o sinal da cruz com os braços.
— Cala a boca. — suspirou.
— Não acredito que você está acordando pra vida. — riu. — Também não é pra menos, a mulher com cinco meses está mais magra que a Sina!
— Ela diz que é por que o neném é pequeno. — suspirou. — Mas não sei, mesmo um bebê pequenininho daria pra notar um pouquinho que seja. Não tem nada de barriga, eu não sinto nada quando eu a toco, não sinto nenhum tipo de emoção, eu não sei o que pensar. Por um lado eu tenho minhas dúvidas, mas por outro... — olhou para a parede. — Por outro eu acho que ela seria incapaz de mentir pra mim sobre um assunto tão delicado. É questão de confiança, questão de sinceridade! Ela sabe tudo o que eu abri mão por causa dessa criança, abri mão da Any e consequentemente do meu outro filho que ela está esperando. Tudo por esse bebê, eu não acho que ela teria a frieza de mentir sobre algo assim.
— Eu até te entendo, mas cara, na minha opinião, é uma mentira desvairada. Essa mulher está completamente doente, ou melhor, ela sempre foi perturbada com aquela história de coelho, de sei lá o que mais...
— Não sei, mas eu vou tirar a prova no sábado. — ele disse certo. — Marquei uma consulta pra ela e eu vou ver se ela está ou não grávida, por que essa situação já está me deixando louco.
— Faz isso cara, eu só lamento por você que vai ter uma tremenda decepção. — disse piedoso, mas certo, tinha certeza absoluta que Sofya não estava grávida de jeito nenhum.
— Vamos ver.
— Se ela não estiver o que você vai fazer?
— Ficar com ela é que eu não vou. — disse irônico. — Vou atrás da minha mulher, a Any vai ter que entender que eu fui enganado.
— E se ela estiver, vai deixar a Any no canto de novo. — disse começando a se irritar. Joshua às vezes era extremamente infantil. — Você é mesmo um bosta Beauchamp. — negando com a cabeça e dando um pedala nele.
— Ei calma cara. — suspirou. — Não depende de mim, a Sofya não está boa da cabeça, se ela estiver grávida eu não posso deixá-la com essa criança sozinha. A Any pelo menos tem cérebro, sabe se cuidar, a Sofya não.
— Que se f**a. — rolou os olhos. — Eu vou indo. Vou levar a Sina no jantarzinho ridículo da sua mulher, mas só vou lá mesmo por que te considero muito, senão... — prendendo o riso. — Aniversário do cachorro, p**a que pariu cara... — saiu rindo. — Vou nessa, até a noite coelhinho da mamãe! — fez um biquinho asqueroso.
Joshua fez uma careta, Noah gargalhou e foi embora.
¨¨¨¨
À noite, na casa dos Beauchamp estava acontecendo o jantar em comemoração ao aniversário de um aninho do cãozinho Rupert, tinham várias pessoas acompanhadas de seus cães e gatinhos, pessoas da alta sociedade carioca.
Sofya preparara tudo como mandava o figurino, tinha construído até um playground pet, para os bichinhos se divertirem, tirando o buffet canino que estava sendo servido.
Para os humanos, Sofya tinha contratado um buffet especializado em carne branca e outro em sobremesas. O "jantarzinho" quase leva Joshua a falência com tanto dinheiro que Sofya gastara.
— E então Sofya, onde vão comprar o enxoval do bebê? — Bianca, uma amiga da loira perguntou.
— Ah, eu estou indo pra Nova York na próxima semana com Úrsula, vamos comprar tudo do bom e do melhor pro meu herdeiro.
— Sei... — Bianca tomou um gole de champanhe.
— Olha o Noah aí. — Joshua apontou.
Sofya se virou dando de cara com Noah e aquela loira asquerosa, a tal de Sina.
— O que essa garota está fazendo aqui Joshua? — Sofya grunhiu no ouvido dele.
— Ela é namorada do Noah. — ele enfatizou. — Por favor, Sofya, sem confusão, o Noah é meu melhor amigo.
A loira cruzou os braços, insatisfeita. Noah chegou perto, junto com Sina.
— E ai cara? — Noah disse cumprimentando Joshua.
— Beleza... — sorriu. — Oi Sina.
— Oi. — disse seca e se virou para Sofya. — Oi querida! — falsa.