Capitulo 48

2398 Words
Any estava em busca de um emprego, já tinha deixado currículos em vários lugares e aguardava ser chamada pra alguma entrevista. Seus pais ainda não sabiam de nada, mas a barriga já estava pontuda e ela estava sentindo que eles poderiam descobrir a qualquer momento. O telefone tocou e Any atendeu, ansiosa. — Alô. — pausa. — Sim, sou eu. — ela sorriu e escutou. — Sério? É claro que eu posso! — disse entusiasmada. — Claro, pode falar. — disse pegando um caderninho de anotações e uma caneta e foi anotando. — Muito obrigado, eu estarei aí! — desligou. — Ah, eu consegui um emprego! —  começou a pular. — Sério filha? — Priscila perguntou, abraçando a filha. — Sim! — sorriu. — É um supermercado, mas é melhor do que nada não é? — disse soltando a mãe, que a encarava estranhando. — O que foi mãe? — pôs o cabelo atrás da orelha se afastando. — Any, vem aqui. — sentando no sofá e a chamando, ela encarou a mãe com nervosismo. — Vem aqui. — repetiu. — Não mãe, eu tenho que lavar louça... — apontou em direção a cozinha. — Me deixa ver a sua barriga. — Priscila disse, tentando manter a calma. Any começou a suar — Não... — roendo a unha. — Para com essas coisas mãe... — Any, eu estou observando você há muito tempo, você só usa essas blusas folgadas, vomita toda hora e agora que eu abracei você eu senti algo mais... Você está grávida minha filha? — Mas é claro que não, que loucura.  Priscila se levantou e foi até ela, que se afastou.  — Mãe, para!  A mulher a pegou delicadamente pelo braço e levantou sua blusa, revelando a barriga. — Oh meu Deus... — ela soltou Any voltando para o sofá, sentou-se e apoiou o rosto nas mãos, sem saber o que falar. — Já está avançada... — Any abaixou a cabeça. — Por que você não me disse isso antes Any? — Por que eu descobri há pouco tempo... — sussurrou. — Com uma barriga desse tamanho, você só descobriu há pouco? — ironizou, sabia que a filha estava mentindo.  A cacheada mordeu o lábio, estava ferrada.  — Oh meu Deus eu sabia que isso iria acontecer... — chorosa. — Oh minha filha o tanto que eu lhe disse, o tanto que eu lhe alertei pra usar camisinha, pra se cuidar, olha o que você me arruma Any!  Any começou a chorar.  — Quem é o pai dessa criança? É o seu antigo chefe? — perguntou, sabia que era, só queria tirar a dúvida. — Any, quem é o pai? — É ele mesmo... — soluçando. — E ele já sabe que você está grávida? — ela perguntou séria. — Quem está grávida?  Any quase se mija ao ouvir a voz do pai. Agora fudeu. Priscila ficou branca imediatamente.  — Estão surdas? — disse cruzando os braços se aproximando da esposa. Any olhou a mãe, como se estivesse implorando para que não contasse a Silvio. Mas a mãe negou com a cabeça, aquilo era uma coisa muito séria pra esconder dele. — Sua filha. — apontou Any, que mantinha a cabeça baixa. — Perdão? — ele pareceu não entender, e se virou para Any. — Você o que Any? Any soltou a respiração, não tinha como negar mesmo. — Eu estou grávida papai... — disse enxugando as lágrimas. Silvio arregalou os olhos e ficou sem reação, não podia acreditar que Any estava grávida, nunca pensou que sua filha fosse tão burra a ponto de pegar uma barriga tão nova. Estava decepcionado. Any soluçava. — Quem é o pai? — ele voltou a olhá-la com o olhar carregado de decepção, aquilo fez Any chorar mais. — Meu ex-chefe. — ela sussurrou. — Josh? — ele indagou surpreso e ela assentiu. — Mas... — ele se calou e passou a mão no rosto. — E desde quando você deitava com o seu chefe Any? — Durante um tempo, tivemos um caso. — ela passou a mão no rosto. — E ele sabe que você está grávida? — ela assentiu. — Já marcou a data do casamento? Por que eu não vou permitir que ele largue você com essa criança. Any sentiu um gosto amargo na boca, e agora? O que ela iria dizer ao seu pai? Que Joshua tinha uma esposa que também estava grávida? Oh meu Deus... Estava frita! — Responda! — Não vai se casar comigo. — ela disse baixinho, mas os dois ouviram e se olharam. — E por que não? — Por que ele já é casado. — ela disse subindo o olhar para os pais.  Priscila quase desmaia e Silvio a olhava perplexo. — Você se envolveu com um homem casado? — Silvio perguntou se aproximando dela, que sentiu as pernas bambearem. — É, eu me envolvi sim... — ela disse e em seguida sentiu um tapa forte na cara, que a fez cambalear. — Como foi capaz de fazer uma baixaria dessa menina?! — o homem dizia com a decepção exalando por todos os poros.  Any caiu no choro novamente e pôs a mão no rosto.  — Você é uma vagabunda! E agora?! — encarou Any que chorava, morrendo de vergonha. — Como vai ser agora?! — Eu consegui um trabalho... — ela disse ainda chorando. — Vou cuidar do meu bebê, sozinha. — ela abraçou o próprio corpo. — Isso não importa, eu estou falando de honra e ele vai assumir esse filho. — Silvio disse. — Eu não admito que você seja mãe de um bastardo! — ele disse frio, enquanto pegava a chave da caminhonete e saia. — Papai, por favor, eu não quero! — disse o seguindo. — CALE A BOCA! — ele berrou. — Esse filho da mãe vai me ouvir! — dizia irado. — Não... — Any pôs a mão no rosto. O que menos esperava era que seu pai fosse caçar confusão com Josh, não queria saber mais nada dele e Silvio não estava a ajudando em nada com aquele ataque de ira repentino. — Mamãe não o deixe ir... — disse aos prantos. — Silvio... — Priscila disse aflita. — Querido, se acalme primeiro. Silvio não ligou e entrou na caminhonete, ligando a mesma, não iria permitir que qualquer engraçadinho usasse sua filha, fizesse um filho e a abandonasse em seguida, não mesmo! Logo sumiu de vista. — Eu não estou acreditando nisso. — Any disse entrando e chorando. Priscila negou com a cabeça e seguiu a filha. Silvio não tinha jeito mesmo. Any subiu as escadas e entrou em seu quarto se jogando na cama em um choro doloroso. Priscila parou na porta e sentiu pena ao vê-la chorar, olhou para a barriga da filha e negou com a cabeça, como não notara antes? Estava tudo tão evidente. — Any... — se aproximou da filha e sentou-se ao lado dela na cama. — Não chore minha filha. — Eu acho que vou ter que ir embora. — ela disse aos soluços, enquanto abraçava forte seu ursinho de pelúcia. — Ir embora? — Priscila a encarou. — Mas é claro que não, essa é a sua casa. — Eu sou uma droga de filha... — encarou Priscila. — Porque eu não posso ser igual a Sabina? — Não diga isso, você e Sabina são muito importantes pra gente, cada uma com seu jeito. — Priscila a abraçou.  Apesar de Any ter errado jamais viraria as costas para sua filha em um momento tão delicado como aquele. Dava pra ver que ela estava sofrendo muito.  — Não chore meu bem... — Eu quero morrer mamãe... Morrer. — Não diga essa besteira nunca mais! — batendo na madeira. — Onde já se viu menina? — beijou os cabelos dela. — Não chore sim? A mamãe está aqui com você. Any fez um bico de choro, se acalmando aos poucos. — Papai vai me bater quando voltar não é? — enxugou as lagrimas. — Mas é claro que não minha filha. — suspirou. — Você sabe que seu pai não faz o tipo violento, ele só lhe bateu na cara por que está nervoso, mas quando se acalmar vai conversar com você direito. — E se ele me mandar embora? Eu não tenho pra onde ir mãe. — olhando para a parede. — Any, seu pai jamais faria isso. — a mulher secou as lágrimas dela. — Você não vai sair daqui ok? Any assentiu com um leve sorriso. — Obrigada mãe. — mordeu o lábio. — E me perdoa... Eu sei que você está decepcionada comigo. — Não era o que eu queria pra você filha. — ela disse com a voz embargada. — Mas um filho é sempre uma benção. — pôs a mão na barriga dela. — E esse vai lhe dar muitas alegrias. Any sorriu secando as lágrimas. Para ela era muito importante o apoio de sua mãe, sentia-se de certa forma, protegida.  — Está com quantos meses? — Quatro. — encarando seu urso. — Vai ganhar neném em setembro... — ela deduziu contando nos dedos e Any sorriu nervosa. — Eu acho. — mordeu o lábio. — E está fazendo acompanhamento? — perguntou com preocupação. — Vou começar agora na quarta. — coçando o olho. — Ótimo. — Priscila sorriu. — Descanse um pouco, eu vou tentar ligar para o seu pai sim? — Mãe... — Priscila se virou. — Obrigada por não me abandonar. — Nunca querida. — sorriu. — Jamais abandonarei nem você e nem sua irmã. Any sorriu de leve e Priscila lhe deu um beijinho na testa, em seguida se retirou. ¨¨¨¨ — Quantas vezes eu já disse pra você me avisar das coisas? — Ron sentou-se a frente do filho, com leve irritação. — Agora esse senhor está insatisfeito com os nossos serviços e pode até nos processar. — Pai, esse tal de Epaminondas já está caducando. — Joshua disse. — Ela fala as coisas e depois desfala, você pode perguntar pra todo mundo. — rolou os olhos soltando o ar. — Mesmo assim meu filho... — Ron disse. — Você precisa me manter a par dos assuntos da empresa. — Ok, foi m*l. — tomou um gole de uísque. — Conversou com o Xavier? — Sim, mas aquele ali não dá muita importância. — negou com a cabeça. — O negócio dele é ganhar dinheiro, dane-se a satisfação dos clientes. Joshua riu de leve. — ME SOLTE! — ouviram a gritaria do lado de fora e arregalaram os olhos. — Mas o que é isso? — Ron perguntou perplexo. A porta se abriu e por ela passou Silvio, furioso. Josh ficou amarelo, com certeza Any já contara que estava grávida. — É com você mesmo que eu quero falar! — ele se aproximou e Joshua foi andando pra trás. — Josh, eu bem que tentei... — Cecília se explicou. — Tudo bem Cecília, pode se retirar. — ela se retirou olhando Silvio de esguelha. — Quem é o senhor, e o que está fazendo aqui? — Ron perguntou ainda confuso. Silvio irritou-se mais ao ver a cara daquele playboy  canalha e voou em cima dele, lhe acertando um soco em cheio na cara. — Ei! — Ron se interpôs no meio dos dois. — Pare de agredir meu filho, senão vou chamar a polícia! Joshua acariciou o maxilar que estava doendo pra c*****o, ele até que tinha força. — Quem é o senhor e o que está fazendo aqui? — Ron perguntou pela segunda vez. — Seu filhinho... — encarou Joshua e em seguida Ron. — Engravidou a minha filha! Ron arregalou os olhos e encarou Joshua com espanto, o loiro continuava com a mão no rosto acariciando-o na tentativa de fazer parar de doer. — Perdão, eu não estou entendendo... — riu. — Meu filho é casado, inclusive a esposa dele também está grávida. Silvio ficou mais horrorizado ainda. Josh soltou o ar, querendo que tudo aquilo fosse um pesadelo. — Que pouca vergonha! — Silvio disse, negando com a cabeça. — Vai ser pai duas vezes. — Josh, o que esse homem está falando é verdade? — apontou. O loiro suspirou e assentiu, Ron arregalou os olhos. — É verdade pai. — encarou Silvio. — E quem é essa moça? — perguntou perplexo. — A Any, minha antiga secretária. — coçou a nuca. Ron ficou amarelo. — Aquela belezinha? — disse ainda sem acreditar. — O QUE? — Silvio o encarou irado. — É da minha filha caçula que está falando, seu pedófilo! — Olha, o senhor pode me dar licença, eu preciso conversar com meu filho... — Não! — ele bufou. — Seu filho vai assumir a paternidade ouviu? Senão eu vou processa-lo! — Seu Silvio... — Josh começou. — Eu sempre deixei muito claro para a Any que eu vou assumir o meu filho e dar tudo o que ela precisar... Mas ela se recusa a aceitar. — Não quero saber! — ele disse. — Você vai registrá-lo como seu filho, entendeu? — É claro que ele vai! — Ron cruzou os braços. — O senhor não precisa nem se preocupar quanto a isso. — ele disse andando de um lado para outro, meio frustrado. Era doido por aquela gata e agora ela estava grávida de seu próprio filho? Que merda! — E agradeça por ser casado, senão você iria casar com a minha filha nem que fosse obrigado! É muito bom sair transando sem camisinha, se divertindo e depois simplesmente deixar no canto não é? Joshua quase sorria, casar com Any jamais seria uma obrigação, pelo menos não pra ele. — Eu jamais pensei desse jeito. — ele suspirou. — Não se preocupe, se depender de mim a Any terá tudo o que ela precisar e o que ela não precisar. — afrouxou a gravata. — Hoje mesmo eu vou depositar uma boa quantia em dinheiro na conta dela. — Pode enfiar o seu dinheiro onde você quiser. — ele grunhiu. — O que eu quero é que assuma meu neto! Apenas. — ele murmurou. — Eu vou assumir o meu filho, não se preocupe com isso. — Eu acho muito bom. — Silvio encarou-o com cara de poucos amigos e em seguida encarou Ron. — Até breve, senhor Beauchamp. — ironizou e saiu em seguida.
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