Capitulo 45

2582 Words
Joshua coçou a nuca e olhou os amigos com cara de choro, os dois se entreolharam sabendo que ali tinha um problema e tanto. — É que... — respirou fundo. — A Any está grávida. — os dois arregalaram os olhos, surpresos. — E eu sou o pai do neném. — Cara. — Pepe tentou começar a falar, mas as palavras escaparam. — Que merda hein? — pôs a mão na cabeça. Joshua assentiu. — Os exames dela chegaram há algumas horas atrás e veio enfatizado a gravidez. — murmurou brincando com a gravata. — Meu eu não sei se você conhece uma coisinha pequena assim... — Noah mostrou o tamanho com os dedos. — Que se chama camisinha... — berrou. — Preservativo, tripa de carneiro ou como você quiser! Por que você não colocou uma merda de preservativo nessa sua rola irmão?! — Ei espera aí... — Josh disse. — Aconteceu cara. Eu não me toquei, na hora do t***o eu não lembrava de camisinha, vai me dizer que você lembra? — É claro que eu lembro! — ele arregalou os olhos. — Meu velho, esse casamento com a Sofya está te deixando igual ou pior que ela. Você é burro Josh, p**a que pariu. — Burro é o seu pai. — o loiro rebateu. — Chega! — Pepe disse. — Agora ao invés de ficar soltando farpas com o Noah, você deveria pensar no que vai fazer agora, com duas mulheres grávidas! — Duas mulheres? — Noah ergueu a sobrancelha, irônico, se referindo a Sofya e sua mentira. — Noah, por favor. — José pediu. — Não é momento de ficar questionando esse assunto, se ela está falando que está grávida, deve estar não é? — disse baixinho aproveitando que Joshua estava distraído nos próprios pensamentos. — Não sei, e duvido muito. — deu de ombros. — Bem, o que temos que pensar é o que vamos fazer com a Any e o bebê que ela espera. — encarou Josh. — Você precisa conversar com ela parceiro, tenho certeza que ela deve estar tão ou mais desesperada que você. — Joshua fez cara de choro. — O que foi? — Ela ainda não sabe. — Josh disse dando um sorrisinho amarelo. — Eita porra... — Pepe passou a mão no rosto, negando com a cabeça. — Vai ter que contar. Vai ter que dizer que dizer pra ela que vocês vão ser papais, e é isso cara. E seja homem, você vai assumir esse bebê! Nem que seja obrigado. — É claro que eu vou assumir Pepe, que tipo de monstro você acha que eu sou? — perguntou com leve irritação. — Do tipo reprodutor. — Noah indagou. — Vai à merda! — deu o dedo do meio ao amigo que riu. — Cara, provavelmente a Any vai estar no pagode. — Noah disse e José assentiu concordando. — Se você for à casa dela ela não vai querer te receber como as outras vezes e não vai adiantar de nada, você abordando ela no pagode, ela não vai ter pra onde escapar. Josh assentiu pensativo, Noah tinha razão. — Você tem razão cara. — ele concordou. — Que horas vai ser esse tal de pagode? — Marquei com a Sina nove e meia, mas enquanto não chega a hora nós podemos ficar fazendo hora no bar, sei lá... — Ótima ideia parceiro! — mordeu o lábio levantando. — Mas e se a Any inventar de beber? — disse começando a se preocupar. — Meu Deus, imagina o tanto que a Any já andou bebendo por ai... Meu filho pode nascer prejudicado. — Bem, quanto a isso já não podemos fazer nada não é? E aquelas duas pra onde vão é na base da cerveja, é isso que você ganha por ser um o****o, falando nisso quando vai largar a Sofya pra ficar com a Any? Por que a Any agora também está gravida, e ao contrário da Sofya, você a ama. — A Sofya ameaçou parar de comer se eu a abandonar. — ele encarou Noah. — Disse que morreria de fome, mas não comeria. Você tem noção? Ela também está gravida, e se acontecer alguma coisa com o bebê? Noah rolou os olhos, negando com a cabeça. Não iria mais discutir aquele assunto, já deu o que tinha que dar. Os três ficaram conversando e depois voltaram ao trabalho. ¨¨¨¨ A noite chegou, e assim que saíram do escritório foram pra um pub que tinha na frente do prédio da empresa, passar o tempo até chegar a hora do tal do pagode.  Sofya ligou enchendo o saco com seus dramas mentirosos várias vezes, mas Joshua lhe cortou alegando que tinha coisas importantes pra tratar e que depois falaria com ela. — Vamos galera, já deu. — Noah disse ao voltar a mesa, depois de falar com Sina pelo celular. — Até que enfim. — Josh levantou-se, um tanto nervoso. Encaminharam-se cada um em seu carro e seguiram até Piedade, onde estava rolando a festinha. Joshua dirigia nervoso, não sabia qual seria a reação de Any diante daquela noticia, mas ele estava disposto a dar a ela tudo o que ela precisasse e iria assumir o bebê, também estava disposto a enfrentar os pais dela ao seu lado, quando ela precisasse contar a eles a boa nova. Viu Noah estacionar e estacionou ali por perto onde o barulho já era bastante alto, pegou o exame dela e o dobrou no meio guardando no bolso do paletó. — Preparado cara? — Pepe perguntou, batendo de leve nas costas dele. — Não, mas vamos logo antes que essa minha "coragem" acabe. — tentou sorrir. Os três se aproximaram e viram algumas pessoas dançando animadas com latinhas de cerveja na mão. Joshua não estava vendo Any. — Tem certeza que ela está por aqui? — ele sussurrou para Noah. — A Any não perde um pagode. — ele sorriu. — Falando nela... — disse fazendo um bico em direção a uma rodinha, que tocava pandeiro, cavaquinho, tantã, e outros instrumentos esquisitos que ele nunca tinha visto, mas aquilo não importava o que importava era Any. A cacheada sambava animadamente sendo admirada não só pelos pagodeiros, mas também por todos os homens que ali estavam. Ela jogava o cabelo pra trás e mordia o lábio, o vestidinho branco que usava acentuava suas curvas delicadas e seus longos cachos caiam como cascata pelas costas, resumindo ela estava linda. Ela tem um charme que não dá pra resistir, se eu bobear no papo dela eu vou cair, ela sabe tudo de tocar na emoção, ela mexe com a minha pressão... Ela não merece o amor que tenho em mim, vou dar um castigo ela tem que melhorar, eu tô decidido e não vou me entregar... Eu me amo em primeiro lugar.  A música rolava solta e depois que ele foi perceber Sina ao lado dela. — Eu estou com medo cara. — disse nervoso. Noah rolou os olhos. — Larga de ser frouxo Josh! — sussurrou. — Assim você me envergonha... Vai lá e chama ela pra conversar de uma vez! — disse olhando-a dançar. — Meu como você deixou essa gata escapar cara? — disse passando a mão no rosto ao ver a performance de Any no pagode. — Vacilão mesmo. Josh ia responder, até que viu um o****o sair de algum lugar e sussurrar algo no ouvido da cacheada, que apenas sorriu e estendeu a mão pra pegar a latinha de cerveja que ele lhe oferecia. — Ah não... Beber nem pensar! — se aproximou a passos largos e firmes, e tomou a latinha da mão dela. — Ei otário...? — Any se virou pronta pra brigar e ficou pálida ao vê-lo ali. — Mas que merda é essa? — ela bufou. — Que droga está fazendo aqui, seu louco! Devolve a minha cerveja! — Você não vai beber esse veneno. — disse a arrastando de leve pelo braço. — Me solte seu brutamonte! — ela tentou se soltar. — Não vou soltar Any, você vai me ouvir agora! — pegou a cerveja e derramou ali. — Quantas cervejas você já bebeu hoje? — Essa seria a primeira meu filho. — olhando a cerveja sendo derramada, quando terminou de derramar ele jogou a latinha no lixo. — Josh o que diabos está fazendo aqui hein? — Vim falar com você. — Pois eu não quero falar com você! — fez careta. — Entendeu? Nosso lance acabou, estou seguindo a minha vida adiante sem você e eu não quero mais nada contigo, vai cuidar da sua vida! — Eu estou cuidando da minha vida! — a encarou. — Não tem nada pra me falar? Any respirou fundo. — Tenho. — ela disse e ele sorriu. — Então pode dizer... Lembre-se que eu estou aqui, pro que você precisar. — Ah o que eu tenho pra dizer é muito simples: Vai para o inferno! — se virou para sair. Ele a pegou pelo braço, um tanto irritado. Pelo jeito ela não sabia mesmo, teria que contar. Um homem fortão se aproximou, com uma latinha de cerveja na mão. — Gatinha? — o n***o se aproximou com cara de poucos amigos. — Esse sujeito tá te incomodando? Qualquer coisa nós "passa" ele aqui mermo. — ele disse.  Josh engoliu o seco, morrendo de medo de apanhar. — Não Brunão, sem problema amore. — piscou. — Estamos apenas conversando. — sorriu e o cara se afastou desconfiado. — Te livrei de tomar uma surra, agora procura o teu rumo. — ela tentou sair outra vez. Mas ele a impediu e seu olhar abaixou para a barriga dela. A cacheada olhou para a própria barriga, procurando o que Joshua tanto olhava ali. — Perdeu alguma coisa? — cruzou os braços. — Any, o que eu tenho pra te falar é sério... — ele olhou para os lados. Depois respirou fundo. — Eu estou grávido. — se atrapalhou e pôs a mão no rosto. Any fez uma careta e o observou com o semblante sério. Em seguida começou a rir loucamente. — Qual é a graça? — ele a encarou. — Eu quis dizer... — Olha Josh! — ela parou de rir, mudando a expressão risonha para uma raivosa. — Eu não sei o que você está querendo aqui com essa ladainha, eu não estou nem aí pra essa gravidez da coelha, quantas vezes eu vou ter que dizer que eu quero que você e essa mulher se explodam? — ela berrou extremamente irritada. Já não bastava todas as humilhações que ele a fez passar ainda vinha atrás dela em seu bairro, no meio de seu povo, jogar essa droga de gravidez em sua cara? f**a-se. — Você não entendeu... — ele desceu a mão e acariciou a barriga de Any e pôde notar o quão estava redondinha e diferente de como era antes. — Josh, para com isso, você está parecendo um maluco! — tirou a mão dele de sua barriga. — Até entendo que você esteja feliz com a sua paternidade, mas você já está levando essa situação ao limite, não acha? — Any, não está entendendo que eu estou a quase duas horas tentando te dizer que estamos grávidos, eu e você, vamos ter um bebê! — a garota ficou pálida. — Você está grávida! — disse por fim, pegando o exame do paletó e entregando a ela. — O que? — ela perguntou baixinho, enquanto pegava o exame. — Isso mesmo... — ele disse enquanto a observava abrir o exame. — Vamos ter um filho. Any não estava nem ouvindo o que ele dizia, tratou de abrir o envelope e tirar de dentro o papel, e sim. Estava dizendo que ela estava gestante de doze semanas. Pôs a mão no rosto, pois estava chocada. Grávida? Estava esperando um filho dele, daquele cachorro mentiroso! Aquilo só podia ser um pesadelo.  Piscou algumas vezes e voltou a ler o papel e continuava lá, enfatizado. E ainda por cima estava com três meses. Olhou para a própria barriga e notou que realmente estava redondinha, nada escandaloso, mas ela no fundo sabia que sua barriga sempre fora reta e aquela pequena protuberância não era normal ali.  Sentiu um nó na garganta, e desceu a mão até sua barriga e o encarou. — Está tudo bem? — ele perguntou preocupado. — Você está inventando tudo isso! — disse voltando a guardar o papel e em seguida jogando em cima dele, recusando a acreditar, mas no fundo ela sabia que sim, estava grávida. — É claro que não Any. — ele a encarou e aparou o envelope antes que caísse no chão. — Por que eu inventaria isso? — Talvez para que eu volte com você. — ela ironizou. — Eu fiz um teste de farmácia e deu negativo, eu não estou grávida e nunca estive. — tentando se convencer de sua hipótese. — Teste de farmácia? — ele murmurou. — O que é um teste de farmácia na frente de um exame laboratorial? É claro que esse teste fajuto falhou Any, como se você não soubesse que esses testes falham mais do que funcionam. — Para de falar isso! — disse perturbada andando.  Ele andou atrás dela, ela se escorou em um muro e pôs a mão no rosto. Não era possível estar grávida de três meses, está certo que ela sempre sentiu os sintomas, mas se recusava a acreditar que realmente estava esperando um bebê, e agora meu Deus? O que ela iria fazer?  Em seguida desabou em lágrimas, sua vida estava destruída, acabada. — Any... — ele se aproximou e viu que ela estava chorando. — Olha não fica assim, isso não é o fim do mundo. — ficou ao lado dela encarando-a. — Cala a boca! — ela murmurou com a mão no rosto, soluçando. — O que você quer mais Joshua? Além de me usar, vem aqui me dar essa notícia maravilhosa para acabar com a minha vida. — disse com ironia. — O que mais você quer? — Any, eu só quero que saiba que eu estou aqui para o que você precisar. — ele disse tentando tocar na barriga dela, mas ela tirou sua mão com brutalidade. — Eu te amo. — Me deixa! — chorando mais, ainda não conseguia acreditar. — Olha Any, volta pra mim, volta para a nossa casa. Nós podemos tentar de novo. Você não pode ficar se cansando, eu vou contratar uma pessoa pra te ajudar em tudo e quando toda essa situação se acalmar, quando o meu filho com a Sofya nascer, eu juro pra você que eu vou me divorciar dela.  Any negou com a cabeça, achando toda aquela ladainha um bizarrismo sem fim, jamais voltaria com ele!  — E então? — Você é muito cara de p*u não é? — deu um risinho, enxugando as lágrimas. — Eu não quero mais nada com você, nem agora, nem nunca mais. Você pode até matar a Sofya, f**a-se, eu não estou nem aí. Agora que eu estou grávida você vem atrás de mim, como se nada tivesse acontecido não é? — o encarando com severidade. — Sabe o que eu queria Joshua? Eu queria que você me desse um pouquinho mais de valor quando a nós estávamos juntos, mas você nunca me deu valor! — apontou chorosa. — E não quero que um homem fique comigo por causa de uma droga de gravidez! — gritou.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD