Josh entrou em sua sala como um zumbi. Aquele escritório não tinha a mínima graça sem Any. Como ele queria acreditar que tudo aquilo era um pesadelo, que tudo não passava de um terrível pesadelo, dos piores que ele já tivera.
Olhou para o chão e viu o pequeno anel que ela jogara na cara dele, pegou do chão e o encarou. Sentiu as lágrimas inundando sua visão e começou um choro dolorido, amava Any com todas as suas forças, não poderia mais viver sem ela. Já fazia parte dele, era inevitável.
— Any... — sussurrou em meio à lagrimas, enquanto lembrava do sorriso dela e do seu cheiro delicado.
Pegou o telefone e discou o número dela, pouco se importando se ela iria lhe mandar pra merda. Mas como ele imaginava, ela desligou o celular. Pegou a garrafa de uísque e tomou um gole no gargalo.
A porta se abre e por ela entram os amigos, com caras preocupadas e sentiram sua preocupação dobrar ao ver que ele estava chorando.
— Cara, o que foi? — Noah perguntou, preocupado. — Está todo mundo comentando o que aconteceu, como assim a Any foi embora?
— Não tem nada pra explicar. — ele sussurrou, avoado.
— Como não cara? — José indagou. — Você está chorando, eu nunca vi você chorar na vida.
— Any me mandou para o inferno. — disse cobrindo o rosto com as mãos, chorando mais.
Os amigos se entreolharam, sentindo pena dele.
— Como assim ela te largou cara? — Pepe disse, mordendo o lábio. — Ontem mesmo vocês estavam muito bem, dando beijinhos e tudo.
— Ela não aceitou o fato de eu decidir não abandonar a Sofya. — disse aos prantos. — Ela... Ela pediu demissão.
— Cara, mas você mesmo nos disse que ia pedir o divórcio... Por que você não vai largar a Sofya? — Noah perguntou.
Joshua os encarou e fungou o choro.
— Sofya está grávida. — ele murmurou.
José e Noah arregalaram os olhos, incrédulos.
— Como assim a Sofya está grávida? — José disse desconfiado.
— Engravidou... — Joshua disse olhando o anel de Any, com tristeza.
— Mas você não falou que ela não queria engravidar e obrigava você a usar e preservativo e tal? — Noah e José estavam muito encucados com aquela gravidez repentina.
— Ela está de três meses, vai ver o preservativo estourou, eu não faço ideia de como isso aconteceu. — passou a mão nos cabelos, desesperado. — Mas aconteceu e eu estou desesperado, a Any me deixou cara... — os olhando com cara de terror.
— Escuta parceiro, você tem certeza que ela está grávida? — Noah disse, sem papas na língua. — Por que essa história está muito esquisita, na boa...
— Essa não. — Joshua disse dando um sorriso, incrédulo. — Vocês também acham que ela está inventando tudo?
Noah e José se entreolharam.
— Eu acho que você deveria investigar essa parada aí. — Noah respondeu, sincero. — Ela disse que estava grávida antes ou depois de você pedir o divórcio?
Joshua o olhou.
— Depois. — disse mordendo o lábio e viu Noah dar um sorriso incrédulo. — Cara, não adianta você dizer que a Sofya está mentindo, eu não acredito, a Sofya pode ser tudo, mas ela não é mentirosa.
— Pois se eu fosse você eu não acreditaria, ela já tem ao menos barriga? A tia Beth com três meses de gravidez, já tinha como notar que ela estava gestante.
— Não, nem todas as mulheres engordam aos três meses, às vezes vai mais longe. — Josh explicou.
— Cara, investiga isso... Quem avisa amigo é! — afirmou Noah.
— Chega! — José disse, passivo. — Noah, deixa isso pra lá... Não vê que o Josh está m*l?
— Está m*l por que quer, por que é um otário... — o loiro disse e Josh o encarou friamente. — Agora fica aí chorando igual um bebezinho, por que perdeu a Any. — disse zombeteiro. — E quer saber? Eu espero que ela encontre outro que a valorize, por que você não a merece! — apontou.
— Outro que a mereça? — Josh levantou, bufando. — E esse outro seria você? — disse indo pra cima dele violentamente. — Você pensa que eu não sei que você vivia dando em cima da minha garota? — o agarrou pela gola da blusa social.
— Pode ser, pode não ser... — disse no mesmo tom.
— CHEGA! — Pepe grunhiu, se colocando no meio dos dois. — c*****o, SE CONTROLEM! — berrou e os dois se olharam com olhar de morte. — Nunca pensei que vocês fossem brigar por causa de mulher.
— Não é qualquer mulher... — Joshua o olhou. — É a minha mulher! — apontou pra si mesmo.
— Sua mulher se chama Sofya. — Noah enfatizou. — E segundo ela está até "grávida"... — fez aspas com o dedo, demonstrando sua ironia. — De um filho seu. — terminou.
Joshua passou a mão no cabelo e voltou a sentar-se na cadeira. Noah estava irritando-o de uma forma, que ele não estava suportando.
— Noah, para! — José pediu.
Noah deu de ombros.
— Eu acho que é melhor você ir pra casa cara. — falou pra Joshua. — Não está em condições de trabalhar, olha só o seu estado.
— Você acredita não é Pepe? — o loiro encarou o amigo, com a voz embargada.
Ele jamais iria acreditar que Sofya estava inventando tudo aquilo e que tinha perdido Any a troco de nada.
— É melhor eu ficar calado, parceiro. — José coçou a nuca, abrindo um sorriso discreto.
— Pepe tem a mesma opinião que eu... — Noah disse. — Mas ele tem autocontrole.
— Cala a boca. — Joshua murmurou frio. — Você tem é inveja por eu ter ficado com a Any.
— Se eu soubesse que você faria essa canalhice com a Any eu tinha investido nela de verdade Josh. — disse sério. — Olha cara, eu não concordo de você ter feito isso, até por que você já tinha dito a ela que pediria o divórcio e não cumpriu com sua palavra. Mesmo a Sofya estando grávida, você não precisa ficar com essa mulher irmão, você não a suporta. Você pode ser um pai presente da mesma forma, várias crianças são filhas de pais divorciados, eu mesmo sou filho de pais divorciados e nem por isso morri.
— Mas eu não quero isso para o meu filho. — disse voltando a chorar, Noah suspirou. — Noah, eu nunca tive o amor dos meus pais, bom, eles sempre estiveram juntos, mas nunca me deram a atenção que eu precisava, eu não quero que o meu filho sinta o mesmo que eu... Você entende?
— Tudo bem cara... Eu só não quero que você quebre a cara e fique em uma fossa pior ainda depois... — disse o encarando. — Apesar de tudo você é o meu melhor amigo e não gosto de te ver assim.
Joshua assentiu, sentindo-se mais calmo. Ele não iria quebrar a cara, dentro de poucos meses seu filho estaria no seu colo e ele esqueceria todos os problemas. Pelo menos era o que ele pensava.
— Noah, é melhor nós deixarmos ele sozinho. — José disse e Noah assentiu levantando. — Cara, nós podemos fazer tudo hoje.
— Não. — Joshua disse enxugando as lagrimas. — Talvez trabalhando eu me distraia um pouco... De qualquer forma, valeu.
— Beleza, desculpa aí pela minha alteração. — Noah disse, colocando a mão no bolso.
Joshua assentiu dando de ombros. Os amigos assentiram e se despediram dele.
Ao entrar no elevador, Noah disse a José:
— Acha mesmo que a Sofya está grávida? — arqueou a sobrancelha.
— Cara, eu não faço ideia. Mas ela disse isso muito repentinamente, sei lá, do jeito que ela é escandalosa, já teriam notado essa suposta gravidez antes, eu mesmo duvido que ela esteja... Mas vai saber. — disse negando com a cabeça.
Realmente essa gravidez de Sofya estava muito estranha, não era algo que pudesse ser engolido tão facilmente. Mas Joshua estava tão centrado com a ideia de ser pai, que não estava se tocando das coisas.
O elevador se abriu e os dois foram rumo ao escritório de Noah, já que precisavam fazer uma planta.
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Any tinha terminado de fazer sua pequena mala. Fechou a mesma e olhou ao redor com tristeza, sentiria falta daquele lugar. Sentou na cama e soluçou, enquanto pegava um porta retrato no criado mudo, era uma foto dos dois em Paris, na Disney, seu choro aumentou e a garota jogou o porta-retrato com força na parede, fazendo o objeto se estraçalhar por ali.
— Infeliz! — passou a costa das mãos no rosto, tentando enxugar as lágrimas.
Seu coração estava massacrado, estava doendo tanto, tanto... Levantou-se e enxugou as lágrimas na marra, pegou a mala com suas coisas, as poucas que ela levara pra lá e saiu do quarto.
Olhou tudo ao redor e aspirou o cheiro dele, que estava impregnado naquele ambiente, abriu a bolsa e tirou os cartões de crédito que ele lhe dera, colocou todos na mesa de centro, para ele pegar e fizesse o que quiser com eles. Respirou fundo e dirigiu-se até a porta.
Antes de sair deu uma última olhada naquele lugar e um filme passou pela sua cabeça, desde o primeiro dia que entrara ali, as vezes que faziam amor loucamente em cada canto daquele lugar, das brincadeiras. Logo outra lágrima teimava a cair, ela enxugou e saiu por fim.
Ao passar pela portaria, sorriu de leve ao porteiro.
— Seu Marcos, pode entregar para o senhor Beauchamp, por favor? — estendendo as chaves da cobertura.
— Claro que sim menina. — o senhor sorriu, pegando a chave. — Mas que carinha é essa?
— Decepções seu Marcos... — ela suspirou. — Foi um prazer conhecê-lo. — abriu um leve sorriso, e saiu. Não gostava de despedidas.
— Aí tem coisa. — ele disse pensativo, observando ela sair.
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Joshua estava vendo fotos de Any, pelo f*******: da cacheada, aproveitando que ela ainda não tinha lhe excluído. Seu coração estava doendo, não imaginava sua vida sem aquela mulher, meu Deus. Por que a vida lhe colocara nessa situação?
Ele não amava Sofya, mas era obrigado a ficar ao lado da loira, sendo que a única mulher que ele amava era Any, que estava decepcionada com ele e pra piorar no meio de toda essa confusão ainda tinha uma criança. Só podia ser um pesadelo.
— Com licença, senhor Beauchamp... — dona Clarice entrou.
Ele enxugou as lagrimas, não dando muita corda.
— Eu vim avisar que a Verônica, que vai ficar essas duas semanas ao seu lado já está disponível.
—'Obrigado Clarice... — ele murmurou. — Pode sair.
— Se me permite, eu gostaria de dizer que o senhor fez a coisa certa e que... — ele a interrompeu.
— Não lhe permito dizer nada. — disse entredentes. — Saia daqui! — sem paciência bebendo outro gole de uísque.
A velha arregalou os olhos e saiu prontamente.
— Velha intrometida. — passou a mão no rosto e em seguida arregalou os olhos. — Claro! — sorriu. — Ela deve estar no apartamento! — disse lembrando-se que ela iria pegar suas coisas, precisava chegar a tempo de impedi-la de ir embora. — Você é um gênio Josh! — pegou a chave do carro e saiu da sala.
— Senhor... — a secretária o chamou.
Ele se virou, dando de cara com a mulher que quarenta e poucos anos.
— Posso ajudá-lo em algo?
— Sim, tire o resto da tarde de folga e encerre minhas tarefas. — disse entrando no elevador. — Até amanhã!
A secretária acenou confusa e o elevador fechou-se.
Joshua dirigiu apressado até o condomínio, precisava encontrar Any a tempo, se não a encontrasse no apartamento, iria procura-lá em sua casa, ele não ficaria de braços cruzado de jeito nenhum!
Passou pela portaria as carreiras e o porteiro lhe chamou.
— Seu Joshua. — o homem chamou.
Joshua o encarou.
— Eu não posso falar agora seu Marcos. — disse entrando no elevador.
O porteiro deu de ombros, quando ele voltasse entregaria a chave.
O elevador parou e ele saiu, dando de cara com o apartamento vazio, silencioso. Suspirou tristemente ao ver que ela não estava ali, observou a mesa de centro que continha os três cartões de crédito que ele tinha dado pra ela, arregalou os olhos e foi até o quarto, entrou no closet e não tinha absolutamente nada dela ali. Infelizmente já tinha ido embora.