— Boa sorte com isso senhora Beauchamp. — a empregada desejou sinceramente.
— Obrigada Betty, mas não é bem pra mim que você tem que desejar sorte, e sim a minha nora. — riu.
— Desejarei dona Úrsula. — sorriu.
— Pode se retirar e não estou para mais ninguém!
— Claro, com licença. — se retirou.
Úrsula ligou seu aparelho de som em uma música leve e relaxante e em seguida deitou-se para descansar.
¨¨¨¨
Na França, Any e Joshua passearam pelos lugares que não tinham ido, como Notre Dame, Arco do Triunfo e o Palácio de Versalhes. Passaram o dia inteiro na rua, passeando e curtindo o último dia na capital Francesa.
No dia seguinte, às três da manhã os dois estavam se dirigindo ao aeroporto, pois pegariam o voo às cinco da manhã em Paris, chegariam ao Brasil à uma da tarde no horário francês e nove da manhã no horário brasileiro.
— Vou sentir saudades desse lugar. — a cacheada disse enquanto embarcavam.
— Não precisa, logo a gente volta. — ele murmurou, beijando-lhe o ombro.
Any olhou novamente o aeroporto, pois era a única visão da cidade que ela tinha no momento, em seguida os dois adentraram no avião.
O voo foi tranquilo, Any novamente enjoou, mas nada muito sério. Passou a maior parte do tempo dormindo agarrada a Joshua.
Quando chegaram ao Brasil, desembarcaram com tranquilidade.
— Nossa, é tão estranho chegar aqui tão cedo assim, a gente saiu de lá às cinco da manhã e aqui ainda são nove. — Any indagou, enquanto Joshua pegava as malas.
— Fuso horário é uma loucura meu amor. — riu.
— E onde está sua mulher? — a cacheada ergueu a sobrancelha, estranhando por Sofya ainda não ter aparecido com seu histerismo.
— Não disse a ela o horário que eu chegaria. — ele disse.
Any gargalhou e pegou sua mala, arrastando-a.
— Queria aproveitar um pouquinho mais a sua companhia. — deu um selinho nela, enquanto caminhavam abraçados de lado.
— Onw que menino malvado. — sussurrou. — Agora vai ser difícil me desacostumar a dormir sem você. — fez um biquinho. — Alegria de pobre dura pouco, não é? — ele riu.
— Não precisa se preocupar com isso, vou conversar com a Sofya sobre o divórcio.
O sorriso de Any alargou-se. Não conseguia esconder sua satisfação perante aquele assunto.
— Ai, eu estou precisando de um café reforçado. — ele disse com os olhos fechados, enquanto caminhavam até a saída.
— Hum, o café da minha mãe nessas horas caí muito bem... — Any mordeu o lábio.
— Isso é um convite? — ele ergueu a sobrancelha.
— O que acha?
— Não sei se seria uma boa ideia, e se seus pais se zangarem? — ele parou na porta de entrada do aeroporto.
— Até parece Josh. — ela riu. — Meus pais são dois velhinhos bem legais, e eles jamais te tratariam m*l.
— Tem certeza? — ela assentiu. — Ok, eu vou buscar meu carro nesse estacionamento da frente e você me espera aqui, que eu te pego e a gente vai, tá bom? — ela assentiu novamente. — Cuida das nossas malas. — ele saiu, colocando os óculos de sol.
Any pegou seu celular e ligou para os pais, avisando que já estava no Brasil e que já estava chegando em casa junto com Josh. Priscila ficou toda alegre em saber que conheceria o amado da filha, mas Any pediu que ela não comentasse nada com ninguém a respeito do romance, a mulher não entendeu muito, mas concordou.
Joshua parou o carro no meio fio e abriu o porta-malas para colocar as bagagens dentro, assim os dois seguiram para a casa de Any.
Ao chegarem à frente da casa, Priscila já estava esperando a filha ansiosa, estava morrendo de saudades de sua menina.
— Mamãe! — Any disse a abraçando.
— Oh minha querida! — deu um beijo na bochecha dela. — Estava morrendo de saudades de você. — sorriu enquanto separavam o abraço. — Como você está?
— Muito bem mãe. — riu. — Também estava morrendo de saudades de você. Onde está meu pai?
— Está lá dentro... — encarou Joshua parado perto das duas, com a mala de Any na mão. — E esse belo rapaz? — deu um sorrisinho.
Any a repreendeu com os olhos.
— Esse é meu chefe, Joshua Beauchamp. — apresentou. — Josh, essa é minha mãe, Priscila.
— É um prazer senhora. — ele estendeu a mão educadamente.
— Digo o mesmo querido, mas, por favor, senhora não, eu não estou tão baqueada assim certo? — disse simpaticamente, enquanto apertava a mão dele.
Ele negou com a cabeça sorrindo.
— Vamos entrar, preparei um cafezinho delicioso pra gente.
Joshua assentiu sentindo um pouco de inveja de Any, nunca na vida sua mãe lhe tratara assim após chegar de uma viajem. Úrsula não era o tipo de mãe atenciosa, nunca fora. E ele já estava conformado com isso.
Adentraram a casa e ele pode ver que era tudo simples, mas muito organizado, era uma casa tão gostosa, dava de sentir que ali era um verdadeiro lar, pode observar que na estante tinham várias fotos da família, era um ambiente muito familiar.
Passaram pela sala, onde Joshua deixou a mala de Any, e passaram pela sala de janta, onde estava a mesa do café-da-manhã, o cheiro de café estava ótimo. Era um bom café caseiro, tinha pães, um bolo, suco, café, queijo, presunto. Dona Priscila tinha caprichado.
— Pai! — ela disse ao enxergar o homem, que estava na mesa lendo um jornal.
O pai dela se levantou e lhe abraçou.
— Não queria mais vir embora não Any? — ele riu, dando um beijo no rosto da filha. — Até que você cresceu. — ele analisou e ela riu.
— Josh, esse é meu pai, Silvio. — disse enquanto abraçava o pai de lado. — Papai, esse é meu chefe, Joshua Beauchamp.
O senhor estendeu a mão, com um sorriso.
— Muito prazer rapaz. — Joshua sorriu e lhe estendeu a mão.
— O prazer é todo meu, senhor Soares. — disse educadamente.
— Senhor não, meu rapaz, me chame de Silvio mesmo. — apontando a cadeira. — Fique a vontade, o café da minha mulher é o melhor que existe.
Joshua riu aliviado, estava nervoso por conhecer o pai de Any, achando que era um velhote m*l-humorado, mas pelo visto tinha se enganado radicalmente. Any o encarou com um risinho. Todos sentaram.
— Onde está minha irmã mamãe? — Any perguntou colocando um pouco de café na xícara.
— Está na faculdade filha. — Any assentiu. — Mas contem como foi de viajem?
— Ah foi ótimo. — Any disse, excitada. — Ah mãe, você precisava ver, era tudo tão lindo, parecia que eu estava em um conto de fadas, tirei várias fotos.
— Eu imagino querida, depois quero ver. — Priscila riu. — Joshua você precisa provar meu bolo de laranja... — Joshua sorriu. — Às vezes rola até briga das meninas por conta desse bolo. — tirando uma fatia pra ele. — Modéstia a parte é incrível.
— Nossa, então deve ser bom mesmo. — ele pegou o pratinho.
— Ah que convencida. — riu tomando um gole de café. — Mas o pior que é verdade, minha mãe é uma cozinheira de mão cheia.
Josh gargalhou, logo engataram uma conversa animada e não demorou pra ele se soltar e ficar mais relaxado na presença dos pais de Any, aquele era um ambiente tão leve, ele estava se sentindo muito bem na casa dela.
Totalmente diferente do mundo no qual ele vivia, com pessoas falsas e perfeccionistas. Muito diferente da casa de seus sogros, os pais de Sofya, onde era uma verdadeira tortura. Mas o que o confortava era saber que aquela casa aconchegante e maternal, era onde morava seus futuros sogros. Muito melhores do que os anteriores, ele podia afirmar.
— Meu pai era corintiano, morreu corintiano e eu serei corintiano a minha vida inteira assim como ele. — Silvio dizia.
— E eu serei Palmeirense a minha vida inteira senhor Soares. — Priscila deu língua.
Joshua estava rolando de rir e Any comia, estava morrendo de fome.
— Mamãe, já chega disso, não adianta você tentar fazer o papai mudar de opinião e vice-versa. — disse de boca cheia.
— Não fale com a boca cheia, menina. — advertiu a mulher. — Mas diga você Joshua, qual é melhor hein?
— Olha eu sou suspeito pra falar. — ele disse os encarando. — Foi m*l dona Priscila, mas Corinthians é Corinthians. — deu uma dentada.
— HAHÁ. — Silvio riu. — Eu falei, eu falei.
— Ah não sabe o que perde. — Priscila disse com falsa raiva.
— A conversa está muito boa, mas eu preciso ir embora. — ele lamentou.
— Ah, está tão cedo Josh. — Silvio disse. — Fique para o almoço.
— A tentação é demais senhor. — ele sorriu levantando-se. — Mas eu preciso falar com os meus pais.
— Entendemos perfeitamente. — ela assentiu. — Mas qualquer dia eu farei uma carne de sol esperta pra você provar viu?
— Nossa, que tentação. — ele disse, enquanto caminhava pela sala. — Eu adorei conhece-los, foi um prazer. — ele disse com sinceridade, apertando a mão dos dois. — Vou voltar qualquer dia desses.
— Volte sempre que quiser meu filho, será muito bem vindo. — Priscila disse.
— Obrigado. — ele respondeu indo até o portão com Any.
Any abriu o portão.
— Vou acompanha-lo até o carro. — os pais assentiram e ela saiu com ele.
— Viu como eles não são tão m*l? — rindo da cara dele, quando chegaram ao carro.
— Está brincando? — ele disse. — Seus pais são incríveis. — sorrindo. — Foi o melhor café que eu tomei, adorei os dois.
— Fico feliz. — ela mordeu o lábio.
— Acha que eles vão continuar me tratando bem, quando souberem de nós dois? Por que eles acham que eu sou apenas seu chefe.
— Minha mãe sabe da gente. — ele arregalou os olhos. — Relaxa, ela ficou sabendo quando a gente saiu naquele dia, minhas vizinhas fofoqueiras falaram e eu confirmei, mas não se preocupe, ela não sabe sobre a Sofya.
— Ufa.
— E também não se preocupe com a reação do meu pai a respeito, meu pai não é do tipo ciumento compulsivo, ele só quer saber da minha felicidade, apenas. — ergueu a mão.
— Bem, então se é assim eu fico mais tranquilo. — ele disse e ela se aproximou.
— Vou sentir sua falta. — ela murmurou, com o rosto próximo.
— Eu também... — a puxou para um beijo calmo, apenas para sentir o gosto um do outro. — Amo você.
— Também te amo. — selou os lábios outra vez. — Boa sorte. — se afastou para que ele entrasse no carro.
— Valeu. — ele piscou.
Any riu o vendo arrancar com o carro.
¨¨¨¨
Duas semanas depois, Sofya se encontrava desesperada, andando de um lado para outro em sua casa.
Desde que Joshua voltara da França queria por que queria falar com ela sobre um assunto sério. A loira estava adiando a tal conversa o tanto que podia, sempre que Josh vinha conversar ela inventava alguma desculpa para não falarem.
Algumas vezes fingia que estava dormindo, outras dizia que estava com dor de cabeça, outras dizia que estava cansada demais. Estava desesperada, pois estava sentindo que ele queria falar sobre a separação, ele estava frio, nem selinho ele lhe dava mais, não dormiam na mesma cama e aquilo estava matando-a.
Úrsula não tinha pensado em nada válido e ela sentia que seu casamento iria se desmoronar a qualquer momento.
— Senhora. — a empregada lhe chamou a atenção.
— Sim. — pôs a mão no rosto e se virou para a mulher. — O que é Carmem?
— O senhor Adamatti no telefone.
— Adamatti? — fez careta. — Eu não conheço nenhum Adamatti. — negando com a cabeça.
— Bem, ele queria falar com o Senhor Beauchamp, mas eu disse que ele não estava e ele pediu pra falar com a senhora.
— Tá, me dê isso aqui. — pegou o telefone, impaciente. — Alô. — olhando as unhas.
— Senhora Beauchamp, que prazer falar com a senhora outra vez.
Sofya pode ouvir o leve sotaque italiano.
— Se lembra de mim, Alfredo Adamatti?
— Olha, me desculpe, mas eu não sei quem é o senhor. — ela disse simples.
— Como não? Nos conhecemos no congresso em Paris. — ele disse.
A loira arregalou os olhos.
— Congresso? — ela perguntou amarela. — Em Paris?
— Sim, mas vamos esquecer as formalidades Any, eu liguei por que devo ter anotado o celular de Josh errado e esse foi o número adicional que o seu marido me deu pra me comunicar com ele e preciso que me dê o número da empresa ou do celular, pois preciso falar com ele um assunto importante.
Sofya estava estática, para começar tinha perdido toda a atenção quando o ouviu chamá-la de Any. Não era possível que Joshua tinha desfilado com aquela vagabunda como se fossem marido e mulher, não era possível.
— Any? — ele perguntou, confuso. — Está ai?
Ela gemeu, teve vontade de mandá-lo para o inferno e gritar que não se chamava Any p***a nenhuma, e sim Sofya! Mas se segurou.
— Perdão... — disse com lágrimas. — O que o senhor quer saber?
— Eu preciso de um telefone, qualquer número para que eu possa falar com ele no momento.
— Claro, por favor, anote o número da empresa e o celular. — ela disse e o italiano agradeceu e desligou. — DROGA! — jogou o telefone na parede. — p*****a! — aos berros.
A empregada veio correndo assustada.
— Senhora... — disse olhando os destroços do telefone. — Está tudo bem?
— Não, não está nada bem! — cuspiu. — Mande preparar meu carro, eu vou sair. — disse subindo as escadas.
Iria resolver esse assunto agora mesmo, isso já estava demais!