Any estava em busca de um emprego, já tinha deixado currículos em vários lugares e aguardava ser chamada pra alguma entrevista. Seus pais ainda não sabiam de nada, mas a barriga já estava pontuda e ela estava sentindo que eles poderiam descobrir a qualquer momento.
O telefone tocou e Any atendeu, ansiosa.
— Alô. — pausa. — Sim, sou eu. — ela sorriu e escutou. — Sério? É claro que eu posso! — disse entusiasmada. — Claro, pode falar. — disse pegando um caderninho de anotações e uma caneta e foi anotando. — Muito obrigado, eu estarei aí! — desligou. — Ah, eu consegui um emprego! — começou a pular.
— Sério filha? — Priscila perguntou, abraçando a filha.
— Sim! — sorriu. — É um supermercado, mas é melhor do que nada não é? — disse soltando a mãe, que a encarava estranhando. — O que foi mãe? — pôs o cabelo atrás da orelha se afastando.
— Any, vem aqui. — sentando no sofá e a chamando, ela encarou a mãe com nervosismo. — Vem aqui. — repetiu.
— Não mãe, eu tenho que lavar louça... — apontou em direção a cozinha.
— Me deixa ver a sua barriga. — Priscila disse, tentando manter a calma.
Any começou a suar
— Não... — roendo a unha. — Para com essas coisas mãe...
— Any, eu estou observando você há muito tempo, você só usa essas blusas folgadas, vomita toda hora e agora que eu abracei você eu senti algo mais... Você está grávida minha filha?
— Mas é claro que não, que loucura.
Priscila se levantou e foi até ela, que se afastou.
— Mãe, para!
A mulher a pegou delicadamente pelo braço e levantou sua blusa, revelando a barriga.
— Oh meu Deus... — ela soltou Any voltando para o sofá, sentou-se e apoiou o rosto nas mãos, sem saber o que falar. — Já está avançada... — Any abaixou a cabeça. — Por que você não me disse isso antes Any?
— Por que eu descobri há pouco tempo... — sussurrou.
— Com uma barriga desse tamanho, você só descobriu há pouco? — ironizou, sabia que a filha estava mentindo.
A cacheada mordeu o lábio, estava ferrada.
— Oh meu Deus eu sabia que isso iria acontecer... — chorosa. — Oh minha filha o tanto que eu lhe disse, o tanto que eu lhe alertei pra usar camisinha, pra se cuidar, olha o que você me arruma Any!
Any começou a chorar.
— Quem é o pai dessa criança? É o seu antigo chefe? — perguntou, sabia que era, só queria tirar a dúvida. — Any, quem é o pai?
— É ele mesmo... — soluçando.
— E ele já sabe que você está grávida? — ela perguntou séria.
— Quem está grávida?
Any quase se mija ao ouvir a voz do pai. Agora fudeu. Priscila ficou branca imediatamente.
— Estão surdas? — disse cruzando os braços se aproximando da esposa.
Any olhou a mãe, como se estivesse implorando para que não contasse a Silvio. Mas a mãe negou com a cabeça, aquilo era uma coisa muito séria pra esconder dele.
— Sua filha. — apontou Any, que mantinha a cabeça baixa.
— Perdão? — ele pareceu não entender, e se virou para Any. — Você o que Any?
Any soltou a respiração, não tinha como negar mesmo.
— Eu estou grávida papai... — disse enxugando as lágrimas.
Silvio arregalou os olhos e ficou sem reação, não podia acreditar que Any estava grávida, nunca pensou que sua filha fosse tão burra a ponto de pegar uma barriga tão nova. Estava decepcionado. Any soluçava.
— Quem é o pai? — ele voltou a olhá-la com o olhar carregado de decepção, aquilo fez Any chorar mais.
— Meu ex-chefe. — ela sussurrou.
— Josh? — ele indagou surpreso e ela assentiu. — Mas... — ele se calou e passou a mão no rosto. — E desde quando você deitava com o seu chefe Any?
— Durante um tempo, tivemos um caso. — ela passou a mão no rosto.
— E ele sabe que você está grávida? — ela assentiu. — Já marcou a data do casamento? Por que eu não vou permitir que ele largue você com essa criança.
Any sentiu um gosto amargo na boca, e agora? O que ela iria dizer ao seu pai? Que Joshua tinha uma esposa que também estava grávida? Oh meu Deus... Estava frita!
— Responda!
— Não vai se casar comigo. — ela disse baixinho, mas os dois ouviram e se olharam.
— E por que não?
— Por que ele já é casado. — ela disse subindo o olhar para os pais.
Priscila quase desmaia e Silvio a olhava perplexo.
— Você se envolveu com um homem casado? — Silvio perguntou se aproximando dela, que sentiu as pernas bambearem.
— É, eu me envolvi sim... — ela disse e em seguida sentiu um tapa forte na cara, que a fez cambalear.
— Como foi capaz de fazer uma baixaria dessa menina?! — o homem dizia com a decepção exalando por todos os poros.
Any caiu no choro novamente e pôs a mão no rosto.
— Você é uma vagabunda! E agora?! — encarou Any que chorava, morrendo de vergonha. — Como vai ser agora?!
— Eu consegui um trabalho... — ela disse ainda chorando. — Vou cuidar do meu bebê, sozinha. — ela abraçou o próprio corpo.
— Isso não importa, eu estou falando de honra e ele vai assumir esse filho. — Silvio disse. — Eu não admito que você seja mãe de um bastardo! — ele disse frio, enquanto pegava a chave da caminhonete e saia.
— Papai, por favor, eu não quero! — disse o seguindo.
— CALE A BOCA! — ele berrou. — Esse filho da mãe vai me ouvir! — dizia irado.
— Não... — Any pôs a mão no rosto.
O que menos esperava era que seu pai fosse caçar confusão com Josh, não queria saber mais nada dele e Silvio não estava a ajudando em nada com aquele ataque de ira repentino.
— Mamãe não o deixe ir... — disse aos prantos.
— Silvio... — Priscila disse aflita. — Querido, se acalme primeiro.
Silvio não ligou e entrou na caminhonete, ligando a mesma, não iria permitir que qualquer engraçadinho usasse sua filha, fizesse um filho e a abandonasse em seguida, não mesmo! Logo sumiu de vista.
— Eu não estou acreditando nisso. — Any disse entrando e chorando.
Priscila negou com a cabeça e seguiu a filha. Silvio não tinha jeito mesmo.
Any subiu as escadas e entrou em seu quarto se jogando na cama em um choro doloroso. Priscila parou na porta e sentiu pena ao vê-la chorar, olhou para a barriga da filha e negou com a cabeça, como não notara antes? Estava tudo tão evidente.
— Any... — se aproximou da filha e sentou-se ao lado dela na cama. — Não chore minha filha.
— Eu acho que vou ter que ir embora. — ela disse aos soluços, enquanto abraçava forte seu ursinho de pelúcia.
— Ir embora? — Priscila a encarou. — Mas é claro que não, essa é a sua casa.
— Eu sou uma droga de filha... — encarou Priscila. — Porque eu não posso ser igual a Sabina?
— Não diga isso, você e Sabina são muito importantes pra gente, cada uma com seu jeito. — Priscila a abraçou.
Apesar de Any ter errado jamais viraria as costas para sua filha em um momento tão delicado como aquele. Dava pra ver que ela estava sofrendo muito.
— Não chore meu bem...
— Eu quero morrer mamãe... Morrer.
— Não diga essa besteira nunca mais! — batendo na madeira. — Onde já se viu menina? — beijou os cabelos dela. — Não chore sim? A mamãe está aqui com você.
Any fez um bico de choro, se acalmando aos poucos.
— Papai vai me bater quando voltar não é? — enxugou as lagrimas.
— Mas é claro que não minha filha. — suspirou. — Você sabe que seu pai não faz o tipo violento, ele só lhe bateu na cara por que está nervoso, mas quando se acalmar vai conversar com você direito.
— E se ele me mandar embora? Eu não tenho pra onde ir mãe. — olhando para a parede.
— Any, seu pai jamais faria isso. — a mulher secou as lágrimas dela. — Você não vai sair daqui ok?
Any assentiu com um leve sorriso.
— Obrigada mãe. — mordeu o lábio. — E me perdoa... Eu sei que você está decepcionada comigo.
— Não era o que eu queria pra você filha. — ela disse com a voz embargada. — Mas um filho é sempre uma benção. — pôs a mão na barriga dela. — E esse vai lhe dar muitas alegrias.
Any sorriu secando as lágrimas. Para ela era muito importante o apoio de sua mãe, sentia-se de certa forma, protegida.
— Está com quantos meses?
— Quatro. — encarando seu urso.
— Vai ganhar neném em setembro... — ela deduziu contando nos dedos e Any sorriu nervosa.
— Eu acho. — mordeu o lábio.
— E está fazendo acompanhamento? — perguntou com preocupação.
— Vou começar agora na quarta. — coçando o olho.
— Ótimo. — Priscila sorriu. — Descanse um pouco, eu vou tentar ligar para o seu pai sim?
— Mãe... — Priscila se virou. — Obrigada por não me abandonar.
— Nunca querida. — sorriu. — Jamais abandonarei nem você e nem sua irmã.
Any sorriu de leve e Priscila lhe deu um beijinho na testa, em seguida se retirou.
¨¨¨¨
— Quantas vezes eu já disse pra você me avisar das coisas? — Ron sentou-se a frente do filho, com leve irritação. — Agora esse senhor está insatisfeito com os nossos serviços e pode até nos processar.
— Pai, esse tal de Epaminondas já está caducando. — Joshua disse. — Ela fala as coisas e depois desfala, você pode perguntar pra todo mundo. — rolou os olhos soltando o ar.
— Mesmo assim meu filho... — Ron disse. — Você precisa me manter a par dos assuntos da empresa.
— Ok, foi m*l. — tomou um gole de uísque. — Conversou com o Xavier?
— Sim, mas aquele ali não dá muita importância. — negou com a cabeça. — O negócio dele é ganhar dinheiro, dane-se a satisfação dos clientes.
Joshua riu de leve.
— ME SOLTE! — ouviram a gritaria do lado de fora e arregalaram os olhos.
— Mas o que é isso? — Ron perguntou perplexo.
A porta se abriu e por ela passou Silvio, furioso. Josh ficou amarelo, com certeza Any já contara que estava grávida.
— É com você mesmo que eu quero falar! — ele se aproximou e Joshua foi andando pra trás.
— Josh, eu bem que tentei... — Cecília se explicou.
— Tudo bem Cecília, pode se retirar. — ela se retirou olhando Silvio de esguelha.
— Quem é o senhor, e o que está fazendo aqui? — Ron perguntou ainda confuso.
Silvio irritou-se mais ao ver a cara daquele playboy canalha e voou em cima dele, lhe acertando um soco em cheio na cara.
— Ei! — Ron se interpôs no meio dos dois. — Pare de agredir meu filho, senão vou chamar a polícia!
Joshua acariciou o maxilar que estava doendo pra c*****o, ele até que tinha força.
— Quem é o senhor e o que está fazendo aqui? — Ron perguntou pela segunda vez.
— Seu filhinho... — encarou Joshua e em seguida Ron. — Engravidou a minha filha!
Ron arregalou os olhos e encarou Joshua com espanto, o loiro continuava com a mão no rosto acariciando-o na tentativa de fazer parar de doer.
— Perdão, eu não estou entendendo... — riu. — Meu filho é casado, inclusive a esposa dele também está grávida.
Silvio ficou mais horrorizado ainda. Josh soltou o ar, querendo que tudo aquilo fosse um pesadelo.
— Que pouca vergonha! — Silvio disse, negando com a cabeça. — Vai ser pai duas vezes.
— Josh, o que esse homem está falando é verdade? — apontou.
O loiro suspirou e assentiu, Ron arregalou os olhos.
— É verdade pai. — encarou Silvio.
— E quem é essa moça? — perguntou perplexo.
— A Any, minha antiga secretária. — coçou a nuca.
Ron ficou amarelo.
— Aquela belezinha? — disse ainda sem acreditar.
— O QUE? — Silvio o encarou irado. — É da minha filha caçula que está falando, seu pedófilo!
— Olha, o senhor pode me dar licença, eu preciso conversar com meu filho...
— Não! — ele bufou. — Seu filho vai assumir a paternidade ouviu? Senão eu vou processa-lo!
— Seu Silvio... — Josh começou. — Eu sempre deixei muito claro para a Any que eu vou assumir o meu filho e dar tudo o que ela precisar... Mas ela se recusa a aceitar.
— Não quero saber! — ele disse. — Você vai registrá-lo como seu filho, entendeu?
— É claro que ele vai! — Ron cruzou os braços. — O senhor não precisa nem se preocupar quanto a isso. — ele disse andando de um lado para outro, meio frustrado. Era doido por aquela gata e agora ela estava grávida de seu próprio filho? Que merda!
— E agradeça por ser casado, senão você iria casar com a minha filha nem que fosse obrigado! É muito bom sair transando sem camisinha, se divertindo e depois simplesmente deixar no canto não é?
Joshua quase sorria, casar com Any jamais seria uma obrigação, pelo menos não pra ele.
— Eu jamais pensei desse jeito. — ele suspirou. — Não se preocupe, se depender de mim a Any terá tudo o que ela precisar e o que ela não precisar. — afrouxou a gravata. — Hoje mesmo eu vou depositar uma boa quantia em dinheiro na conta dela.
— Pode enfiar o seu dinheiro onde você quiser. — ele grunhiu. — O que eu quero é que assuma meu neto! Apenas. — ele murmurou.
— Eu vou assumir o meu filho, não se preocupe com isso.
— Eu acho muito bom. — Silvio encarou-o com cara de poucos amigos e em seguida encarou Ron. — Até breve, senhor Beauchamp. — ironizou e saiu em seguida.